Imprimir notas

A impressão de notas é um tema que raramente é publicamente discutido. Por isso, não percebo muito do assunto. Mas, com o recente avanço do BCE na compra de dívida, em valores astronómicos, resolvi fazer alguma investigação por conta própria. Muita da leitura que vi por blogs, essencialmente políticos e económicos, vai no sentido de que isto corresponde basicamente à impressão de moeda, ie, de notas…

Essa ideia foi talvez sumarizada da forma mais surpreendente por Carvalho da Silva, no JN, que acha que descobri a solução com “Simples de mais para ser verdade?“. E a solução seria o BCE imprimir largas somas de dinheiro e distribuí-lo ao público“, e já agora depositá-lo directamente nas contas bancárias de todos os cidadãos!

Para termos ideia da dimensão do dinheiro que vai ser “criado”, partamos da noção que uma nota do euro terá aproximadamente 0.11 mm de espessura. Não consegui obter o valor exacto, pelo que vou utilizar esse valor. Nas notas usuais de 20€, 1 trilião de euros representa 5500 Kms de notas, sensivelmente a distância de Lisboa a Nova Iorque! Em notas de 500€, representa um conjunto destas notas alinhadas entre Lisboa e Aveiro…

A ideia de que isto resolve algum problema deixa-me siderado! Existem inúmeros exemplos históricos de como imprimir notas não resolve problema nenhum, sendo que me vem imediatamente à memória o exemplo do Zimbabwe. A espiral de impressão só parou quando se atingiu uma nota com 14 zeros. Reparem que se esta nota fosse expressa em euros, dava para fazer 100 planos como os do BCE, o que nos dá uma ideia de que ainda estamos muito longe do Zimbabwe:

nota triliao zimbabwe

Uma nota com muitos zeros…

O problema da impressão de notas tem uma expressão associada em inglês que dá pelo nome de seigniorage. Curiosamente, a expressão é explicada por um professor universitário americano, Jeffrey A. Frankel, com uma experiência vivida há muitos anos em Portugal:

  • It all started at the mid-point of my graduate studies at MIT. In 1976, Dick Eckaus and our other professors packed five of us — Krugman, three other classmates, and me — off to Portugal for a summer. I remember thinking, on the plane going over, “what do we know about advising a government?” The man we were to work for, Jose da Silva Lopes, Governor of the Central Bank, apparently thought the same thing, when we arrived in Lisbon and he saw how young we were. Eventually we proved, both to ourselves and to our host country, that we had something to offer after all.
    One story from that first experience at advising long ago stands me in good stead, every year when I need to explain to my students the concept of seignorage. We were living in hotels. At the end of the first month, we had to pay the bill. But for bureaucratic reasons, the wire transfers we were expecting had not yet come through. We apologetically explained our problem to the Governor. Responding “no problem,” he summoned an aide who took us to the basement where the printing presses were turning out the national currency. They counted out enough escudos to tide each of us over. I don’t know if the Bank of Portugal ran the printing presses for an extra few seconds that day; if so, it was truly seignorage.

Planeta mais Verde, mas não todo…

Fala-se muito de sustentabilidade nos dias que correm, mas uma das coisas que me faz mais confusão é o pouco esforço posto em medidas concretas! Fala-se muito, cobram-se muitos impostos, nomeadamente os novos associados à Fiscalidade Verde, mas acção, muito pouca…

No outro dia li com muito interesse um artigo que falava de um dos grandes desafios dos Chineses, a plantação de uma barreira de 100 mil milhões de árvores, que os proteja da poeira oriunda dos desertos do norte da China. E que talvez ajude também a combater a poluição. A boa notícia do artigo é que a estratégia parece estar a funcionar…

Ávido por saber um pouco mais sobre Portugal, deparei-me com esta notícia de uma organização científica da Austrália, que alegadamente refere que os desertos do Planeta estão a ficar mais verdes, imagine-se, devido a um aumento do dióxido de carbono na atmosfera. O aumento de vegetação entre 1982 e 2010 foi segundo o estudo de 11%. Mas eu cheguei ao artigo pela imagem, que se reproduz parcialmente abaixo para a Europa (original, de grandes dimensões, acessível neste link), e onde se constata que é no sul do País e de Espanha, bem como no norte de Marrocos, que mais vegetação está a desparecer…

Por isso, uma das minhas tarefas deste ano, para além de contribuir involuntariamente para a Fiscalidade Verde, vai ser fazer algo mais substancial, que é plantar umas árvores, e tratar delas, para que este pedacinho do planeta fique mais Verde…

variacao vegetacao 1982 2010

Variação de vegetação entre 1982 e 2010

130º dashboard: o das batatas fritas da McDonalds e do Dashoard de saúde do iPhone

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana falamos de temas ligados à saúde. O A.Sousa andou a cuscar como são feitas e quantos ingredientes têm as batatas fritas da McDonalds. Fechamos a falar do Dashoard de saúde do iPhone e de como espero conseguir melhorar a minha saúde controlando-a com a sua ajuda.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes

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Como são feitas as batatas fritas do McDonalds?

O McDonalds tem um canal no Youtube. Nesse canal costuma colocar videos sobre aspectos relacionados com os seus produtos. Esta semana, o vídeo sobre as batatas fritas da McDonalds, chamou-me a atenção…

No vídeo participa Grant Imahara, que participou anteriormente no Mythbusters. Ele percorre uma das fábricas de produção das batatas fritas, e uma das partes que gostei mais foi perceber como eles cortam as batatas fritas:

Apesar de ligeiramente condescendente, no vídeo seguinte ele revela que para além de batatas, há mais 18 outros ingredientes nas batatas fritas da McDonalds. Alguns desses ingredientes têm uns nomes feios e umas proveniências duvidosas. Parece que tudo é por uma boa causa, mas da próxima vez que comer, não me vou conseguir esquecer de alguns destes ingredientes:

Base de Dados de Contas Bancárias

No início deste ano de 2015, o Banco de Portugal disponibilizou uma nova e interessante funcionalidade: a possibilidade de consultar todas as contas bancárias de que dispomos no sistema financeiro português.

O acesso à Base de Dados de Contas está dependente de autenticação válida, sendo possível efectuar essa autenticação com o Cartão de Cidadão (no caso de pessoas singulares) ou das credenciais disponibilizadas pela Administração Fiscal para o acesso ao Portal das Finanças (no caso de pessoas coletivas e também pessoas singulares).

O resultado do processo é um PDF com a lista com as nossas contas, que podem ser à ordem, a prazo, de instrumentos financeiros, etc. A lista está organizada por Banco, e tem informação como quando foi constituída, e se está encerrada. Refere igualmente se somos titulares ou se estamos apenas autorizados a movimentá-la.

Segundo as Perguntas Frequentes, esta Base de Dados tem como principal objectivo “a transmissão de informação pelo Banco de Portugal sobre a identificação das contas e dos seus intervenientes  às autoridades judiciárias no âmbito de um processo penal, ao Procurador-Geral da República, ou a quem exerça as respetivas competências por delegação, e à Unidade de Informação Financeira“. A sensibilidade da informação exposta é muito grande, pelo que é importante que tenha cuidado com as passwords ou os outros meios de autenticação que o Estado põe à sua disposição…

Carrot: a aplicação do iPhone que nos insulta

MeetCarrot.com tem um conceito de apoio à melhoria da nossa forma física… diferente. Desde que ligam uma das aplicações que ela nos começa a insultar de “saco de carne” ou “pessoa inchada”. Fui à procura desta aplicação porque estou um bocadinho para o gordito… É de estar sentado a escrever o dia todo e não fazer exercício, mas continuar a comer como se fosse carregar a mobília.

Se estão como eu naquela idade em que todo as despesas de saúde em que irão incorrer têm a ver com tudo o que já fizeram no passado, então ponderem a possibilidade de transformarem em jogos as coisas mais chatas da vossa vida. Pessoalmente não gosto muito de exercícios. Correr no mesmo sitio é coisa para ratos na jaula e aulas de “Body Pump” é falsa arte marcial para quem gosta de se ver ao espelho.

Quem desenvolveu estas aplicações percebeu a necessidade que o ser humano tem de ser aceite socialmente. A aplicação que estou a usar permite-me registar as calorias consumidas pelo nome daquilo que como, insultando-me a cada registo por “estar a encher-me” ou “lá vai ele inchar”, e oferecendo-se para partilhar tudo na Internet. A aplicação partilha os meus registos com o novo Health da Apple onde depois posso ir consultar os gráficos com a evolução do meu esforço.