91ª subida: o da subida do consumo de eletricidade e do falhanço na sincronização dos XBMC

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana tivemos mais um grande momento radiofónico no Podcast comigo e com o A.Sousa a apercebermo-nos que estávamos a falar de um gráfico que só nós os dois é que estávamos a ver. O gráfico diz respeito a mais um choque entre as previsões e a realidade, mas este vai sair-nos do bolso a todos… só mais esta vez.

Terminámos a falar numa experiência minha que está a falhar e que é tentar fazer com que os XBMC lá de casa integrem todos uns com os outros para me poupar trabalho.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes

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Fora do sistema

Robin Speronis

Robin Speronis

Uma notícia que vi no mês passado marcou-me bastante, sobretudo pondo-me a pensar o que poderia acontecer em Portugal neste caso. Robin Speronis é uma habitante da Flórida que resolveu desligar-se dos serviços de água e electricidade da sua terra, Cape Coral.

O problema foi o que veio a seguir, e que parece uma história vinda de um país tipo Coreia do Norte! Este artigo conta de forma resumida a sua vida recente. Há cerca de dois anos que Robin vive sem utilizar os serviços de água e electricidade. Segundo ela, prefere não depender do sistema. Mas esse sistema não acha isso.

No final do ano passado, Speronis foi entrevistada por uma televisão. Os funcionários dos serviços não acharam piada à notícia, mas sobretudo ao facto de ela se recusar a pagar serviços que não utilizava. No dia a seguir, a cidade determinou que Robin não podia viver numa casa “inabitável”, sem que tivessem sequer conhecimento da forma como vivia!

A verdade é que Robin possui paineis fotovoltaicos que lhe fornecem a luz eléctrica lá de casa, com recurso a um armazenamento em baterias. E aproveita a água das chuvas. Vive assim de uma forma muito sustentável, na óptica ambientalista!

Pouco depois, um placard determinou que a propriedade era inabitável, e que não se podia ali entrar! Subsequentemente, foi processada por uma lista de ofensas, por não pagar uma série de taxas relativas a serviços que ela não pretendia ou sequer utilizava. O que a cidade não sabia era que Robin estava determinada, e foi para tribunal combater a cidade.

No final de Fevereiro, um magistrado entendeu que a maioria das acusações não tinham fundamento. Só encontrou um problema com a utilização da água das chuvas. Mas a cidade voltou à carga, e como ela tem água da chuva, e utiliza o saneamento, mas não paga, cortou-lhe o acesso ao saneamento!

Robin deu assim mais um passo, ao desligar-se completamente do sistema. Imaginem agora que Robin não está nem na Coreia do Norte, nem nos Estados Unidos. E, se estivesse em Portugal? A criatividade dos leitores consegue imaginar o que lhe aconteceria?

Hack do Chinês para pendurar headphones

Argola de cortinado de banheira

Argola de cortinado de banheira

O problema com as crianças é que temos de lhes dar instruções muito especificas ou as coisas andam todas espalhadas pela casa. As coisas penduradas junto aos pés da cama estão agora sempre disponíveis. As peças são compradas no chinês mais próximo e é só pendurar.

Argola de cortinado de banheira

Argola de cortinado de banheira

Energia Solar

Inauguração parque Porto Santo

Inauguração parque Porto Santo

À medida que se vai percebendo melhor o negócio da electricidade, percebe-se que estamos como o filósofo grego, e que só sabemos que nada sabemos. Vai-se topando uma coisa aqui, relacionando com uma coisa acolá, e assim vamos sabendo algo mais…

A semana passada, vi este artigo do Câmara Corporativa. Um artigo curioso, que mereceu a leitura da fonte da notícia, no Público. Uma notícia sobre as tricas da política e dos negócios, mas que tem uma vertente pedagógica interessante, explicando os valores da operação…

O parque fotovoltaico de Porto Santo está previsto ter um tempo de vida útil de 25 anos. O investimento privado foi de 11 milhões de euros. O PS diz que o retorno do investimento será feito em 5 anos… No Caniçal, o investimento foi de 20 milhões de euros. Mas, para este há mais informação: a produção significa uma facturação de 4 milhões de euros por ano. Mais uma vez, um retorno do investimento em 5 anos… No Caniçal, a produção anual de energia eléctrica está estimada em 11.000 MWh. Tal significa um valor aproximado de 4M€/11000 = 363 €/MWh, ou seja 0.363 €/kWh.

Se compararmos este valor com o valor que pagamos pela electricidade em casa, ficará surpreendido! O valor pago ao produtor é mais do dobro daquilo que o consumidor paga (0.1528 €/kWh na tarifa simples)! Leia outra vez a frase anterior para ver se interiorizou o conceito… Até eu pensava que estava errado, pelo que passei estes dias a procurar confirmar o valor acima. Surpreendentemente, descobri que o valor está mesmo correcto, conforme se pode ver neste documento recente da ERSE, na página 81, onde se dá um preço de 339.70 €/MWh.

Acontece que, nesta pesquisa descobri que há parques solares a nascer por todo o lado. Só nos últimos meses dei conta destes:

Não admira… A energia solar é de borla, mas com um retorno de investimento em 5 anos, qualquer investimento neste domínio parece uma mina de ouro! E, nós os consumidores de electricidade que paguemos!

Quem representa os consumidores na questão dos contadores inteligentes?

Visão geral do projecto-piloto Inovgrid Fonte: EDP Distribuição

Visão geral do projecto-piloto Inovgrid Fonte: EDP Distribuição

Quando perguntei se contadores inteligentes de eletricidade passariam a ser o espião da companhia em nossa casa, aproveitei o relatório da ERSE de 2012 sobre a implementação de contadores inteligentes para tecer alguns comentários.

A questão que não coloquei foi sobre quem defendeu o ponto de vista do consumidor no relatório. O relatório da ERSE refere que houve uma/alguma reunião com associações e que compareceram a DECO e a UGC:

Em Portugal as associações que representaram os consumidores no relatório da ERSE não parecem alertadas para o tema da liberdade, da segurança ou do equilíbrio entre um cliente e o fornecedor. O relatório da ERSE refere que houve comentários, mas não refere quaisquer preocupações das associações de consumidores com:

  • a perda de liberdade do consumidor e/ou com a alteração de balanço de poder entre estes e as empresas que prestam os serviços;
  • a segurança dos dados do cliente; ou
  • a inspeção dos dados acessíveis ao fornecedor por este poder aceder remotamente o contador inteligente.

Os projetos piloto disponíveis no relatório apontam ambos para o acesso aos dados diretamente pelo operador por uma porta de acesso da rede externa, o que levanta ainda mais questões. Esta porta na rede externa ficará disponível fora dos controlos de segurança típicos da rede doméstica e a informação ficaria disponível ao prestador de serviços, referidos como Operador de Rede de Distribuição (ORD) no relatório, sem qualquer controlo ou possibilidade de inspeção pelo cliente acerca do que é entregue.

A primeira vantagem no uso dos contadores inteligentes referida pelos ORD segundo este relatório é o “contributo para um aumento da eficiência energética, por mudança de comportamento dos consumidores, incluindo a transferência de consumos das horas de ponta/cheia para vazio e redução de consumos.”. Esta preocupação dos ORD não tem qualquer suporte na realidade atual do mercado energético. A atual da oferta de mercado apresenta hoje uma vantagem reduzida ao consumidor no uso de tarifas bi-horárias e os ORD do mercado liberalizado relegaram para segundo plano a oferta deste serviço em bi ou tri horário.

A segunda vantagem referida no relatório é a “Criação de uma plataforma para novos serviços e produtos”. Bem… Eu queria mesmo era eletricidade. Isto da “plataforma para novos serviços e produtos” parece-me novilingua para “comprem-me coisas que anteriormente teriam direito, mas que eu decidi produtizar” (mais novinlingua).

Estes “novos serviços e produtos” criam um problema no mercado da eletricidade onde ele não existia. Já conhecemos o tipo de problema a que me estou a referir porque já o temos na Internet na questão da neutralidade da rede na prestação de serviços. A questão levanta-se quando um prestador passa a ter a capacidade de privilegiar o transporte de um serviço em detrimento do outro. Seja com que racional for, e sobre que capa for, a diferenciação por serviço com isso deteriora um tipo de serviço e privilegia outro.

O problema da neutralidade existe quando o operador do meio de transporte tem interesse num dos serviços prestados sobre esse meio.

Se tivermos um serviço A do operador 1 e o serviço B de um prestador de serviços sem meio de transporte, ambos em concorrência no mesmo meio de transporte do operador 1, ambos os serviços em cima do mesmo meio e sem separação, quem nos garante que o operador 1 não altera o comportamento do meio de transporte em beneficio do serviço que ele próprio vende?

A terceira vantagem referida no relatório da ERSE para os ORD é a “Possibilidade de o ORD efectuar operações remotamente, por exemplo, parametrização, corte ou religação”. Os consumidores do Reino Unido já conhecem esta vantagem que o operador passou a ter sobre eles.

Pessoalmente, prefiro quando há vantagens para os intervenientes todos de um negócio. Prefiro em concreto quando no negócio o consumidor não é a mercadoria.

Como fazer experiências de eletrónica com uma breadboard

Já tinha ouvido falar muito de breadboard por causa do Raspberry Pi, mas sabia que não era uma tábua de cortar o pão. Claro que podia ter lido como se utilizava e para que serviam, mas este filme entertem muito mais e ainda se aprende.