115ª desgraça: a da discussão religiosa e da cópia de ficheiros para USB em Windows

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana o A.Sousa conta-nos o que aconteceu com um ficheiro grande que tentava copiar para um disco externo USB através do sistema operativo Windows.

Explicamos tudo o que pensávamos que sabíamos sobre a Lei de Murphy e de como não é uma lei, mas um conjunto de histórias de coisas se podiam correr mal, correram mesmo mal.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes

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Os truques das slot-machines

slot-machinesComo em muitas coisas na vida, as slot-machines podem arruinar por completo as nossas poupanças. Tal como o Euromilhões ou as raspadinhas. Não jogando, não se perde! Mas, como não somos fundamentalistas, e se gostam de dar uma voltinha pelo Casino de vez em quando, façam como eu: deixem a carteira em casa, e entrem só com uns euritos…

Quando entramos num casino (tal como quando entramos num supermercado), as coisas são feitas para gastarmos o nosso dinheiro. A arquitectura, o design, as luzes, tudo está lá para nos convidar a apostar…

Neste artigo da Vox, podemos apreender um pouco mais sobre a ciência das slot-machines. Hoje em dia, representam até 85% dos proveitos da indústria do jogo. Natasha Dow Schüll, autora do livro Addiction By Design: Machine Gambling in Las Vegas, passou 15 anos em Las Vegas a “investigar” porque é que as slot-machines são assim tão viciantes…

A razão principal para esta evolução está relacionada com a tecnologia. Aquelas velhas slot-machines eram limitadas, embora o som fosse bem característico. Na última década, com a informatização das slot-machines, os casinos passaram a controlar muito melhor as probabilidades, possibilitando a oferta de jackpots cada vez maiores.

O artigo tem muitas mais dicas interessantes sobre como o vício é fomentado. As cadeiras mais ergonómicas, o término das moedas, as apostas múltiplas, a variação das probabilidades ao longo do tempo, etc.

Por isso, não se deixem enganar! As probabilidades são sempre a favor da casa, e são poucos os sortudos (há excepções surpreendentes)… Se quiserem mesmo assim ir lá, deixem o dinheiro e os cartões em casa!

Qualidade da água da torneira

ERSAR agua seguraA ERSAR publicou na semana anterior o RASARP 2014, o Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal, com dados relativos ao ano de 2013.

O Relatório conclui que o país manteve em 2013 os elevados níveis de qualidade da água para consumo humano, com uma percentagem de 98% de água da torneira considerada segura. Esta percentagem tem vindo a melhorar de forma sistemática, nos últimos anos, o que é obviamente positivo.

O relatório fornece um conjunto substancial de dados. Optamos aqui por referenciar o mapa da página 83 do relatório, que nos dá a distribuição geográfica da percentagem de água segura por concelho em função da média de Portugal continental. Os concelhos a verde apresentam uma percentagem de água segura igual ou superior à média de Portugal continental, os concelhos a amarelo apresentam uma percentagem de água segura inferior à média do continente e superior a 95%, enquanto os concelhos a vermelho apresentam uma percentagem de água segura inferior a 95%.

Como é possível observar, é sobretudo no interior norte que se verifica a pior qualidade de água da torneira. O que não deixou de me surpreender! Ainda assim, estes estudos são muito importantes, até porque o objectivo será sempre o de nos aproximarmos o mais possível dos 100%!

Caixa para o Raspberry Pi feita de uma antiga caixa de cassete VHS

Caixa para o Raspberry Pi feita de uma antiga caixa de cassete VHS

Caixa para o Raspberry Pi feita de uma antiga caixa de cassete VHS

Fui visitar a Lisbon Mini Makers Faire onde encontrei excelentes ideias. A caixa para o Raspberry Pi que vêem na foto é feita de uma antiga caixa de cassete VHS. Alguns de vocês podem nunca ter visto uma caixa destas na vossa vida, mas em minha casa havia muitas e em casa da minha avó ainda há. A ideia de guardar lá dentro tudo o que o Raspberry Pi necessita pareceu-me muito interessante e bem mais barata que todas as caixas impressas em 3D que havia na feira.

As cassetes VHS eram o formato mais comum de gravação de vídeo e permitiram-me manter durante muito tempo aquilo que hoje temos por garantido nos nossos computadores ou na box do nosso operador de televisão por cabo: as gravações dos nossos filmes preferidos.

Cá em casa já não tenho nenhuma destas caixas de cassetes VHS, mas aposto que em casa da minha avó ainda vou encontrar muitas. Hoje é dia de pedincha à avó e o neto quer uma caixa vazia.

Desperdício no pára-arranca?

Local de desperdício

Local de desperdício

Ontem correu nos Media uma notícia que dava conta de cinco milhões de euros por dia queimados no trânsito. Obviamente, chamou-me logo a atenção, porque está muito relacionado com o tema da poupança, ou melhor, do desperdício, não só de combustível, como também de tempo, como evidenciamos neste artigo.

A afirmação que foi feita aparentemente não foi bem essa, e aqui é que começam as dúvidas! António Costa e Silva, diretor-geral da Partex, aparentemente terá referido que “Portugal podia gastar menos dois mil milhões de euros a comprar petróleo, todos os anos“, só por via do desperdício nas filas de trânsito.  A diferença entre o valor diário e anual não é pequena, até porque filas aos fins de semana não é coisa muito comum, e afinal são 2/7 dos dias do ano!

O problema torna-se ainda mais caricato quando se olha para os dados da DGEG. O ano passado, o Saldo Importador de produtos energéticos foi de 6.23 mil milhões de euros,  pelo que supostamente então o pára-arranca nas filas de trânsito já representa 32% do consumo total da fatura energética do País???

Mas, sabendo-se que os produtos energéticos não são apenas produtos petrolíferos, é preciso continuar a escavar para ver quanto é que realmente representa o pára-arranca. No documento da DGEG sobre a Fatura Energética Portuguesa, na página 6, confirmamos o valor de saldo de 6232 milhões de euros. O detalhe desses valores está na tabela da página 7, do mesmo documento. Se excluirmos a energia eléctrica, a hulha, carvão, biomassa e gás natural, temos então as seguintes contas:

  • Importação de Ramas e Refinados: 9492 M€
  • Exportação de Refinados: 4882 M€

Ou seja, não temos que comparar com 6232 milhões de euros, mas sim com (9492-4882)=4610 milhões de euros. De repente, o pára-arranca passa a representar 43% do Saldo Importador de ramas e refinados…

Mas, todos têm a ideia que o petróleo que se importa não vai todo para gasolina e gasóleo rodoviário. Olhando para o mesmo documento da DGEG, na página 13, percebe-se isso imediatamente!

Mas, escavando ainda um pouco mais, nas Estatísticas Rápidas da DGEG, relativas a Dezembro passado, percebe-se na página 5, relativa aos combustíveis rodoviários, que o consumo em todo o ano de 2013 terá sido o seguinte:

  • GPL Auto: 30 kt
  • Gasolina IO98: 78 kt
  • Gasolina IO95: 1015 kt
  • Gasóleo: 4088 kt

No mesmo documento, na página 10, temos a estrutura de preços, sem taxas, para três dos tipos de combustível (repliquei o custo do que falta – Gasolina IO98 – a partir da Gasolina IO95):

  • GPL Auto: 0.544 €/litro
  • Gasolina IO98: 0.696 €/litro
  • Gasolina IO95: 0.696 €/litro
  • Gasóleo: 0.759 €/litro

Note-se que estes preços sem taxas incluem já muitos custos depois do custo da matéria prima, o petróleo, nomeadamente os custos de refinação, transporte e margem comercial. Neste documento da ADC estima-se no ponto 132 que entre 2008 e 2011, a logística e o retalho representam 13 cêntimos por litro, quer na gasolina, quer no gasóleo. Não é crível que esse valor tenha baixado significativamente. Adicionalmente, há o valor incorporado pelas refinarias portuguesas, mas isso ainda é mais complicado calcular…

Utilizando as tabelas de densidades,

tenho assim que deixar de fora o GPL Auto, para o qual não arranjei valores.

Finalmente, temos um custo por combustível, para o total de 2013, dado pela fórmula

  • Σ (Consumo x 1000000 / densidade ) x ( PreçoSemTaxas – ValorLogísticaRetalho)

inferior a 3900 milhões de euros.

Nestas circunstâncias, os 2000 milhões de euros citados como custo do pára/arranca parecem-me claramente excessivos. Dizer que o pára/arranca permitira poupar mais de metade das importações de produtos petrolíferos associados aos combustíveis rodoviários, parece-me claramente excessivo… É que isto das previsões vs realidade tem muito que se diga!

Ainda assim, fica o desafio para os leitores: se notarem alguma falha no raciocínio acima, não deixem de o expressar nos comentários.

O que têm as pessoas interessantes em comum?

Um artigo da Time revelou um estudo sobre o que é que as pessoas interessantes têm em comum. Na verdade, são sete características comuns, que resumimos de seguida:

  • Não ser aborrecido:  Como sugere Scott Adams, criador do Dilbert, ser breve e positivo. E outra sugestão: se quando está a falar, ninguém lhe faz perguntas, o melhor é acabar a história ou perguntar algo a alguém.
  • Saber escutar: Há pessoas que falam pelos cotovelos. As pessoas adoram falar de si próprias, mas o ideal é mesmo deixar falar os outros.
  • Falar dos interesses das outras pessoas: Basta perguntar o que andam a fazer ou quais são os seus hobbies. Se souber algo sobre o tópico, o artigo refere que está 80% lá…
  • Ter 3 boas histórias: Ter 3 boas histórias preparadas para entreter, informar ou que crie um compromisso. É melhor que as histórias envolvam pessoas e não coisas.
  • Não esquecer o carisma: As palavras, como se diz, leva-as o vento. O que fica é o tomo e a linguagem corporal, dado que estudos referem que as palavras valem apenas 7%. Por isso, ria e sorria, gesticule e module a voz!
  • Atenção ao ambiente: A forma como as coisas se dispoem, quer seja em casa, quer no escritório, bem como as pessoas com quem se está, têm um impacto muito significativo. O mundo que nos rodeia determina muito do que somos…
  • Viva uma vida interessante: Se queremos saber coisas interessantes, primeiro temos que ler, ver e pensar sobre essas coisas. Estar com pessoas interessantes ajuda muito! O contrário é igualmente verdade…

O artigo da Time tem ainda excelentes apontadores. Vale a pena ler!

Dilbert

Dilbert e pessoas interessantes…