Parado no semáforo vermelho

Semáforo vermelho = poluição

Semáforo vermelho = poluição

Saiu recentemente um estudo que enumera as consequências de estarmos parados num semáforo vermelho. O estudo refere que apesar dos condutores poderem dispender apenas 2% do tempo de percurso na passagem por semáforos, recebem nesse pequeno período 25% do total de exposição a nanopartículas de poluição, que contribuem para as doenças respiratórias e coronárias.

A equipa de investigação descobriu o que é senso comum, pois as emissões continuam quando se está parado e as acelerações subsequentes causam naturalmente emissões significativas. As emissões de pico nos cruzamentos chegaram a ser 29 vezes mais elevadas que quando o tráfego flui normalmente. Neste aspecto, as contribuições dos carros com a função start-stop ajudará a diminuir o problema.

O investigador refere algumas formas de minimizar o problema, como manter as janelas fechadas, as ventoinhas desligadas e tentar aumentar a distância para o automóvel da frente, quando possível. O mesmo se aplica a peões, que devem procurar caminhos alternativos aos das intersecções. Recomenda ainda uma melhor gestão dos semáforos por parte das autoridades.

Em qualquer caso, a minha estratégia de utilização do paradoxo de Zeno parece contribuir para diminuir os níveis de exposição a nanopartículas e poluição, pelo que parece que não poupo só no combustível, como ainda ajuda à minha saúde.

A Via Verde, a Via Livre e o legalês galopante

Guaranteed 100% pure bullshit

Guaranteed 100% pure bullshit

Aqui no Poupar Melhor já falámos muitas vezes sobre as ex-Scut e sobre os seus pórticos. Podemos mesmo dizer que somos especialistas na matéria, mas esta foi para nós uma experiência completamente nova.

Há uns dias recebi uma carta de uma tal de Via Livre. Na carta que me enviaram desta empresa de que nunca tinha ouvido falar vinham duas páginas de referências a articulados, da escolha do emissor naturalmente, a acusar-me de ter o pagamento da passagem nos seus pórticos na Via do Infante em agosto de 2014 em falta. Preocupou-me o tom acusatório e a ameaça de contra-ordenação que daria em coima pelas histórias que conhecia.

[…] na autoestrada A17, de uma taxa de portagem de 24,75 euros, que “veio a dar lugar ao pagamento de uma coima no valor de 1.237,50 euros”, acrescidos de 76,50 euros de custas processuais”.

Como em todas as ex-Scutt, a falha de leitura da Via Verde nos pórtico acontece sem que o utente seja avisado no momento da passagem.

Conversando com a Via Verde, indicaram-me o que deveria comunicar à empresa Via Livre. Tudo indica que na receção de uma carta com o teor da que refiro, devem comunicar imediatamente com o emissor a informação de que são clientes da Via Verde e desde quando.

No meu caso, sou cliente da Via Verde pelo menos desde 2003. Assim, seguindo as instruções da própria Via Verde, o que fiz foi retribuir o favor que a Via Livre me fez, e escrever uma carta em termos em tudo semelhantes:

Boa tarde,

Relativamente à vossa carta da passada semana, onde referiam a instauração de um processo de contra-ordenação ao proprietário da viatura a matricula NN-XX-NN que, de acordo com o articulado de vossa escolha, entenderam tinha em falta o pagamento da passagem nos pórticos no dia 16 de agosto de 2014, junto à localidade da Guia, no Algarve, informo que a viatura em causa tem contrato com a Via Verde desde o ano 2003.

Entendo que a existência do contrato com a entidade Via Verde e os meios que V.as Ex.as e os vossos associado/clientes/parceiros têm vos obrigam a manter processos e meios eficazes e eficientes de forma a que os vossos clientes/utentes não sejam incomodados com linguagem intimidatório-jurídica contendo acusações onde lhes imputam as falhas desse processos e meios.

Assim, agradeço que até ao próximo dia 19 de fevereiro de 2015 procedam:

  • Ao envio de uma carta com o pedido de desculpas face à falha do vosso processo, onde devem mencionar que não se encontram quaisquer valores sem pagamento à data da emissão da carta para a viatura em causa;
  • À inscrição da descrição desta não conformidade/insatisfação no que entenderem chamar ao vosso processo de gestão de qualidade/satisfação/processos para que seja avaliado no âmbito da melhoria continua da vossa instituição.

Cumprimentos

Álvaro M. Ferro
http://www.pouparmelhor.com/

Por hábito não me dirijo neste tom autoritário a ninguém, mas no caso de cartas de duas páginas com articulados jurídicos a indicar obrigações e deveres pelo número e alíneas da legislação em vigor abro uma exceção. O tom intimidatório, acusatório e prepotente em que são escritas as palavras na carta baseiam-se apenas em certezas sobre a culpabilidade do recetor da comunicação.

A carta não me indica que tenho um pagamento em falta e que devo regularizá-lo. Escala de “pagamento em falta” para “contra-ordenação” sem sequer se perguntar se o pagamento em falta se deveu a uma avaria dos meios de cobrança do próprio emissor.

Os pórticos das ex-Scut têm a particularidade de, independentemente do resultado da leitura do identificador na viatura, não darem qualquer informação do sucesso ou insucesso da leitura ao condutor. Quando o sistema dos pórticos falha, o condutor, que nada tem a ver com os pórticos, fica com a obrigação de retificar o erro que não cometeu e que não tem qualquer razão para ir verificar se ocorreu uma vez que é portador de um dispositivo eletrónico de identificação do seu veículo.

O site da Via Livre explica-nos como funciona, em português do antigo, claro está:

Como se pode pagar a taxa de portagem numa auto-estrada sem portagem manual, ou seja, com portagem exclusivamente electrónica?
O utente deve adquirir e instalar um DE (que pode ser um DEM, um DECP ou um DT) junto de uma entidade de cobrança de portagens, aderindo a um sistema de pagamento, o que permitirá accionar esse sistema de pagamento sempre que a passagem do DE seja detectada pelo pórtico de portagem.Se o utente não dispuser de um DE, poderá regularizar o pagamento a posteriori, no prazo de 5 dias úteis, realizando o pagamento nas Estações dos CTT, na rede Payshop e noutros locais que venham a aderir ao sistema, bastando para isso que o utente indique o nº da sua matrícula. Não procedendo a essa regularização, será considerado um infractor, e receberá na sua morada a respectiva notificação

Aqueles acrónimos (DEM, DECP, DE e DT) são-nos explicados pelas perguntas frequentes. Perguntas que nunca imaginaria fazer a mim próprio, como “o que é um DEM?” ou “O que será um DE?”, passarão a ser perguntas frequentes durante a leitura destas perguntas frequentes. Tudo de bom, é o que nos espera da leitura de perguntas frequentes que nos deixam com mais perguntas… e daquelas frequentes.

Ficamos pois a saber que, ao final dos ditos 5 dias somos “infratores” e seremos “notificados”. Tudo muito oficial e juridicamente bem construído para que não haja dúvidas de que pagamos ou somos uns grandes malandros.

Se ainda assim subsistirem dúvidas, já sabem, podem ligar para um número daqueles que se pagam a eles próprios: 707.

Assim, e de modo a tornar mais segura e transparente a informação que os consumidores detêm sobre estas gamas de numeração, foi determinado que as ligações para números iniciados por 707 e 708 não poderão ser tarifadas a mais de €0,10 por minuto nas ligações com origem nas redes fixas e a mais de €0,25 por minuto nas ligações originadas pelas redes móveis. A tarifação será feita ao segundo a partir do primeiro minuto.

Ou então, um número 808

“[…]preço de uma chamada local: 0,0861€ no primeiro minuto e 0,0391€ por minuto nos minutos seguintes (IVA incluído).

Ou então podem usar o formulário no próprio site, indicando o número da notificação e demais informação, mas atenção, a Via Verde “Alerta” que:

Sem prejuízo do compromisso de confidencialidade (que se deve ter como uma obrigação de meios) referente à utilização de dados pessoais, a VIALIVRE, S.A. alerta que existem riscos relacionados com a Internet e bases de dados, sendo possível que os dados pessoais constantes do portal possam ser captados e/ou transferidos por terceiros.

Se não confiam na Internet e não se responsabilizam por coisa nenhuma porque na Internet acontecem… coisas, não deviam pedir no homepage do site que colocássemos lá informação. Talvez tenham escrito isto como um incentivo para se usar os números 707 e 808 sugeridos…

Este mau hábito de dar ao acusador toda a liberdade de agir a seu belo prazer e como se a condenação já tivesse sido passada começa a tornar-se um clássico. Provavelmente pelo excesso de juristas que a nação está a produzir e com tanta oferta de juristas, imagino que a procura esteja a baixar e isso leve os que ainda exercem a apresentar resultados dê por onde der.

Enquanto Portugal for um Estado de Direito Democrático, os seus cidadãos só são culpados após transitado em julgado.

Sacos para o lixo

Agora que os hipers deixaram de dar sacos gratuitos para enfiar o lixo, eu e os leitores, temos um problema. Aqueles que puderem optar por compostagem, tenham apenas cuidado com a legionella. Os restantes, como eu, vamos ter que enfiar o lixo noutros sacos…

As alternativas mais baratas de sacos comprados que referimos estavam na casa dos 3 cêntimos. No passado fim de semana, consegui todavia uma grande melhoria no Continente, melhor mesmo que o valor referido do Jumbo, embora seja uma oferta que não está online. São 50 sacos de 20 litros por 1.29€, ou seja 2.58 cêntimos por saco:

Sacos de lixo baratos

Sacos de lixo baratos. Será que ainda há mais baratos?

A ideia de que a taxa de 10 cêntimos é boa para o ambiente é por isso duvidosa. Estes sacos para o lixo não são bio-degradáveis, ou qualquer coisa degradável-like… Mas são uma das alternativas que nos restam para enfiar o lixo…

Há outras alternativas: reutilizar um saco mais resistente para enfiar o lixo, e depois descarregá-lo para dentro do caixote de lixo na rua. Vai conspurcar aquilo tudo, o que vai obrigar os SMAS a lavar aquilo mais vezes. Vai ter que também lavar os seus sacos de lixo reutilizáveis, gastando dinheiro na água. É capaz de ficar mais barato para si, mas o incremento de focos infecciosos, e o regresso a um estilo de vida de há décadas atrás, não me atrai…

Mas, há outras hipóteses. A que vamos seguir cá em casa é reutilizar/reciclar os sacos de plástico que permanecem gratuitos. Neste caso, estou a falar dos que são utilizados para embalar a fruta. Não são tão grandes como os anteriores das compras, mas nalguns casos até são mais resistentes e estanques!

E como se conseguem sacos destes? Fácil! Compra-se mais fruta e legumes! O que até não deixa de ser saudável… No passado fim de semana ensaei a táctica: muita variedade de fruta e legumes dá direito a muitos sacos de plástico. Deixei até de comprar cenouras que vinham embaladas, para ficar com mais um saquinho:

Sacos de plástico que serão reciclados para o lixo

Sacos de plástico que serão reciclados para o lixo

Mas a táctica pode ser melhorada, sem entrar pela táctica de extraviar sacos do hipermercado, o que iria imediatamente contra os meus princípios. Mas, que eu saiba, comprar uma única maçã não é crime… E se me apetecer comprar outra macã a seguir, serei obrigado a juntar e pesar as duas maçãs? É claro que estarei a pagar o peso dos sacos, mas ainda assim, deve sair mais barato que os sacos de 20 litros…

Como enrolar o fio dos auscultadores

Enrolar fio dos auscultadores - 9gag

Enrolar fio dos auscultadores – 9gag

Os fios dos auscultadores é algo que só dá chatices. Por mais organizados que sejamos não é possível mantê-los desenlaçados. O foto em cima foi obtida no site 9gag, um site social de piadas, mas com uma técnica que já usei em tempos.

Este tema já não é novo no Poupar Melhor. Anteriormente já tínhamos também sugerido fazerem umas caixas de origami para os cabos.

Fila Única no Continente

Imagem retirada daqui

Fila Única no COntinente (imagem retirada daqui)

Os hipermercados Continente têm nos últimos meses implementado o conceito de “Fila Única” nas caixas. Passados estes meses todos, esperava que os problemas que criou estivessem resolvidos, ou que então abandonassem a ideia. Nem uma nem outra aconteceu…

Quando vi esta ideia pela primeira vez, nem queria acreditar na trapalhada! Mas fiz logo ali um desafio a mim mesmo: testar a fila. O teste é muito simples: fixar a pessoa que entra a seguir no fim da fila única, e ir para outra caixa normal, ou vice-versa, e depois controlar essa pessoa e verificar se compensa ir para a fila única ou não?

Com excepção de uma única vez, provei sempre que a fila única é mais lenta! Se vou por uma caixa normal, a pessoa que estaria no meu lugar na fila única, tipicamente está a colocar objetos no tapete da caixa quando já estou a sair do hiper. Se vou pela fila única, a pessoa da caixa normal que estava na posição onde eu estaria, está sempre cá fora primeiro! A exceção ocorreu uma vez em que tive mesmo que ir para a fila única, porque as restantes caixas da zona da alimentação estavam fechadas e tive que esperar na maldita fila, sem nada poder controlar… Para minha grande surpresa, quando saí da caixa da fila única, e percorri o restante corredor das caixas junto à entrada, deparei-me com duas caixas abertas, sem ninguém!

O conceito em si não me repugna. O problema é que se forçou esta estratégia sem adaptar o espaço. Há a fila única, e depois há dois espaços, um para nos degladiarmos no acesso às caixas e outro para circular entre as filas dos produtos do hipermercado. E o que assisto em períodos de menor frequência (nunca vou ao hiper nos períodos de maior congestionamento) já é de bradar aos céus, quanto mais nos períodos de maior confusão (relatos na Internet dizem como é).

Depois, a chamada a cada caixa acontece de forma muito ineficiente. Tipicamente, quando o cliente que lá está já está na fase do pagamento. Quando somos chamados, é o stress total, para descarregar o carrinho, ouvir a pessoa da caixa a suplicar pelos cartões, e a tentarmos desviar o carrinho para que outros consigam passar por nós, com destino a outra caixa.

E a ineficiência está aqui: não só a pessoa da caixa não está a fazer nada, como o Continente não está a facturar. E nós a desesperar, descarregando o carrinho! Nem para olhar para as chiclets dá… Nas caixas normais, ainda espreitaria as revistas ou estaria já a ajudar a embalar as compras e a metê-las no carrinho, mas não, continuo a descarregar o carrinho…

Nas experiências que tenho feito, e enquanto controlo a pessoa que me substitui na outra fila, tenho perguntado sempre a mesma pergunta à pessoa da caixa: “quando acaba isto da fila única?”. A resposta é sempre a mesma, a revelar um brainwashing incrível: que a fila única é o máximo! Quando lhes conto as experiências, e lhes mostro onde pára a pessoa no meu lugar, na outra fila, ficam de repente mudas. Não dizem mais nada até ao fim… Revelador…

É claro que o Continente deve ter uma perceção muito clara dos resultados. Bastará consultar as vendas por caixa. Mas nunco o irão revelar. E dificilmente também reverterão rapidamente o erro, até porque se acabarem com a fila única, toda a gente perceberá o que é evidente. A estratégia deve estar a passar por optimizar a fila única, mas parece que cada vez está pior! Até porque há outros casos conhecidos de confusões com filas únicas. O que leva à questão se não haverá outras razões para isto da fila única? Porque como vimos no caso das bagagens dos aeroportos, pode haver outros objectivos escondidos… Os hipermercados são conhecidos por utilizar estratégias de compras muito conhecidas, e uma manobra simples como esta pode obrigar os clientes a passar por determinadas zonas, como na excepção que referi acima, só para dar um exemplo. Ou pode ser apenas uma simples estratégia para reduzir os trabalhadores nas caixas…

133ª fila: a da caixa única nos supermercados e dos problemas com a eFatura

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana o A.Sousa decidiu reclamar. Reclamou porque a fila única no supermercado não funciona e porque a eFatura não o deixou reclassificar a fatura do dentista como sendo uma fatura de saúde.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes

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