Medir Ruído

O ruído é algo que pode nos perturbar de forma significativa. Na sociedade moderna, o ruído está por todo o lado, e evitá-lo é difícil. Mas que possamos minimizá-lo, ser capaz de o medir é o primeiro passo que devemos poder dar.

No passado já havíamos referenciado uma app que permitia verificar os níveis de ruído a partir de telemóveis Android. Mas queria ir um pouco mais longe, e tentar perceber também em que frequências se verificavam determinados níveis de ruído.

A primeira app que descobri foi o RTA Analyzer. Como podem ver na imagem abaixo, mostra os níveis de ruído em função da frequência. Pareceu funcionar relativamente bem, mas como é costume para algumas funcionalidades mais avançadas, é preciso pagar…

RTA Analyzer

RTA Analyzer

Descobri igualmente o SpecScope. Apesar de parecer mais simples, como se pode ver na imagem abaixo, tem muitas mais configurações. Gostei particularmente da possibilidade de alterar a escala de linear para logarítmica.

SpecScope

SpecScope

A app mais avançada que encontrei fo o SpectralView Analyzer. Tem uma funcionalidade que salta imediatamente à vista que é visão dos últimos segundos (cerca de 16 segundos no meu caso), quer na perspectiva de frequência, quer da intensidade sonora. Como se pode ver na imagem abaixo, que evidencia os primeiros segundos de “Smoke on the Water”, dos Deep Purple, são bem visíveis os acordes da música…

SpectralView Analyzer

SpectralView Analyzer

Quando o som é mais perfeito, como num piano, o detalhe é impressionante! A imagem abaixo é da interpretação de Yiruma, River Flows in You. Até parece que se estão a ver as notas!

Yiruma - River flows in you

Yiruma – River flows in you

Fim de vida do software nos equipamentos lá de casa

Misfortune Cookie

Misfortune Cookie

Recentemente lá foi publicitada mais uma vulnerabilidade em equipamentos domésticos. Desta vez nos routers domésticos de várias marcas. Este equipamentos são vendidos ao público geral e muito pouco tempo depois de abrirem a caixa, já os equipamentos estão vulneráveis. Neste caso em concreto a vulnerabilidade acontece porque estes equipamentos carregam no seu software de gestão servidores web, versões reduzidas, mas que acabam por estar vulneráveis a todos os ataques que os servidores de produção também estão, só que com menos investimento em manutenção. A vulnerabilidade só é explorável onde o serviço ficar disponível, mas se não entendem o que isso significa e como o impedir então passa a ser um problema.

O software que vem pré-instalado nos equipamentos lá de casa deve ser atualizado para corrigir os erros e as fechar vulnerabilidades descobertas após a compra. O acesso físico e eletrónico aos equipamentos deve ser mantido de forma conservadora e reservada. Os impactos desta e de outras falhas semelhantes são exponenciados pelo número de equipamentos disponíveis com potencial de conterem o software com a falha, mas também pelo desconhecimento do público em geral para a forma de a evitarem.

Ninguém nos dá formação para a necessidade de manter boas práticas de gestão dos nossos equipamentos, entre elas as de segurança. A nossa falta de conhecimento do funcionamento dos nossos equipamentos pode deixá-los expostos para que sirvam fins não previstos e mesmo essas não nos garantirão que isso não irá acontecer. Esta “funcionalidade não pretendida” a que chamaram Misfortune Cookie não é muito diferente de outras. Estes defeitos são provocadas por erros no controlo de qualidade do software provocadas pela falta de verificação de parâmetros recebidos.

Tudo o que tem software tem o potencial de sofrer dos mesmos defeitos que há muito conhecemos, mas atualmente o número de equipamentos disponíveis é muito superior e o esforço de os manter atualizados também. A informação sobre esta e outras falhas de software está disponível para consulta muito antes de sentirmos necessidade de reagir como utilizadores.

Se visitarem o site dedicado ao Misfortune Cookie vão perceber que esta falha em concreto até tem infográficos, listas de equipamentos afetados e outro tipo de informação. Os equipamentos identificados como podendo estar afetados pela vulnerabilidade são comuns em muitas casas, mas muitos utilizadores não voltam a aceder aos ecrãs de configuração depois destes serem configurados para uso, deixando as passwords por defeito, também elas disponíveis na Internet e por lapso abrindo ao exterior funcionalidades que não pretendiam nunca utilizar.

Muitos routers tem hoje em dia um site para os administrar que corre num servidor Web dentro do próprio equipamento. Este defeito em concreto só expõem os utilizadores que não temeram abrir o acesso pela Internet ao site de administração do seu router. O impacto pode acontecer quando o dono do router decidir abrir estes serviços no lado WAN (Wide Acess Network) o que não é muito diferente de outras funcionalidades dos equipamentos que os utilizadores nem desconfiam que existem e por isso não sabem como controlar.

Este tipo de serviços, tipicamente fechado quando o equipamento é retirado da caixa, deveria ser mantido fechado pelo utilizador e sem possibilidade de outro acesso que não fosse através de um cabo ligado diretamente ao equipamento.

Copyright na União Europeia

O problema da Cópia Privada e direitos de autor é algo que já abordamos repetidamente. É uma medida colectivista, e como é habitual, vão ter que ser outros a porventura meter ordem nisto…

No outro dia tropecei numa apresentação muito interessante de Julia Reda do Partido Pirata Alemão, numa conferência de hackers, a 31c3. A apresentação, visível abaixo, é particularmente interessante, pois refere várias coisas que eu desconhecia, como o “Freedom of Panorama” e os direitos à paródia. Pelo meio (aos 15:50) até aparecem jogadores de futebol portugueses!

A melhor parte é saber-se que a Comissão Europeia fará uma proposta de reforma em cerca de 4 meses, que alegadamente trará as leis do direito de autor, copyright e outros similares, para o século XXI.

A consulta pública da Comissão está disponível neste link e Julia Reda até refere as diferentesa expectativas que deposita nos novos membros da Comissão, e sobretudo como vai participar activamente neste processo. Vale bem a pena ver com atenção:

Correlação Brent – Gasóleo

A análise que fizemos aos preços do crude e do gasóleo em Portugal dava a ideia que a correlação entre a evolução das duas variáveis ser bastante elevada.

Ocorreu-se-me todavia que havia que calcular matematicamente o coeficiente de correlação entre as duas séries de dados. Isso faz-se facilmente numa folha de cálculo através da função correl(). A aplicação da função de correlação aos dados do Brent em euros, e do preço médio do gasóleo em Portugal deu-me um valor de 0.9537. Este é um valor próximo de 1, o que evidencia uma grande correlação entre as duas séries.

Quis ir mais longe. Desloquei os valores das duas séries, comparando os valores de Brent de um dado dia com os valores do gasóleo em Portugal nos dias subsequentes. Essa comparação deslizante deu origem ao gráfico abaixo, onde se verifica que a maior correlação é observada ao sétimo e oitavo dias úteis subsequentes.

Corre

Correlação entre o preço do Brent (Euros) e preço do gasóleo em Portugal, em função dos dias decorridos

Para quem segue os preços do crude, em termos médios dos últimos cinco anos, o melhor é esperar cerca de 7/8 dias para ver esse preço reflectido. É claro que se o Brent subir, o melhor é pensar em abastecer antes desse período. Se o Brent estiver a baixar, já sabe que o melhor é atestar cerca de duas semanas depois…

O preço da gasolina do outro lado do Atlântico

Gas Prices Break Record with Longest Streak of Daily Declines, source aaa.com

Gas Prices Break Record with Longest Streak of Daily Declines, source aaa.com

Eu e A.Sousa não somos os únicos que registamos e analisamos o preço da gasolina. O A.Sousa lembrou-se de ir testar a relação entre o custo do Crude Oil e do gasóleo. Mas a preocupação do Washington Post vai para além da poupança direta de cada um. Onde habitualmente existia um declínio do consumo de combustível que arrastava com ele os preços do combustível antes do período festivo com uma recuperação derivado a esse mesmo período, o gráfico mostra um comportamento detetável só por análise visual é bastante diferente.

Não só o período de declínio não acompanha o movimento de anos anteriores, mas também é mais aprofundado. A preocupação do Washington Post é que isto não é justificável pois a economia americana não se encontra em receção.

É claro que se um mercado for deixado a funcionar sem subversão, então o aumento da produção, isto é, o aumento da oferta, irá fazer com que os preços dexam. O Business Insider têm um conjunto de gráficos de onde decidi destacar a variação na produção de petróleo de vários países produtores entre 2008 e 2013.

This is how much crude oil production changed between 2008 and 2013. The US is way out front, disrupting the global oil game. Read more: http://uk.businessinsider.com/us-energy-production-boom-charts-2014-12#ixzz3NmTtnVRi

This is how much crude oil production changed between 2008 and 2013. The US is way out front, disrupting the global oil game – Business Insider

127º índice: o da variação do preço do gasóleo e do Brent e da evolução da extração do petróleo em vários países

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana voltamos a falar de mercados que aparentam não ter distroção nacional analisando a variação do preço do gasóleo e do Brent. Fechamos a falar da evolução da extração do petróleo em vários países desde 2008.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes

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