Medir como deve ser

Estamos sempre a apreender! Gosto muito de réguas, fitas métricas, e outros utensílios que permitem medir coisas. Mas não estava preparado para o artigo sobre medições no instructables

Como dividia uma tábua com uma largura estranha (eg. 47 mm) a meio? Fácil: socorro-me da agilidade de cálculo mental, e marco com uma régua 23.5 mm para cada lado. Agora, graças a este artigo, posso utilizar uma técnica diferente:

Como dividir a meio

Como dividir a meio

E se quiser dividir em sete partes idênticas? Fácil:

Como dividir em sete partes

Como dividir em sete partes

O artigo tem mais algumas dicas interessantes, sobre como medir círculos, como utilizar correctamente um lápis, e mais algumas sugestões muito interessantes!

Cálculo da variação do PIB

Se lhe dissessem que algo baixou 0.4% no primeiro trimestre, subiu 1.1% no segundo trimestre, subiu 0.2% no terceiro trimestre, e que tivesse estagnado no quarto trimestre, acreditaria que essa variável teria baixado no ano, no total, cerca de 1.5%?

Eu não queria acreditar que a evolução do Produto Interno Bruto seria essa para este ano de 2013. Por isso, fui investigar. Num documento do INE, que explica como se calcula o PIB, fiquei a saber coisas que não sabia. Como a de que a “prostituição e a produção e o comércio de drogas” são abrangidas no cálculo do PIB… Fiquei também a saber que havia várias formas de calcular o PIB!

Uma primeira forma de calcular a evolução do PIB diz respeito à evolução entre trimestres. Designa-se pelo cálculo em cadeia, e mede o rácio entre o PIB do trimestre a que respeita e do trimestre imediatamente anterior.

Mas como num trimestre nem sempre todos os dados estão disponíveis, nomeadamente aquando do cálculo das Estimativas Rápidas, faz mais sentido utilizar a variação homóloga anual. Tal representa a diferença entre o valor do PIB num trimestre, e o valor quatro trimestres antes.

Mas, quando se considera a variação anual do PIB, as contas são ainda mais complexas! A variação do PIB de 2013, por exemplo, considerará o valor do PIB de 2013, em relação ao valor do PIB de 2012. Assim, são consideradas nestas contas um total de oito trimestres!

Como se pode ver na imagem seguinte, a evolução das diferentes formas de calcular o PIB são distintas:

Diferentes formas de calcular a variação da evolução do PIB

Diferentes formas de calcular a variação da evolução do PIB

Em particular, a evolução do valor anual (a vermelho) resulta essencialmente do deslizar da variação homóloga anual. Os quadrados a vermelho representam o valor médio da evolução de cada ano que aí termina, e será esse que em 2013 será próximo de -1.5%, segundo o Banco de Portugal, no seu Boletim Económico de Inverno. O mesmo boletim confirma que a taxa de variação homóloga do PIB será positiva no final deste ano.

Eu, pessoalmente, passarei a guiar-me pela taxa de variação homóloga, dado que a variação anual responde muito tarde à evolução da Economia. Tal é evidente nos últimos anos, em que existiram anos de sinais claramente contraditórios, como se pode constatar nos seguintes exemplos:

  • 2008: a variação do PIB foi de 0%, mas já no final desse ano era evidente a queda
  • 2009: o PIB caiu 2.9%, mas a Economia mostrava sinais de retoma
  • 2010: o PIB cresceu 1.9%, mas a Economia já estava a afundar de forma brutal

79ª fórmula: a do cálculo do PIB e da limpeza dos bicos do fogão

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana o A.Sousa limpou os bicos do fogão e contou-nos a experiência.

Fechamos a explicar 3 das formas de apresentar o PIB e como estas formas, consoante a escolhida, permite apoiar ou denegrir os resultados de uma governação, consoante o objetivo.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes

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Medição de batimentos cardíacos mais fácil

Instant Heart Rate

Instant Heart Rate

Medir os batimentos cardíacos, ou as pulsações, é algo que requer um mínimo de jeito. Todavia, fazê-lo manualmente exige apertar um vaso sanguíneo, e contar. Normalmente, contava os batimentos de 10 segundos e multiplicava por 6.

Entretanto, de vez em quando registo a tensão e também as pulsações com um aparelho, e registo numa folha de cálculo. Essa evolução já a referi neste artigo.

Por estes dias, descobri mais uma app muito interessante. Num telemóvel Android, ela activa o led do flash, e consegue por esse meio contabilizar os batimentos cardíacos! A app, de seu nome Instant Heart Rate, parece medir as minhas pulsações de forma correcta. Por isso, é mais uma aplicação interessante dos telemóveis

Contribuições Especiais

Há impostos e impostos. De vez em quando temos conhecimentos de alguns muito estranhos! Quando a EXPO e a Ponte Vasco da Gama foram construídas, foi inventado o Decreto-Lei 54/95 que depois teve seguimento com o Decreto-Lei 43/98 que taxa todos aqueles que constroem à volta da CRIL, CREL, CRIP e CREP. A lógica parece ser a de que a construção destas obras públicas valorizou os terrenos de construção. Quem paga o imposto, que pode chegar a 30% da mais valia, é quem constrói, e não necessariamente quem da mais-valia lucrou… E quem compra, arrisca-se a pagar mais-valias várias vezes…

Viaduto Pinheiro de Loures

Viaduto Pinheiro de Loures

Para terem uma ideia da estupidez do imposto, vejam a imagem imediatamente ao lado. É o viaduto da CREL por cima de Pinheiro de Loures. É um viaduto imponente, e um local onde eu não gostaria de ter uma casa. Não fosse algum carro não ter paraquedas, ou alguém aterrar em cima. Mas o fisco iria cobrar-lhe uma mais-valia, mesmo que o acesso mais próximo da CREL fica a largas quilómetros de distância!

Mais a Norte, algumas freguesias conseguiram uma isenção, em situações onde realmente não parece ter existido valorização nenhuma. Felizmente, esta sequência de diplomas legais parece não ter tido seguimento… Como com as SCUTs, ou todas essas novas autoestradas que há para aí! Mas, não sei não…

Consumo de energia e emprego

Energy consumed and number employed by Eugene Chudnovsky

Energy consumed and number employed by Eugene Chudnovsky

O A.Sousa enviou-me este artigo por causa da possível correlação entre o consumo de energia e o emprego. A ideia em si é interessante, embora fosse necessário mais uma investigação para perceber quem vinha primeiro: se o consumo de energia, se o emprego. O artigo é de um professor de física da Universidade de New York. A correlação indicada existirá, mas o racional é o do ovo e da galinha: cresce primeiro o investimento ou o custo da energia?

Fomos ver como se comportava o consumo de energia em Portugal através de uma análise rápida com os dados do Portada e o que saltava logo à vista era o comportamento deste consumo com a natalidade.

Consumo de energia e natalidade

Consumo de energia e natalidade

Poderá conjeturar-se que a natalidade ou o investimento poderão ter uma relação? Projetámos um gráfico com os dados da taxa de natalidade e do consumo da energia. Convenhamos que o frio que está afeta muito mais a natalidade que a televisão, ou por outro, a relação será inversa: mais frio e televisão será igual a menor natalidade. O investimento tem um comportamento que acompanha com alguma proximidade o mesmo movimento do consumo de energia e da natalidade, mas com uma tendência diferente no inicio do século XXI.

Energia, Natalidade e investimento

Energia, Natalidade e investimento

Portugal estava em crescimento no final do século XX, mas o gráfico mostra que entra no ano 2000 numa fase clara de redução do investimento enquanto o consumo de energia subia e a natalidade já demonstrava um fraco crescimento. Com conhecimentos de estatística mais aprofundados poderíamos confirmar se esta tendência expressa pelo gráfico poderia vir de uma relação direta entre o investimento e o consumo de energia.

Se tentarmos comparar estes dados com o custo de energia… e digo “tentarmos” por ser tarefa difícil a partir de algumas origens de dados… Então vamos ter um gráfico que torna ainda mais difícil a compreensão do funcionamento de certas decisões do ponto de vista da criação de investimento. Os dados são a tentativa possível de cruzamento dos dados do Pordata e da ERSE.

Energia, Natalidade, Investimento e custo de energia

Energia, Natalidade, Investimento e custo de energia

O gráfico, a partir dos dados possíveis, parece apontar para um custo da energia que se movimente no sentido oposto dos acontecimentos. Isto parece ilustrar como há coisas que não seguem lei nenhuma, muito menos a do mercado.