75ª cobrança: a dos vicios dos ingleses e das dívidas dos condóminos

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana falamos de onde os ingleses se perdem com os vícios e de como é possível cobrar dívidas por pagar no condomínio.

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Mais mapas do Estado: podemos ver, mas não podemos mexer

O A.Sousa encontrou uma noticia sobre despesas do governo que entendeu ter uns valores que não batiam certo. Fez uma pesquisa e foi encontrar os mapas da Direção Geral do Orçamento (DGO). Ora os mapas em questão já sofrem do mesmo mal dos do Orçamento de Estado: São todos PDF  e não temos acesso aos ficheiros que lhes deram origem em formatos editáveis para gerarmos quadros comparativos ou outros. Todas as análises que queiramos fazer dependem da nossa capacidade de memória ou tempo para copiar célula a célula os dados nas 808 páginas dos relatórios de despesa:
Para 2012, vê-me só este calhamaço que utilizei, que é apenas metade das despesas:
http://www.dgo.pt/politicaorcamental/ContaGeraldoEstado/2012/CGE_2012_vol2tomo04.pdf
Junto da DGO tentámos saber como encontrar os dados que foram usados para gerar os PDF e obtê-los em formato editável. A resposta é a que já sabemos. Todos os documentos estão no site em formato PDF e não são publicados em formatos que permitam rapidamente o tratamento dos dados. Podemos ver, mas não podemos analisar com software.
Uma visita rápida ao site permitiu identificar um Data warehouse ou Business Intelegence do Orçamento (BIORC). Estamos a falar de uma ferramenta de análise de dados online como aquelas disponibilizadas no site da Pordata ou no site do Banco de Portugal.

O acesso ao BIORC para consulta de informação não está disponível ao cidadão, embora exista a intenção de o fazerem como se pode ler nesta página.

Mais uma vez, não se pede que aumentem a despesa, mas que se aproveite o esforço que os n trabalhadores dos n gabinetes ministeriais já fizeram e aumentem com isso o valor percecionado da nossa democracia.

Contar distâncias numa autoestrada?

Num artigo anterior, abordavamos a ideia da distância de travagem, e de como é útil termos a perceção qual é essa distância, nomeadamente em autoestrada. Se tivermos um GPS, esse cálculo é fácil, mas o mesmo não se verifica quando não temos tecnologia à disposição.

Acontece que medir o que são 100 metros numa autoestrada não é particularmente fácil, apesar de algumas, pelo menos, terem marcas de hectómetro em hectómetro. Todavia, como elas não são facilmente visíveis, nomeadamente para o condutor, haverá que recorrer a outros métodos…

O que mais utilizo traduz o tempo em distância. A 120 Km/h, percorremos 2 Km por cada minuto. Encontrando o menor denominador comum, 1 Km demora 30 segundos a percorrer, pelo que se percorre 100 metros em 3 segundos. Ou seja, cada segundo representa um pouco mais que 33 metros! Se tiver jeito para contar o tempo mentalmente, o cálculo é relativamente linear.

Outra forma de calcular é contar as marcas das linhas descontínuas durante um certo período de tempo. Em função da contagem de tempo, é possível verificar a quanto corresponde cada traço. A variação da dimensão dos traços é todavia um problema claro nesta estratégia, pelo que recorro mais frequentemente à anterior.

Participar das decisões do orçamento

The peoples budget

The peoples budget

A ideia de gerir o orçamento comum com base numa participação ativa dos cidadãos pode ser uma solução para não voltarmos a estar na mesma situação em que Portugal se encontra hoje. Com a participação as perguntas vão ter de ser feitas e os dados vão ter de ser questionados. A resistência ao conjunto de opções deste orçamento de estado poderá vir talvez da continuada falta de participação dos cidadãos face ao que lhes é pedido. Os cidadãos são afastados continuamente da política pelas mais variadas razões:

  • Responsabilidade difusa;
  • Resultados sempre iguais;

A realidade é que os cidadãos portugueses se fartaram de ir às urnas.

Abstenção nas eleições portuguesas

Abstenção nas eleições portuguesas

As pessoas acabam sempre a queixar-se que pagam demais, ou que os políticos são todos uns mentirosos, ou que a conta é demasiado alta, mas também nunca lhes perguntaram como querem gastar o dinheiro.Perguntam-lhes: “Querem isto que é muito bom?”. Aqueles que questionarem a oferta aparentemente gratuita são ofensivamente apelidados de “complicados” ou “desmancha prazeres”.

Quando chegam, os dados da despesa respondem sobre onde nos comprometemos gastar o pouco dinheiro que temos. Na prática só nos apresentam o resultado depois do acontecimento. Com o compromisso já feito, pedem-nos que tomemos decisões sobre cumprir ou incumprir. A realidade é que se a previsão e compromisso deviam ser conhecidos em conjunto, já vimos como as previsões e a  realidade nem sempre batem certo.

O orçamento participativo é em parte uma forma de reduzir a distância entre a tomada de decisão e a realidade do seu impacto, mas também porque permite através da mobilização dos cidadãos, reduzir a resistência a algumas das medidas mais difíceis. O conjunto das decisões dependem do que for acordado pelos cidadãos de forma ordenada pelos eleitos.

Quando se fala de orçamento participativo é comum falar-se da experiência de Porto Alegre no Brasil:

In Brazil’s Porto Alegre (population: 1.5 million) they have been doing it since 1990. Then, the city was almost broke. Schools were short of chalk, clinics low on aspirin. Local bureaucrats, by contrast, were due a hefty pay rise.

A ideia foi permitir que as decisões mais importantes fossem tomadas pela comunidade.

Quanto gastaram os Primeiros Ministros em combustível?

Na semana passada, ao ler um artigo sobre os custos mensais de combustível do Primeiro Ministro, fiquei logo com uma pulga atrás da orelha. Depois do artigo em que o Primeiro Ministro se queixava da poupança dos Portugueses com carros, estava naturalmente interessado em perceber se ele havia poupado uma quota parte…

A leitura do artigo, infelizmente, não contribuiu para eu ficar esclarecido. Aliás fiquei pior, pois regista erros factuais (85.384 não são “os tais” 85.834) e conclusões/afirmações altamente subjectivas, como “concluiu-se que Passos teve ‘mais olhos do que barriga’” e referências a falha de estimativas, que mais me pareciam poupanças efectivas. E ao fixar-me em alguns dos comentários, percebi que o jornalista Carlos Abreu poderia ter feito uma notícia certa:

  • Por favor, seja mais rigoroso na investigacao journalistica. Qual o valor gasto nos ultimos 5 anos (por ano)? O custo esta aumentar ou diminuir? Qual a media por carro nos ultimos 5 anos? Lubrificantes inclui a revisao anual na oficina? Qual a comparacao com outros paises na UE? Estamos acima da media nos custos?
  •  ESTE SR JORNALISTA FARIA UMA COMPARAÇÃO DOS GASTOS COM OS DO GOVERNO ANTERIOR. DEPOIS QUEIXAM-SE QUE OS JORNAIS NÃO SE VENDEM …..
  • Além do mais, esta “noticia” só faria sentido se comparada com valores gastos por anteriores gabinetes ministeriais. Seria importante esta análise comparativa!!
  • Nisto tudo, sem um investigação mais profunda para além do simples “fait-divers”, não se vai conseguir dar as repostas que realmente interessam

Decidi-me a descobrir aquilo que o jornalista devia ter feito. A Conta Geral do Estado está no site da DGO. Estão lá todas as contas passadas. É lamentável que os dados não possam ser directamente utilizados, mas depois de alguma pesquisa, lá consegui descobrir os valores orçamentados e gastos pelo Gabinete do Primeiro Ministro (2003-2007) e pela Presidência do Conselho de Ministros (2008-2012). O resultado é o gráfico abaixo, que inclui igualmente as previsões orçamentadas para 2013 e 2014, retiradas deste artigo.

Valor do combustível consumido pela PCM

Valor do combustível consumido pela PCM

Mas pensando melhor, o gráfico acima é enganador, pois o preço dos combustíveis tem subido nos últimos anos. Utilizando o preço médio de gasolina dos últimos anos, no site da Pordata, normalizam-se os gastos em termos de litros. O gráfico resultante é o seguinte:

Volume do combustível consumido pela PCM

Volume do combustível consumido pela PCM

A pergunta que deveria ser feita é porque é que depois da poupança significativa em 2011 e 2012, se volta a subir o orçamento em combustíveis em 2013 e sobretudo 2014?

Gasolina sem chumbo 95 em valores mais baixo desde 2012

Gasolina sem chumbo 95

Gasolina sem chumbo 95

A gasolina sem chumbo 95 estava esta semana ao valor mais baixo desde que comecei a controlar os custos da Yamaha Xmax. Isto pode querer
dizer muita coisa. Tradicionalmente o preço dos combustíveis sobe em Portugal independentemente da conjuntura económica interna e mais relacionado
com a evolução da procura mundial ou alteração dos conflitos nas áreas de mineração petrolífera.

Será que a análise dos quadros macroeconómicos do governo cruzados com os mapas do orçamento do gabinete do primeiro ministro poderão ser
indicativos que os valores dos combustíveis irão voltar aos preços anteriores a 2012? A influência dos valores do petróleo é histórica na nossa economia e as empresas e famílias poderão não se aguentar a mais esta adversidade.

Resta-nos esperar que a previsão de retoma para 2014 do governo seja verdadeiramente milagrosa e se traduza num real aumento do volume de negócios. Esperemos que o cenário traçado propicie uma fase de crescimento ao nosso pais que nos devolva aos superavit de Marques de Pombal e Oliveira Salazar, mas sem que para isso percamos as liberdades ganhas pelas gerações anteriores à minha.

Esperemos que a previsão da subida do custos do combustível patente na previsão macro-económica da proposta de Orçamento de Estado para 2014 não venha a ser uma realidade resultante da manipulação dos preços do petróleo.

Apesar do preço do petróleo Brent ter diminuído para cerca de 108 USD/bbl (82 €/bbl) nos nove primeiros meses de 2013 (quebra de 3,3% e de 5,9% em termos homólogos, respetivamente), mais recentemente, este tem apresentado uma evolução ascendente, refletindo o aumento das tensões na região do Médio Oriente e a redução da oferta proveniente de alguns países da OPEP (Líbia, Nigéria e Iraque) não totalmente compensada pelo acréscimo da produção da Arábia Saudita e dos países não membros da OPEP. (Relatório Orçamento Estado 2014, p.16)

Evolução do preço do Brent (Relatório Orçamento de Estado 2014, p. 16)

Evolução do preço do Brent
(Relatório Orçamento de Estado 2014, p. 16)