Fraudes no couponing

extreme-couponingHá um ano falamos do programa Extreme Couponing, e de como os cupões ainda eram uma novidade em Portugal. As coisas têm mudado muito desde então, e ontem foram mesmo tema para uma reportagem na RTP1. Acontece que nem tudo o que parece é!

A história desconhecida do Extreme Couponing é a natureza fraudulenta de muitos dos seus participantes. Quando comecei a escavar a história fiquei verdadeiramente surpreendido. Logo no primeiro episódio, a participante J’aime Kirlew gabou-se de ter comprado por $103 produtos com um valor de $1900. O problema começou quando Jill Cataldo, outra couponer, lhe topou o esquema. Dias depois, Jill documenta melhor a fraude. Numa entrevista no mês a seguir, ao blog SmartMoney, do Wall Street Journal, J’aime Kirlew admite ter utilizado os cupões de forma indevida!

A saga chegou a outros sítios no Media. A revista Time referiu-a e voltou depois à carga. E mais exemplos surgiram:

Enfim, não são certamente estes os exemplos de poupança que devemos perseguir. Eu pessoalmente deixei de ver o programa, pois aquilo convida mais ao açambarcamento que à poupança. E, para quem possa pensar que a Jill Cataldo está com dor de cotovelo, a resposta foi dada neste post. Há que concordar com ela, pois os cupões não podem ser uma obsessão… Mas quem quiser mais informação sobre este tema dos cupões, a Coupon Information Corporation é um bom sítio para começar. Eles até oferecem $100.000 a quem os ajudar a apanhar os envolvidos na contrefacção de alguns cupões…

Ensinar as crianças a lavar os dentes

Tooth-CareBy Lutz-R. Frank

Tooth-CareBy Lutz-R. Frank

Aqui em casa a lavagem dos dentes é como todas as coisas de homens: uma competição. Os gaiatos batem-se para ver quem lava os dentes mais rápido o que lhes deixa os dentes mal lavados.

Aqui é que não interessa mesmo nada poupar. O mais velho já tem várias idas ao dentista no currículo e a coisa não está para melhorar. A principal razão pela qual as cáries aparecem é de todos conhecida, mas o racional dado pelos dentistas ou o discurso a pedir para escovarem bastantes vezes os dentes não recebem qualquer interesse.

Foi então que decidi entrar no concurso e dizer que demorava bastante tempo. O mais velho que gosta de andar a cronometrar as coisas com o relógio que ganhou no Natal, decidiu contar o tempo:

  • Criança 00 min 48 seg.
  • Pai 01 min 39 seg.

“O pai ganhou porque demorou mais tempo.”

Agora o filho quer vencer o pai e eu nem me importo.

Os meus filhos são como todas as pessoas. Para os convencer a fazer algo de forma diferente, tenho de arranjar formas de lhes mostrar o valor falando-lhes em termos e apelando aos seus interesses pessoais. Os interesses pessoais dos nossos destinatários são um tradutor fantástico para ideias complexas.

“Multas” na electricidade?

A nossa leitora Helena Almeida, no artigo sobre como chegar a valores mais precisos na escolha de um novo tarifário de electricidade, alerta para o facto de que muita gente está convencida que, se não mudar para o mercado liberalizado de electricidade, vai ser multada…

Nada mais errado! Não há nenhuma multa para quem não mudar, e como referimos neste artigo compete apenas à ERSE aplicar um “fator de agravamento, o qual visa induzir a adesão gradual às formas de contratação oferecidas no mercado”. Infelizmente, e como verificamos no mesmo artigo, muitos dos tarifários do mercado liberalizado sofrem igualmente desse “fator de agravamento”.

Donde, e porque surge exactamente a ideia da multa, é sempre algo difícil de averiguar. Todavia, lembro-me perfeitamente de ter comprado há uns tempos o Jornal i, pelo choque que me mereceu a capa. Fiquei frustrado pelo que li no interior, pelo que seguiu rapidamente o caminho da reciclagem… Foi preciso procurá-lo outra vez, e depois de alguma pesquisa na Internet, consegui voltar a encontrá-lo:

Multa no Jornal i

Multa no Jornal i

Na capa, a mensagem é clara: “Sabia que tem de fazer um novo contrato de electricidade se não quiser ser multado a partir de 1 de Janeiro?”. O tema é desenvolvido nas páginas interiores, como referi, e essa parte está disponível online. No título já só se fala em penalizações, e em todo o artigo o termo “multa” aparece apenas uma vez, e entre aspas…

Como se observa na imagem e no artigo, a edição do Jornal i é a do último fim de semana do ano de 2012. Não é difícil advinhar o pânico de muitos leitores, sabendo que só lhes faltava a segunda-feira seguinte, dia 31 de Dezembro, para tratarem do problema e não serem multados! É por isso cómico quando se assiste posteriormente à estupefacção de cronistas, de jornais como o Expresso, onde Luísa Schmidt, a 26 de Janeiro de 2013 se interrogava do porquê de “Um ‘ganda’ 31”.

Um 'ganda' 31

Um ‘ganda’ 31

O artigo está transcrito aqui, onde Luísa se interroga sobre as “filas quilométricas” no “réveillon aos balcões da EDP”, “com muitos idosos”… A investigadora Luísa Schmidt constata a ideia da “multa”, e do facto da EDP ter apanhado “uma bela carteira de clientes”, “sem fazer de propósito, claro…”. O que a Luísa não viu foi certamente o Jornal i desse fim de semana…

Este “réveillon aos balcões da EDP” ajudou certamente a compor os números da ERSE que se congratula com o grande mês de Dezembro, com “o maior número de mudanças de sempre com cerca de 189 mil consumidores a aderirem ao regime de mercado”. O problema é que esta liberalização não está a trazer nada de bom, e por isso eu continuo fora do mercado liberalizado, à espera das próximas ameaças de “multas”…

41ª multa: a da multa que não existe no mercado de energia e dos preços nos escaparates

Podcast do Poupar Melhor

Nesta edição falamos da multa que não existe no mercado de energia e de como a desinformação levou muitas pessoas a pensarem que existia.

Falamos também dos preços nos escaparates e de como fazemos as compras da semana.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes.

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Preços baralhados

Quando vou às compras, costumo olhar com atenção para os preços dos produtos. Várias vezes damos-nos conta de questões associadas a esses preços. Todavia, quando fui comprar umas águas há umas semanas atrás, fiquei baralhado. No fim de semana passado ainda lá estava, igual. Vejam a imagem abaixo e confirmem porque fiquei baralhado…

Preços baralhados

Preços baralhados

Bebida de fruta com 0,5% de sumo

0,5% de limão por @designerferro

0,5% de limão por @designerferro

Depois de termos andado a analisar as percentagens para os Gráficos do Mapa 1 das Receitas dos Serviços Integrados, por classificação económica do Orçamento de Estado para 2013 quando olho para um produto é já com outros olhos porque procuro pelas percentagens que façam sentido representar.

O produto é daquelas águas com sabor que são mesmo só isso: água com sabor.

No exemplo da imagem, um produto que se diz de limão, a fruta propriamente dita é tão baixa que desconfio que nem é isso que sentimos quando bebemos.

Transcrito do rótulo:

  • Água Mineral 80,7%;
  • Maçã 11,5%; e
  • Limão 0,5%.

Já tínhamos falado aqui de maquilhar preços, mas esta é a primeira maquilhagem de percentagens de que falamos. Será que o texto escrito daquela forma tinha por objetivo obscurecer a verdadeira quantidade de sumo? Eu continuava a beber se fosse um rótulo mais genuíno que dissesse que era de maçã e limão.