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Como demolhar o bacalhau

O processo de demolha do bacalhau é algo tradicional da preparação da ceia de Natal. Como não sou um especialista da matéria, procurei na Internet as melhores práticas neste domínio. Um dos melhores artigos que encontrei foi este, havendo ainda documentos interessantes sobre o bacalhau e a indústria do bacalhau.

Para iniciar o processo, deve-se começar por retirar o excesso de sal, de preferência passando-o por um pouco de água corrente. É na superfície que se observará uma maior quantidade de sal, e uma vez retirado, o processo posterior será muito mais eficiente.

Um truque que vi em várias páginas realçado é o de colocar as postas a demolhar sempre com a pele para cima. A pele do bacalhau funciona como uma barreira impermeável, e se ela ficar do lado do baixo, o sal tenderá a acumular-se na parte interior da pele. Se a pele ficar virada para cima, o sal dissolver-se-á na água e precipitar-se-á para o fundo do recipiente.

Nesta sequência, a parte inferior do recipiente onde se faz a demolha deve ter uma parte livre apenas com água, e sem bacalhau. A colocação de uma grelha é o ideal, mas se utilizar outro suporte, tenha em consideração que é importante preservar o fluxo de água dentro do recipiente. É igualmente importante não sobrepor o bacalhau. É que o sal tenderá a acumular-se no fundo do recipiente apenas se lá conseguir chegar.

Outro factor que é recorrentemente referido é o de efectuar a demolha em água fria. Alguns aconselham mesmo a demolha em frigorífico, ou com gelo no Verão. Mas para o Natal, a demolha num local mais fresco é mais fácil. Uma demolha em água fria, não só preserva melhor o bacalhau, evitando a proliferação de bactérias, como evita algumas situações de maus cheiros, e também preserva os níveis de gordura.

Finalmente, a tendência será para colocar o bacalhau a demolhar bastante tempo antes da sua preparação, para assegurar que não fica salgado. Mas não tenha pressa! O bacalhau especial leva cerca de 48 horas a demolhar, o graúdo 36 horas e o bacalhau médio cerca de 24 horas. Se se seguir os preceitos atrás, o recomendável é fazer uma primeira mudança da água passado 2 horas, e depois mudar a água de 6 em 6 horas. Tenha presente que o ideal é o bacalhau sair directamente da demolha para a panela, sendo desaconselhado mudar a última água, pois deixa o bacalhau ressequido.

Consumo de boxes

O ano passado havia referido que a nossa box cá em casa consumia tanto ligada, como em standby. Um problema, porque à mensalidade do serviço acresciam quase 2 euros de electricidade por mês! A solução que encontrei foi a de ter mais um comando, um comando que verdadeiramente desliga a box!

Mas perceber o que estaria a causar isso na box, era algo que era incapaz de descobrir. Não tenho os conhecimentos necessários de electrónica. Foi por isso que há uns dias lancei esse desafio a David Martins, autor do blog “O engenhocas“. Havia tropeçado num artigo que ele efectuara sobre a fonte de alimentação de uma box, e o desafio era tentar perceber porque as boxes realmente têm esse comportamento de consumo?

David Martins, que é estudante de Engenharia Electrotécnica e de Computadores na Universidade da Beira Interior, elaborou uma análise sobre o consumo de uma box em particular, a box de satélite televes. Num primeiro artigo, David confirma que o consumo de electricidade é praticamente idêntico quando está ligado e em standby. Ele explica detalhamente porque isso se verifica, e documenta isso extensivamente de forma fotográfica. David constata que “estes aparelhos não são projectados com vista à poupança“, e que no caso da box analisada, “a box gasta 9.2W e a única coisa de jeito que faz é ter um relógio a funcionar?!?“.

Felizmente, os operadores estão a começar a acordar para o problema. No início deste ano, a ZON anunciou que as novas boxes permitem poupar 30 euros por ano. O que é o mesmo que dizer que quem tiver as mais antigas gasta 30 euros por ano a mais de electricidade! Felizmente, há esperança quando alunos como o David têm facilidade em compreender o que se passa de errado, e apontar mesmo soluções fáceis para o problema. Não deixem de comprovar isso no vídeo abaixo, retirado deste artigo, em que David evidencia claramente a questão. E não deixem de espreitar o blog d’ “O Engenhocas“, pois certamente contribuirá com muitos mais esclarecimentos úteis e educativos.

Árvore de Natal

Árvore de Natal feita de CDs - foto por @designerferro

Árvore de Natal feita de CDs – foto por @designerferro

Estamos quase no natal e não tarda muito parte do custo do Natal tenha já sido consumido na compra da árvore e dos enfeites. Há mesmo quem tenha visto no aluguer de árvores um negócio.

Um grupo de amigos decidiu não fazer como todos os outros. Em lugar de comprar a árvore de plástico e as lâmpadas, criou com os materiais que tinha mais à mão a árvore de Natal. Não vos digo que façam a mesma coisa lá por casa, até porque se foram como eu guardam a árvore e os enfeites de uns anos para os outros e deixam aos miúdos a oportunidade de fazer o presépio.

Ganha o prémio da poupança e da originalidade, tudo junto. Parabéns.

Como poupar cerca de 50% da electricidade na lavagem da roupa?

Isto é confuso…

A nossa leitora Tostão fez um comentário neste artigo sobre o consumo da máquina de lavar roupa em standby que me deixou pensativo. A forma como colocou a perguntou fez-me ocorrer outra pergunta: se todos tentamos seguir as melhores práticas, e poupamos na utilização dos electrodomésticos, então quantas lavagens de roupa conseguiria eu fazer com a energia que se desperdiça em standby na máquina de lavar roupa?

As contas são triviais, mas o resultado é surpreendente! Como disse no artigo anterior, o consumo em standby da minha máquina de lavar roupa é de uns 52.56 kWh por ano.

No artigo inicial da saga, havia calculado que o consumo de cada lavagem era de 285 Wh. Sendo assim, com o consumo de standby num ano, conseguiríamos fazer 184 lavagens (52.56/0.285)!!!

Em termos puristas, dir-se-á que enquanto se estaria a fazer 184 lavagens, também haveria consumo em standby, mas…

A estupefacção que o leitor deve estar a sentir, também me ocorreu depois de fazer as contas!

“Standby durante um ano dá para fazer 184 lavagens??? Tem que estar alguma coisa errada, não?”

Fazendo de outra forma: 6 Wh de standby por hora, num dia dá 144 Wh (6×24), e 288 Wh em dois dias, que é quase igual aos 285 Wh duma lavagem.

“O consumo de standby da minha máquina daria para fazer uma lavagem de dois em dois dias???”

Ena! Porque é isso que normalmente se faz lá em casa! Se repararem, 184 é cerca de metade dos dias de um ano, pelo que se reforça a correção das contas!

Outra forma de fazer as contas é olhar para os custos. Se fizer 15 lavagens de roupa num mês, vou gastar 4.275 kWh de electricidade. Num mês de 30 dias, temos 720 horas, e se descontarmos 15 horas de lavagem (cada uma cá em casa demora cerca de 55 minutos), ficamos com 705 horas em standby. Tal significa 4.23 kWh de consumo de electricidade em standby.

À tarifa simples de 0.1713 €/kWh, as lavagens ficam em 0,73 € por mês, enquanto o standby me fica por 0,72 € por mês. Mas como quase todas as lavagens em casa são programadas para o fim da madrugada, tiro proveito da tarifa de vazio do bi-horário, pelo que a relação para mim deve ser ainda mais proveitosa…

Por isso, no meu caso, já sei como posso poupar cerca de 50% da electricidade consumida na lavagem da roupa. Ainda não sei é como vou implementar a solução!

Potencial para a redução da conta da electricidade

Num dos primeiros artigos do Poupar Melhor, referimos que uma das formas mais rápidas de começar a poupar na conta da electricidade é diminuir a potência do contador. Não é aplicável a todos, mas tenho-me deparado com muitos casos em que a potência contratada é claramente superior ao necessário. Como referimos nesse artigo, exige apenas uma aprendizagem de programação dos consumos elevados de uma forma não simultânea. Se tiver oportunidade de registar os seus consumos (já aqui referimos vários exemplos), então a decisão é ainda mais fácil.

Várias vezes pensei que seria interessante saber qual a distribuição das potências pelos contadores existente em Portugal, para ter uma ideia do potencial de poupança global. Esses dados estão na ERSE, mas acabei de ver uma representação gráfica muito mais interessante neste documento da KEMA, na página 62, relativo aos valores de 2010, e visível abaixo:

Distribuição de contadores por potência

O escalão de potência dos 3.45 kVA, que é a potência que tenho em casa, era a mais contratada em 2010, representando cerca de 45% dos contadores BTN. Note-se todavia que 25% estavam no escalão dos 6.9 kVA, o escalão em que pessoalmente acredito que muitos estão, sem necessidade…

O gráfico, adicionalmente, assinala com pontos vermelhos os valores médios de consumo anual por escalão de potência. Não é surpreendente que no escalão dos 6.9 kVA, o consumo seja inferior à daqueles contadores com o escalão inferior, de 5.75 kVA. Em termos de consumos, destaque ainda para o valor médio de 512 kWh para o escalão mais baixo, o que não evita o pagamento da contribuição áudio-visual, que está isenta apenas para consumos anuais inferiores a 400 kWh.

Se não sabe qual é a sua potência contratada, verifique na sua factura da electricidade. Na minha factura aparece referenciada como “Tarifa Contratada”. Veja se pode começar a poupar alguns euros por mês (veja quanto para as tarifas reguladas aqui), praticamente sem fazer nada!

Quanto custa assar o peru no forno elétrico

wild tom turkey por Steve Voght / Creative Commons license*

Wild Tom Turkey por Steve Voght / Creative Commons license*

Com a chegada do Natal começamos a fazer as contas à crise. Cozer a água para o bacalhau e as batatas pode não ser preocupação, mas cozinhar o peru no forno pode ter custos inesperados. Quando fizemos o pão cá em casa estimámos que os 40 minutos que levaria a cozinhar no forno estavam podem custar €0,23.

A receita de peru da família envolve requintes de malvadez que perduram por 3 dias e vão desde retirar as penas do frango com um isqueiro até esmagar as castanhas para o recheio, que diga-se de passagem é das partes mais cobiçadas da receita.

Cozinhar o próprio peru para o dia 25 de dezembro pode demorar 8 horas. Com o forno elétrico a consumir cerca de 2kWh e com um custo a eletriciada a € 0,1713 na tarifa normal, só cozinhar o peru pode custar € 2,75: 8 horas no forno elétrico = ~2kWh X € 0,1713 X 8 horas = € 2,75

Segundo a nossa amiga Rosário T., se comprarem o peru já assado e só fizerem o recheio, a diferença pode custar-vos muito mais.