A tralha dos Americanos

Infografia Arrumação IKEA

Infografia Arrumação IKEA

No blog Destralhar observei no outro dia um excelente artigo, com referência a um poster muito interessante do IKEA, o qual refere algumas estatísticas deveras curiosas. Embora relativas aos Estados Unidos, as estatísticas não me parecem descabidas para os Portugueses.

Segundo a IKEA, 43% dos americanos categorizam-se como desorganizados. Referem que 80% da desordem numa casa resulta da falta de organização, e não da falta de espaço. Que 55 minutos são perdidos todos os dias à procura de coisas! E que são as mulheres que mais stressam com esta desordem. Curiosamente, é nos quartos que os Americanos mais empilham…

Vale a pena olhar para a imagem ao lado e perceber como um bocadinho de organização pode facilitar muito as nossas vidas. E bastam técnicas simples, como as que evidenciamos nos artigos da etiqueta organização, enquanto reconheço que a IKEA tem realmente algumas soluções muito interessantes para nos organizarmos melhor…

Custo da energia na Europa

A reunião do Conselho Europeu da passada quarta-feira teve na energia um dos seus temas centrais. Da reunião pouco se ouviu nos Media portugueses, e se não fosse a leitura dos Media internacionais, nem sequer teria dado pelo assunto.

Uma visão muito interessante havia sido dada pelo Financial Times, que neste artigo (requer subscrição) referenciava que toda a cimeira se podia resumir a um gráfico, que esteve na berra em Bruxelas durante toda a semana:

Custo Energia, Europa vs. EUA vs. Japão

Custo Energia, Europa vs. EUA vs. Japão

O gráfico, extraído deste documento oficial, revela a perda competitiva que a indústria  europeia sofreu desde 2005, com o aumento dos preços de energia. Mas, na verdade, o documento revela muitos mais gráficos, também interessantes para os consumidores domésticos! O gráfico seguinte revela que pagamos em Portugal um dos preços de energia mais elevados da Europa, nos quais o impacto das taxas e impostos é um dos mais substanciais:

Custo energia doméstica nos países europeus

Custo energia doméstica nos países europeus

O documenta revela ainda mais estatísticas interessantes. Uma delas é que, apesar do investimento em renováveis, Portugal é o quinto país mais dependente do petróleo da Europa a 27. E que o preço da electricidade para a indústria é superior em Espanha a Portugal, o que desmonta uma das notícias dos dias passados. Mas o que sobressai é que a política energética da Europa tem sido um grande fracasso nos últimos anos, com grandes benefícios para o resto do Mundo. Não nos resta pois grande alternativa senão continuarmos a poupar neste recurso escasso e caro…

Televendas agressivas

Se outro dia vos dizíamos para responderem aos telefonemas de televendas com muitas perguntas e já vos tínhamos aconselhado a não assinar nada sem ler, hoje digo-vos para não aceitem nenhuma “oferta única” ou “oportunidade imperdível” sem que vos deixem ler o contrato.

As televendas estão cada vez mais agressivas em Portugal. Já quando começaram as ofertas de energia fora da tarifa regulada recebi chamadas mais agressivas de quem queria angariar novos clientes. A competição e as dificuldades financeiras de quem nos liga ditam da agressividade do vosso interlocutor na outra ponta da chamada, mas não se deixem intimidar.

A chamada começa de forma cordial, mas acaba sempre no momento agressivo da venda. O interlocutor vai insistir no seu objetivo: comprometer-vos. O interlocutor quer que digam que aceitam a oferta sem vos enviar o contrato que terão de assinar:

  • Vai dizer-vos que tudo o que precisam de saber vai ser dito naquela chamada;
  • Vai dizer-vos que estão a perder uma oportunidade que através daquela chamada terão acesso;
  • Vai dizer-vos, ainda que de forma velada, que não entendem tanto do negócio como ele porque ele trabalha no negócio;
  • Vai dar-vos a entender que ele sabe tudo o que há a saber soube a oferta, e que não há nada demais no contrato;
  • Vai insistir que não há qualquer problema porque fica tudo gravado.

Mas agora pensem bem:

  1. Se a oferta é assim tão boa, porque insiste ele a dar-vos de graça?
  2. Se não há nada demais no contrato, porque não vos deixa ler?
  3. Se houver litígio, um soluço que não seja do vosso agrado, quem tem a gravação e que razão têm ele para vos dar acesso a algo que o comprometa?

O que se passou com o leilão da DECO devia servir de lição a todos: Uma oferta única, irrecusável, que tinha de ser subscrita atempadamente, com condições finais que só iremos saber mais tarde, foi batida em menos de nada por um concorrente que nem foi a jogo.

Nenhuma oferta de televenda vai desaparecer no final da chamada. Oiçam. Registem os pontos que determinam a vossa escolha. Comparem com mais ofertas do mercado. Haverá sempre uma oferta que se adapta aos vosso critérios de melhor decisão.

Notas de 500 euros

As notas de 500 euros fazem parte do imaginário de quase todos nós. Da minha parte, só as vi muito raramente. Uma nota de 500 euros é uma enormidade, e para se ter uma ideia, infelizmente dá para pagar o ordendado mínimo, e o patrão ainda ficar com troco…

Uma das histórias mais interessantes por detrás das notas de 500 euros está relacionada com os nossos vizinhos espanhóis. Há uns anos atrás, descobriu-se que uma em cada quatro notas de 500 euros se encontrava aqui ao lado em Espanha. Uma quantidade muito superior à que seria de esperar para a dimensão do país vizinho. Não admira portanto que sejam alvo nomeadamente de falsificação. Notícias anteriores davam já conta que a nota de 500 era das preferidas de vários meios ligados ao crime, passando a ser uma alternativa ao dólar americano.

As notas de 500 euros ganharam tal fama em Espanha, que são conhecidas como Bin Ladens. Notas que ninguém sabe onde estão, mas que andam por aí. As estatísticas referem que cada espanhol tem, em média, duas notas dessas em seu poder.

Em alguns países, a nota já foi retirada de circulação. O mês passado, em Espanha, o líder da oposição propôs o mesmo. O objectivo é dificultar a vida ao mercado paralelo. A medida também poderia permitir impulsionar a economia. A medida poderia ser efectuada num prazo muito curto, e envolveria para os possuidores uma necessidade de justificar a proveniência do dinheiro.

Para ver o que se passava em Portugal, descobri há uns dias, que o Banco de Portugal divulga estatísticas sobre a massa monetária em circulação, e nomeadamente as notas de 500 euros. Compilei o gráfico abaixo, onde se verifica uma evolução relativamente estável das notas de 500 euros depositadas e levantadas no Banco de Portugal.

O que verdadeiramente me surpreendeu foi a evolução da curva a verde, respeitante às notas colocadas em circulação pelo Banco de Portugal. O valor representa a “diferença entre os totais acumulados de notas saídas e entradas no banco central desde a introdução do euro”. O valor é muito elevado até há exactamente dois anos atrás, começando uma queda muito significativa a partir daí. A explicação para os números negativos é dada pelo Banco de Portugal, que explica que “pelo facto de existirem em circulação em Portugal notas colocadas por outros bancos centrais da Área do Euro que, num dado momento, podem estar depositadas no Banco de Portugal, este indicador pode apresentar valores negativos”.

A verdade é que, nos últimos dois anos, estas notas estão a ser depositadas no Banco de Portugal em maior quantidade de que as que são levantadas. A razão subjacente será porventura interessante. Eu, pessoalmente, nunca possuí uma nota de 500. E com este estudo, só não recusarei uma se ma oferecerem. Para poupar, o mealheiro enche mais depressa com notas pequenas, e quando o mealheiro enche, o montante vai para o banco. Mas, realmente, ocorre-me uma dúvida. Para aquelas pessoas com muito dinheiro, e com o que aconteceu recentemente em Chipre, não sei o que é mais seguro…

notas 500 euros em circulacao

Não assinem nada sem ler

Creative Commons Photo por Paul Vladuchick

Creative Commons Photo por Paul Vladuchick

Se outro dia vos dizíamos para responderem aos telefonemas de televendas com muitas perguntas, hoje digo-vos para não aceitem nenhuma “oferta única” ou “oportunidade imperdível” sem que vos deixem ler o contrato.

A minha dificuldade aqui em abdicar da diretiva no título vem da minha experiência. No último contrato que assinei com um banco, na presença do notário, perante o incómodo de todos os presentes, decidi não assinar sem ler tudo o que ía rubricar e assinar. Percorrendo as linhas repletas de letra miúda, lá no meio das muitas folhas não havia realmente nada.

Quando decidi ler a cópia, é que o desconforto dos presentes se tornou mais notado. Não me demovi. Afinal tinha estado a aguardar por todos os representantes e notários mais de uma hora. Tendo em conta que já tinha lido uma cópia, decidi comparar cada página apenas sobrepondo-as uma a uma à contra luz.

Diz-se que a sorte protege os audazes. Uma das páginas, precisamente a que tinha as condições vantajosas que tanto esforço apliquei em obter, não era igual. A diferença fazia mesmo toda a diferença.

Alergias e pólen

Alergias a pólen

Alergias a pólen

Na Primavera, o pólen anda no ar, e as pessoas alérgicas como eu tendem a sofrer com isso. O problema coloca-se sobretudo com determinadas plantas e flores, que libertam mais pólen que outras. Note-se que essas plantas e flores tanto podem ser interiores, como do seu jardim, como dos locais por onde passa.

Algumas das flores com pouco pólen incluem os cravos, tulipas, rosas, narcisos e orquídeas. Por outro lado, flores com muito pólen, como as violetas, jasmins, margaridas e girassóis, não serão as melhores companhias para pessoas alérgicas… De uma forma geral, as árvores são também grandes produtoras de pólen.

Um aspecto curioso está relacionado com o pólen transportado pelas abelhas. De uma forma geral, as abelhas transportam o pólen mais pesado, que não é transportado pelo vento. Esse pólen mais pesado não se encontra portanto no ar, e não afecta tanto as pessoas alérgicas, ao contrário do pólen mais pequeno e leve, levado pelo vento. Normalmente, as plantas que têm o pólen mais pesado, têm flores chamativas e coloridas, que atraem os insectos, enquanto as plantas em que a polinização se verifica pelo vento têm flores menos chamativas.

Há várias estratégias para lidar com alergias, e eu próprio sinto que a estratégia que referi há dias têm resultado para mim. Ainda assim, evitar o pólen nesta temporada é certamente outra via para manter as alergias mais afastadas!