Valores exorbitantes de portagem?

Numa investigação que fiz, por outras razões, descobri um documento da Brisa, que dá todos os valores das portagens dessa concessionária, para este ano de 2013.  A parte curiosa, das quais a imagem abaixo documenta alguns exemplos, é saber que as taxas entre duas portagens muito próximas, ou entre a mesma portagem, atinge valores exorbitantes! Reparem que alguém que entra em Paderne PV e sai na mesma em Paderne PV, paga a módica quantia de 48.20€. Ou então, que quem entra em Coina pv, e sai em Coina II, paga 20.25€.

O princípio parece-me ser a de que tais percursos são impossíveis, a seguirem-se as regras, nas autoestradas. Que eu saiba, não há forma de inverter numa autoestrada, sem sair e voltar a entrar. Os valores parecem corresponder ao percurso até à outra ponta da auto-estrada, que no caso de Paderne consiste aparentemente em ir de Paderne a Almeirim, e voltar. Curiosamente, não é o percurso de ida e volta mais caro que é possível fazer, pois de Paderne a Elvas e volta, são 2 x 29.75 = 59.50€.

Mas esta explicação não abarca, nem explica, outros casos. Os leitores sabem porque é assim?

Valores de portagens na Brisa

Valores de portagens na Brisa

Sabe o que são os CIEG?

Em artigos anteriores evidenciamos como a energia que consumimos representa apenas cerca de 40% daquilo que pagamos por kWh e como uma decomposição maior revela outras parcelas para onde vai o custo da electricidade.

Observando o documento da ERSE em que nos baseamos para os artigos anteriores, podemos assim compreender mais facilmente para onde vão as taxas que pagamos na electricidade, e que são das mais elevadas da Europa. Dão por um nome estranho, CIEG (Custos de política energética, de sustentabilidade e de interesse económico geral), e a lista seguinte foi retirada das páginas 217 e 218 desse documento da ERSE:

  • Diferencial de custos com a aquisição de energia elétrica a produtores em regime especial (PRE) mediante fontes de energia renovável e não renovável (cogeração), imputados à parcela II da tarifa de Uso Global do Sistema.
  • Rendas de concessão pela distribuição em baixa tensão.
  • Custos com o Plano de Promoção da Eficiência no Consumo de energia elétrica.
  • Custos de natureza ambiental.
  • Custos com os terrenos afetos ao domínio público hídrico (amortização e remuneração).
  • Custos com mecanismo de Garantia de Potência.
  • Custos com a Autoridade da Concorrência (AdC).
  • Custos com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
  • Custos com a convergência tarifária na Região Autónoma dos Açores.
  • Custos com a convergência tarifária na Região Autónoma da Madeira.
  • Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC).
  • Amortização e juros do défice tarifário, relativo aos custos com a convergência tarifária na Região Autónoma dos Açores em 2006 e 2007 não repercutidos nas tarifas.
  • Amortização e juros do défice tarifário, relativo aos custos com a convergência tarifária na Região Autónoma da Madeira em 2006 e 2007 não repercutidos nas tarifas.
  • Amortização e juros do défice tarifário das tarifas de Venda a Clientes Finais em Baixa Tensão, relativo a 2006.
  • Amortização e juros do défice tarifário das tarifas de Venda a Clientes Finais em Baixa Tensão Normal, relativo a 2007.
  • Custos inerentes à atividade de gestão dos CAE remanescentes, pelo Agente Comercial, não recuperados no mercado.
  • Custos com a Gestão das Faixas de Combustível no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios (limpeza de corredores de linhas aéreas).
  • Amortização e juros referente à repercussão nas tarifas elétricas dos custos diferidos de anos anteriores, respeitantes à aquisição de energia elétrica, ao longo de um período de 15 anos, nos termos do n.o 4 do Artigo 2.o do Decreto-Lei n.o 165/2008, de 21 de agosto.
  • Amortização e juros referente à repercussão nas tarifas dos custos diferidos de anos anteriores, decorrentes de medidas de política energética, de sustentabilidade ou de interesse económico geral, ao longo de um período máximo de 15 anos, nos termos do n.o 4 do Artigo 2.o do Decreto-Lei n.o 165/2008, de 21 de agosto.
  • Ajustamentos da atividade de aquisição de energia do comercializador de último recurso, referentes a 2011 e a 2012, definidos para efeitos da sustentabilidade dos mercados.
  • Tarifa Social.
  • Diferencial positivo ou negativo definido para efeitos de sustentabilidade, equidade e gradualismo financeiro do CUR a repercutir na parcela II da tarifa de UGS do ORD.
  • Sobreproveito associado ao agravamento tarifário nos termos do n.o2 do artigo 6o do Decreto-Lei n.o104/2010, de 29 de setembro.

Da análise desta extensa lista, verificamos que a conta a pagar em 2013 é de 2588 milhões de euros. Sim, mais precisamente 2588432000 euros! Que vão ser pagos por mim e por si, e por todos os consumidores de electricidade. A evolução destas taxas ao longo dos últimos anos é visível no gráfico abaixo, retirado da página 221 do documento da ERSE, onde se nota claramente o impacto do sobrecusto da PRE, derivado essencialmente das renováveis/eólicas e da cogeração (nada surpreendente para quem olha para uma factura de electricidade). Quando se queixarem das taxas, ou do preço da electricidade em Portugal, lembrem-se que o palavrão-chave é o CIEG, e que este é o gráfico que interessa, e que explica a evolução do preço da electricidade nos últimos anos:

Evolução dos CIEG

Evolução dos CIEG

O custo da gasolina sem chumbo já esteve mais baixo

Gráfico de gasolina sem chumbo 95

Gráfico de gasolina sem chumbo 95

Enquanto todos nos queixamos do custo da gasolina e do gasóleo, os meus registos indicam-me que o preço da gasolina sem chumbo atingiu valores nunca antes vistos desde que começámos o Poupar Melhor.

No gráfico e também na tabela abaixo podem ver os últimos valores registados quando abasteci. Os picos visíveis no gráfico e assinalados com um circulo de cor diferente indicam os abastecimentos feitos em Lisboa, mesmo que no posto com o valor mais baixo.

dia Preço por litro
07-06-2013 1,509€
04-06-2013 1,509€
30-05-2013 1,509€
27-05-2013 1,509€
22-05-2013 1,509€
17-05-2013 1,484€
14-05-2013 1,484€
09-05-2013 1,484€
06-05-2013 1,499€
30-04-2013 1,499€
24-04-2013 1,499€
19-04-2013 1,529€

Para quem anda a tentar poupar gasolina andando de mota isto é tão importante quanto pagar menos 30% nas taxas das portagens cobradas aos motociclos.

Iogurtes em promoção

Há uns dias, havia notado uma promoção de Iogurtes Gregos da Danone, no Continente. Um pack com quatro iogurtes, com um desconto de 50% em cartão, pelo que paga 2.59 € e fica com 1.30 € em cartão. Um preço de 5.18 €/Kg. Um desconto de 33%, conforme referimos neste artigo. E esqueça os dois packs da imagem, porque pelo preço, só leva um deles:

Promoção Danone no Continente

Promoção Danone no Continente

Dias depois, vi uma promoção semelhante, dos mesmos iogurtes, no Pingo Doce e Lidl.

Promoção Danone no Pingo Doce

Promoção Danone no Pingo Doce

No Pingo Doce, leva as duas embalagens da imagem, de quatro iogurtes cada, pelo preço de uma. Paga o mesmo que no Continente, leva o dobro dos iogurtes, mas fica sem 1.30 € para gastar no futuro. No Lidl, compra os mesmos quatro iogurtes, metade daqueles que estão na imagem, por 1.29 €:

Promoção Danone no Lidl

Promoção Danone no Lidl

Neste último exemplo, o preço por Kg é cerca de metade do Continente. Dizem que cada iogurte custa 0.33 €, o que quer dizer que quatro deviam custar 4 x 0.33 = 1.32 €. Mas o preço original é o mesmo, 2.59 €, mas como o preço por quilo é de 2.58 €, fico sem saber se é uma diferença de gramas ou de cêntimos…

Ora vejam lá se não é para ficar confuso… O que é que vocês compravam?

Arrumar os cabos debaixo da mesa

O A.Sousa já nos tinha mostrado como arrumar os cabos debaixo da mesa, mas no Lifehacker fui encontrar alguém que com requinte arrumou ainda mais cabos.

Mais detalhes sobre preço da electricidade

Neste artigo evidenciamos como a energia que consumimos é apenas cerca de 40% daquilo que pagamos por kWh. Acontece que no mesmo documento da ERSE que utilizamos no artigo anterior, se encontram outros gráficos, os quais nos ajudam a perceber um pouco mais como funciona o mercado da electricidade em Portugal, e como ele afecta os consumidores dessa mesma electricidade.

Na imagem a seguir, retirada da página 198 do documento da ERSE, podemos verificar uma decomposição mais detalhada dos precos da electricidade:

Decomposição tarifas electricidade

Decomposição tarifas electricidade

Ordenados por ordem decrescente de percentagem, temos a seguinte decomposição para os consumidores em BTN, com potência instalada igual ou inferior a 20.7 kVA:

  • 39.7% Energia
  • 26.8% Uso Global do Sistema
  • 20.1% Uso Rede de Distribuição de BT
  • 5.4% Uso Rede de Distribuição de MT
  • 4.1% Uso Rede de Transporte
  • 2.5% Comercialização
  • 1.2% Uso Rede de Distribuição de AT

Neste aspecto, o mais surpreendente são os 2.5% relativos à comercialização. Não admira que os comercializadores não consigam descer substancialmente os preços! Se 97.5% do preço da electricidade já está definido à partida, como hão-de eles baixar?

O documento da ERSE tem muitos mais gráficos interessantes. Revelam a loucura que se tem vivido no sector nos últimos anos, mas também a factura pesada que continuaremos a pagar nos próximos anos! A isso voltaremos em próximos artigos.