Electricidade mais cara da Europa

Numa semana em que a ERSE divulgou a subida no preço da electricidade para 2014, foi igualmente divulgado um estudo comparativo dos preços da electricidade e do gás na Europa. O estudo foi elaborado pela VaasaETT, uma consultora finalandesa, e está disponível para download neste link. É preciso todavia dizer que este estudo, como outros que já analisamos, empregam valores duvidosos, como o exemplo da página 11 do PDF, onde se diz que o preço do kWh em Portugal é de 0.2158 €, o que sabemos ser errado.

O gráfico mais deprimente do estudo é certamente o da página 26 do PDF, visível abaixo. Aqui constatamos que somos o País da Europa que mais paga pela electricidade, considerando a paridade do poder de compra. E estamos à frente, com uma grande margem:

Electricidade PPS

Custo da electricidade, considerando a paridade do poder de compra

Somos igualmente o País da Europa que gasta a maior percentagem do rendimento disponível das famílias na conta da electricidade:

Electricidade PPS

Conta da electricidade em função do rendimento disponível das famílias

No mercado liberalizado da energia, somos igualmente dos países da Europa onde menos compensa mudar de fornecedor:

Electricidade

Potencial poupança na mudança de comercializador de electricidade

O estudo tem muitos mais gráficos deprimentes para nós, Portugueses. Também analisa a vertente do gás natural, onde não estamos muito melhores. Enfim, mais uma prova provada de que o sector da energia em Portugal precisa de uma grande reviravolta…

Emprego Público

Num dos primeiros artigos do Poupar Melhor, referenciei que uma das frases que mais me fascina na Gestão é “You cannot manage what you cannot measure“. Nestes dias de discussão do Orçamento, uma das coisas que mais me fascina é a discussão pública sem números. Como este ano optamos por não repetir o exercício do Orçamento de Estado de 2013, em que analisamos as Despesas e Receitas, prometi a mim mesmo que havia de apreender mais qualquer coisa, significativamente diferente.

Quando pensava que isso já não ia acontecer, tropecei na Síntese Estatística do Emprego Público, elaborado pela Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público. Aquilo que eu pensava que estava escondido a sete chaves, afinal existe, e surpreendentemente pronto a ser analisado em folhas de cálculo: múltiplos indicadores sobre o emprego público.

Os quadros abaixo são gráficos rapidamente elaborados a partir da mais recente folha de cálculo do DGAEP, relativos aos dados do segundo trimestre deste ano. Eles representam os seguintes indicadores, sendo que nos dois primeiros casos, registamos a distribuição percentual, enquanto no último se dá o valor médio das remunerações:

  • Emprego no sector das administrações públicas por subsector e ministérios/secretarias regionais
  • Emprego no sector das administrações públicas por cargo/carreira/grupo segundo o subsector
  • Remunerações de base e ganhos médios mensais nas administrações públicas por cargo, carreira e grupo segundo o subsector – trabalhadores a tempo completo

Como é habitual aqui no Poupar Melhor, os dados neste caso são apresentados em bruto. Cada um saberá certamente tirar as suas conclusões. Para mais detalhes, é só carregar a folha de cálculo!

Emprego por sector

Emprego por subsector e Ministérios

Cargo carreira grupo

Emprego por cargo/carreira/grupo

Remunerações

Remunerações base média mensal por cargo/carreira/grupo

Menos sono, pior desempenho

Flickr Creative Commons - umjanedoan

Flickr Creative Commons – umjanedoan

O A.Sousa tem-se preocupado com o sono e tem razões para isso. Um estudo publicado em Julho de 2013 no The Journal of Neuroscience veio demonstrar que o funcionamento do nosso corpo durante o sono atua sobre coisas tão importantes como a mielina, o revestimento que cobre os nossos nervos. Se imaginarmos que os nossos nervos são o que permite ao nosso cérebro enviar as instruções por impulsos elétricos a todos os pontos do nosso corpo, percebem que se esses caminhos não tiverem isolados com a mielina então a comunicação sofrerá interferências.

O estudo laboratorial em ratos mediu as variações de produção dos elementos necessários à manutenção do nosso sistema nervoso e que estes são produzidos essencialmente durante o sono REM ou Rapid Eye Movement (“movimento rápido dos olhos”). Isto significa que não serve apenas dormir, tem de ser num determinado modo. Este sono REM não ocorre quando dormitamos porque estamos num estado semi-alerta, e por isso a produção dos efeitos não ocorre.

Aquela sensação estranha que têm depois de não dormir, não é afinal nada mais nada menos que a falta que o nosso corpo sente da sua manutenção habitual. A duração do sono pode ter sido de 8 horas, mas a percentagem de sono REM não terá sido suficiente.

Deja-vu na subida da electricidade

Cada vez mais confuso!

Vejam lá se não é confuso?

Este artigo é um deja-vu de um artigo escrito exactamente há um ano atrás. Fazemo-lo porque vale a pena continuar a escrutinar as misteriosas justificações para a contínua subida do preço da electricidade.

A ERSE divulgou ontem essas justificações. Segundo eles, o preço da electricidade vai subir 2.8% em 2014, mas nós sabemos que a subida vai ser certamente maior… E as justificações são resumidamente:

  • Custos de produção de energia eléctrica: Dizem eles que os preços da energia primária vão permanecer num nível tarifário elevado. Vão manter-se, mas o custo da electricidade, esse vai subir. E justificam ainda com o gás natural, quando se sabe que cada vez menos electricidade é produzida com recurso a gás natural…
  • Evolução do consumo de energia eléctrica: Como cada vez se consome menos electricidade, e as rendas se têm que manter, a electricidade tem que ser mais cara. A mais aberrante das justificações!
  • Recuperação nas tarifas de custos adiados no passado: As borlas do passado, são agora pagas com juros…
  • Quebra no preço do mercado das licenças de emissão de CO 2: Uma justificação nebulosa. Parece que o preço futuro do dióxido de carbono é menor, o que quer que isso signifique, e que, por isso, a electricidade tem que subir. Como a maior parte da energia em Portugal é produzida pelas eólicas, como qualquer um pode verificar numa factura de electricidade, confesso a minha completa incapacidade em perceber este argumento!
  • Custos da Produção em Regime Especial (PRE): Na sequência do ponto anterior, como a produção a partir de fontes renováveis, e também de cogeração, é cada vez maior, temos que pagar mais! E ainda por cima tendo beneficiado de incentivos económicos… E reconhecendo que o custo de produção da PRE é superior ao das tecnologias convencionais…

O contador de electricidade conta correctamente?

Saber se o contador da electricidade está a contar bem, ou não, é uma questão que tende a ocorrer-nos quando nos surge uma factura da electricidade demasiado elevada.

Para verificar se o contador está avariado, a EDP sugere que

  • desligue todos os aparelhos eléctricos das tomadas;
  • apague todas as luzes;
  • passados alguns segundos, o contador deve imobilizar-se. Se tal não acontecer o contador está avariado, pois marca sem haver consumo.

Acontece que um contador que cobre o dobro do que seria expectável, quando tudo estiver desligado, continuará a cobrar 0. Isto porque 0 é o dobro de 0. Para verificar se o consumo de nossas casas é o que efectivamente está a ser cobrado, é preciso algo mais. Neste caso, socorremo-nos das lâmpadas incandescentes, que conforme evidenciamos neste artigo, são uma boa forma de calibrarmos consumos.

Para iniciar o exercício, devemos ter presente todos os cuidados no manuseamento dos vários equipamentos eléctricos, que incluem o contador, quadro de disjuntores, e lâmpadas. Devemos começar por desligar os disjuntores, mantendo apenas ligados os da iluminação.

Depois, é necessário saber verificar os consumos no contador de electricidade. Para o fazermos, devemos seguir as indicações dadas neste artigo. Depois, é começar a ligar luzes! Para quem está a começar, o melhor é começar por ligar todas as luzes, e cronometrar. É melhor, porque o período entre piscadelas (ou rotações) será inferior, e o desespero menor.

Para cronometrar, o melhor hoje em é utilizar os nossos smartphones. Nos Android, o Stopwatch permite-nos contar várias voltas (“laps”). Assim, deixe piscar três ou quatro vezes o led, e depois anote os períodos de tempo entre cada piscadela. Faça a média dessas quatro medições, e anote o tempo. Utilize a fórmula dada neste artigo para verificar qual o consumo registado, e compare-o com a potência das lâmpadas que ligou.

São muitos os factores que podem influenciar estas medições. Importante é certificar-se que não está nada ligado para além das lâmpadas. Em próximos artigos evidenciaremos como podemos validar adicionalmente os nossos dados. Antes de pormos em causa os sistemas que nos medem, devemos ter uma garantia maior de que as nossas medições não nos induzem em erros maiores…

O valor das tampinhas?

Peso de 10 tampinhas

Peso de 10 tampinhas

Já todos nós provavelmente participamos na angariação de tampas de garrafas, para troca por uma cadeira de rodas. A ideia nasceu em 2003, da parte da enfermeira Guadalupe Jacinto, e está muito bem resumida neste artigo do Diário de Notícias. A iniciativa tinha ainda um site, mas ele só já está disponível no Arquivo da Internet.

A primeira e principal confusão associada a esta ideia é a de como as tampas dão origem a cadeiras de rodas? A explicação é muito simples: as tampas são entregues em locais onde se faz reciclagem, e as entidades de reciclagem pagam uma determinada quantia pelas tampas. Com esse dinheiro depois compram-se as cadeiras de rodas…

Na verdade, com tampas de garrafas pode-se comprar literalmente qualquer coisa. As tampas são interessantes, porque são normalmente de polipropileno, um tipo de plástico valioso.

Mas quanto valem as tampas afinal? A seguir enumero alguma informação pública que consegui arranjar:

A informação é consistente, pelo que durante a campanha se verificou um preço de cerca de 620 euros por tonelada. Com a balança maravilha do Álvaro, chegamos à conclusão de que uma tampinha de uma garrafa de água pesa cerca de 1.1 gramas, como podemos ver na imagem acima. Fazendo contas simples, descobre-se que entre 14 a 15 tampas valem 1 cêntimo de euro!