Mais duas vítimas dos cartões de fidelização

Se acompanham o Poupar Melhor sabem que detesto os cartões de fidelização que as equipas de marketing inventam. Todas as empresas, marcas, lojas, o cão, o periquito e o canário têm um cartão de fidelização do cliente.

As desculpas para registarmos os nossos dados pessoais nas inúmeras bases de dados destas equipas de marketing vão desde o desconto direto ao portador da praga, passando pelo desconto ao retardador com a acumulação de pontos e terminando naquele que é o pior de todos os descontos: a promoção cruzada.

Isto é uma praga que ataca as nossas carteiras e devemos lutar contra ela denunciando todas as suas vítimas. Hoje apresentamos mais duas vítimas deste flagelo virulento que são os cartões de fidelização. Façamos um minuto de silêncio por mais estas duas carteiras perdidas para a causa das equipas de marketing.

20140329-192427.jpg

20140329-192447.jpg

O valor dos gráficos

Origem: “The craft of Research” Booth, Colomb e Williams

Aqui no Poupar Melhor somos apreciadores de gráficos como forma de representar os dados. A imagem traduz uma análise de forma sintética e deve permitir pela visualização dos dados reduzir o esforço da interpretação.

O gráfico apresentado é retirado do livro “The Craft of Research”, literatura quase obrigatória para quem queira trabalhar em desenho de pesquisa. Os autores explicam sobre os vários tipos de gráficos e como devem ser utilizados.

Os gráficos devem facilitar a forma de pensar. Algumas pessoas conseguem visualizar os dados apenas pela leitura dos números, mas a realidade é que este instrumento apoia nessa visualização. A literatura aconselha a usar estas representações para quando os números efetivos são menos importantes do que a ideia global.

A escolha do modo de apresentação dos dados com um gráfico deve cumprir alguns preceitos de forma a com a imagem não deturpar os factos em favor de uma narrativa.

O que não pode acontecer é os gráficos serem apresentados a deturpar a análise possível dos dados. Isto acontece por várias razões e objetivos, mas tem mais casos com a moda de criar infográficos para tudo e para nada. Aqui o gráfico deixa de ter a função original para passar a ter uma função de apelo de estilo.

A @Shyznogud tem um olho clínico para estas coisas e disto deu nota sobre um conjunto de gráficos na edição de um jornal português. O caso não era único nessa edição. Isto é preocupante na medida em que alteramos o nosso raciocínio com base nas análises que fazemos dos dados. Devem estes dados ter direito a maior atenção de todos quando olhamos para os gráficos que nos são apresentados.

Como não podemos gerir o que não conhecemos, se olharmos para os dados através de um gráfico deturpador dos factos, dificilmente iremos tomar as decisões corretas.

Velocímetro vs. GPS vs. OBD-II

Uma das primeiras experiências que fiz logo que consegui o meu adaptador para OBD-II foi comparar as diferentes velocidades a que um carro circula. Já sabia que o velocímetro do carro mentia no bom sentido, mas não sabia se o carro sabia.

No vídeo abaixo, é possível visualizar a diferença de velocidades entre o velocímetro, o GPS e o computador de bordo, com estas duas últimas dadas pela app Torque. Note-se como a velocidade do velocímetro é constantemente superior à real. Na verdade, a velocidade dada pelo velocímetro, neste caso, é cerca de 4% superior à dada pelo GPS, medida desde os 80 Km/h até aos 140 Km/h. A velocidade dada pelo computador de bordo, através do interface OBD-II, é normalmente um pouco inferior à do sistema GPS, sendo a velocidade real até 6% superior.

A razão para esta diferença é bem conhecida. Os fabricantes são obrigados a introduzir, de propósito, um erro na velocidade indicada pelo velocímetro. O objectivo é que nunca seja apanhado em excesso de velocidade, por causa do velocímetro. Ou seja, ele nunca servirá de desculpa perante as autoridades…

A velocidade indicada pelo velocímetro deverá ser sempre superior à velocidade real, até um máximo de 10% a 4 Km/h. Tal quer dizer que se circular a uma velocidade verdadeira de 100Km/h, o seu velocímetro indicará entre 100 Km/h e 114 Km/h. Como podem ver, o meu está bem dentro desse limite…

94ª massagem: a de massajar dados com bonecos e de ver a velocidade real com OBD-II

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana comentámos algo que suscitou o comentário de alguns internautas e que se traduz no massajar dos números, mas com bonecos.

Terminámos a falar de mais um resultado do brinquedo novo do A.Sousa e que lhe permite identificar a diferença que ele já conhecia entre o velocimetro e o GPS.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes

Play

Vídeos do Torque + Track Recorder

Na semana passada referenciava como ainda não havia conseguido retirar os vídeos feitos no meu telemóvel com o Torque e o Track Recorder. Entretanto, resolvi o problema, que fica relatado nesta página, em inglês, para que muitos outros que se queixam, possam ultrapassar o problema.

O vídeo visível abaixo foi registado na A8, no regresso a Lisboa, pouco antes da estação de serviço próxima de Montachique. O vídeo evidencia o comportamento de alguns dos parâmetros do automóvel durante a descida, neste caso com o motor engatado.

Como havíamos descrito no artigo do engatado vs. ponto morto, o consumo numa descida com o motor engatado é nulo. Mas vai-se perdendo gradualmente velocidade, sendo que volto a acelerar quando a velocidade desce dos 100 Km/h…

Esta é uma primeira experiência, mas mais se seguirão. Para testar várias teorias… Procurarei melhorar também a qualidade do vídeo…

Porque não temos mais filhos

O Henrique Raposo, que escreve no Expresso, diz que “Não temos filhos porque começamos a trabalhar a meio da manhã”. Diz o autor que:

Nós começamos a trabalhar às 9 e tal, 10 horas, almoçamos entre as 13 e as 14.30 e, claro, saímos estupidamente tarde, cansados e sem tempo para crianças.

O texto tem fábulas com que me identifico, mas é pena não serem explicativas da natalidade, como o autor tenta fazer crer. Avaliando o problema e olhando para os horários e horas disponíveis no dia levou-me a duvidar que as fábulas fossem representativas do que realmente poderia estar a acontecer.

Em relação a trabalhar para além das 8 horas diárias, cheguei a fazer o papel do Herr Alemão. Dizia a quem ficava até mais tarde que não podia sêr porque isso afetaria a sua prestação no dia seguinte.

A natalidade é um problema no nosso pais, não porque tenhamos habitantes a menos, mas porque temos menos habitantes ativos do que pensionistas a usufruírem das prestações sociais que a população ativa entrega aos governos para redistribuir. Isto já era previsível desde os meus tempos de escola. A pirâmide demográfica aparece invertida, o que significa que o topo, onde está descrita a quantidade de população mais idosa, é maior que a base, onde está descrita a população mais jovem.

Façamos de conta que a premissa está correta e que “não tenho filhos porque não iremos ter disponibilidade para eles”. Porque será que começar tarde e acabar tarde pode ter impacto na disponibilidade para as crianças? Afinal bastaria estar a família toda sincronizada. Não há uma hora ótima e outra má desde que estejam todos juntos um período do dia, durmam 8 horas e se divirtam todos juntos.

Então o que poderá estar na origem da tendência de baixa da natalidade. Talvez se espreitássemos os dados do European Social Survey pudéssemos encontrar uma variável explicativa mais ligada à realidade do que “Ah é porque começou tarde e saiu tarde.”. Poderíamos estudar outros suspeitos:

  • Tempo fora de casa (deslocação+duração do trabalho);
  • Rendimento disponível nas famílias sem filhos; ou
  • Rede de suporte durante o período de ausência dos pais.

A questão do tempo disponível é importante, mas o que reduz esse tempo não é chegar tarde. Poderá talvez ser a duração das deslocações diárias pendulares. A falta de rendimento disponível interfere com esta e a seguinte. Se tem menos rendimentos, as opções são menores e provavelmente inferiores na capacidade de dar tempo ao tempo.

A rede de suporte para o período de ausências dos pais acaba por consumir os recursos disponíveis do casal. A oferta é cara e muitas vezes de qualidade duvidosa face aos racios de educador por crianças.