Limitar valor dos débitos directos

A possibilidade de nos poderem debitar directamente as facturas nas nossas contas bancárias é algo que nos livra do trabalho de gestão dos pagamentos, seja em termos pessoais, ou mesmo em termos profissionais. Muitas vezes têm associada uma outra promoção, incluindo descontos, e que devemos aproveitar se aquele serviço é realmente o mais adequado para nós.

Mas todos já ouvimos falar de casos em que aparecem facturas de valor muito elevado, seja por erro do prestador, ou outra causa qualquer. Por isso, no meu caso, limito no banco o montante que o prestador pode tirar por cada transação. Assim, se eles se “passarem”, teoricamente não conseguem passar o dinheiro para o lado deles. É que é mais fácil reclamar com o dinheiro do nosso lado, do que do lado deles…

A operação é muito simples, para os utilizadores com acesso a homebanking. Na imagem abaixo podem ver as definições que podem ser efectuadas, neste caso no serviço Caixa Directa, da CGD. Está disponível no menu lateral, na opção “Transferências e Pagamentos”, “Débitos Directos”, “Consultar e Alterar”. Na imagem abaixo podem ver a definição de um dos meus débitos directos. É só definir o montante máximo, e confirmar. Noutros bancos, o procedimento não deverá ser muito distinto.

Tenha todavia alguma atenção com o valor que define. A mim nunca me aconteceu o valor ser ultrapassado, pelo que não sei o que acontecerá exactamente nesse caso…

Exemplo de limitação do débito directo na CGD

Exemplo de limitação do débito directo na CGD

Valores mais precisos na escolha de um novo tarifário de electricidade

Uma dúvida que pode surgir facilmente quando utilizamos o simulador da ERSE para verificar qual a melhor oferta de electricidade no mercado liberalizado, é a de que valores vamos introduzir para efectuar uma simulação adequada. Se não recolhe os dados periodicamente, pode ser difícil a utilização do simulador, e simultaneamente ter uma certa garantia de que os valores reflectem fielmente os seus padrões de consumo.

Apesar dos múltiplos valores que recolho, entendi que a forma mais simples era utilizar os valores existentes nas próprias facturas da EDP. Como podem ver pela imagem abaixo, algumas vezes as leituras são efectuadas com exactamente um ano de diferença. Assim sendo, é fácil calcular um consumo anual de 864 kWh em Vazio e 1424 kWh em Fora de Vazio.

A inserção destes valores no simulador da ERSE, na secção “Consumos relativos a um ano” permite averiguar rapidamente a melhor oferta no mercado liberalizado para os consumos de cada um…

Exemplo de elituras EDP com um ano de diferença

Exemplo de elituras EDP com um ano de diferença

Controle o consumo de dados no telémovel sem deixar de os usar

Dataman pro

Dataman pro

Quando me deparei com um valor injustificado na minha conta de telefone móvel, decidi fazer medições de consumos e análise de faturas passadas, mas vocês já sabem o resultado. Com os dados novamente controlados e nada de alarmante na app ou nos registos diários no prestador, o comportamento da conta do iPhone está controlada.

Para controlar os consumos, comprei uma app parao iPhone. O tipo de resultados foi muito esclarecedor quanto ao funcionamento do iOS como sistema operativo, mas também quanto ao consumo de dados das app.

O consumo de cada app tem mais a ver com o meu uso efetivo ou o seu comportamento quando não a estamos a usar e por isso não se pode dizer que uma esteja a fazer um consumo indevido. Se observarem a amostra na imagem podem ver que para um mês o consumo de dados é bastante controlado na coluna da esquerda. Estes são os dados que interessam para o pacote do operador de comunicações móveis.

Na imagem, a coluna da direita, onde os números são maiores, é o consumo de dados em WiFi, o que está bem para o meu pacote de dados de casa. As comunicações de dados fora do valor estipulado pelo meu contrato estão por isso mais que controladas.

A app que estou a usar para controlar os meus consumos de Internet no iPhone infelizmente deixou de ser vendida para o iPhone. Deparei-me com este facto quando estava a escrever este post. Passou a existir uma com menos funcionalidades.  Aquela que estou a usar agora passou a existir, mas só para o iPad.

Das funcionalidades que a app perdeu, é de destacar o controlo a 3 níveis de consumo: diário, semanal e mensal. Estes alarmes de uso são configuráveis de acordo com o consumo previsto no pacote adquirido junto do operador.

Isto é matemática!

Isto é Matemática” é um programa da SIC Notícias que passa originalmente às 20:50 de Sábados. Repete várias vezes por semana. O matemático Rogério Martins, nuns curtos minutos, consegue-nos traduzir alguns conceitos matemáticos complexos, com alguma brincadeira à mistura.

No último episódio, falou sobre as probabilidades de se ganhar o Euromilhões. Que já havíamos referenciado neste artigo, e que sabíamos ser muito pequena. É uma pena que o número de combinações que aparece no programa não esteja correcto (menciona 117647058, mas o número correcto é mesmo 116531800), mas para todos os efeitos, é mais ou menos aposta.

O programa vale pelas “comparações patetas”, isto é pelas probabilidades que realmente temos de acertar no Euromilhões. Ora, eu tenho a certeza que não vou ganhar o Euromilhões, e que também não vou ser um dos próximos Presidentes da República… Por isso, continuo a ganhar, quando não jogo!

Bi-horário justifica-se cada vez menos

As tarifas bi-horárias têm uma longa história em Portugal. Segundo pudemos determinar, remonta pelo menos à Portaria nº 31-A/77. Já nessa Portaria se refere que “promovendo um bom aproveitamento dos recursos em energia e equipamento, associam-se os consumidores nas economias que eventualmente proporcionam, quando transferem os seus consumos para as horas de vazio ou aceitam desligar certos receptores nas horas de ponta.”.

Mais recentemente, segundo a Quercus, “as tarifas bi-horária e tri-horária pretendem suavizar os picos de consumo e aumentar o consumo no período nocturno”. Estas tarifas visam incentivar os consumidores a deslocarem parte do seu consumo para os períodos de menor consumo, até porque, ainda segundo a Quercus, “é durante a noite que se verifica, de longe, uma maior fracção de produção renovável, nomeadamente de origem eólica, que seria importante aproveitar”.

Entretanto, nós os consumidores aprendemos a transferir os nossos consumos para as horas de vazio, ou até aceitamos a desligar equipamentos eléctricos nas horas de ponta, alinhando-nos com os objetivos há mais de três décadas definidos. Muitos de nós investimos em equipamentos que nos ajudam nessa tarefa, sejam programadores, bombas de calor, ou outros muitos equipamentos que já incorporam a possibilidade de programar o consumo de electricidade nos momentos de menor procura. Até na justificação da venda de carros eléctricos foi utilizada…

Acontece ainda que a Directiva 2009/72/CE estabelece que “os Estados-Membros devem assegurar a implementação de sistemas de contadores inteligentes, os quais devem permitir a participação activa dos consumidores no mercado de comercialização de electricidade”. A mesma Directiva estabelece ainda que “pelo menos 80 % dos consumidores devem ser equipados com sistemas de contadores inteligentes até 2020”.

Todavia, o que se constata pela evolução das tarifas, é uma estratégia distinta. Utilizando as fórmulas que evidenciam se o bi-horário compensa, fomos verificar como tem sido a evolução da percentagem de consumo em vazio, que justifique a tarifa bi-horária. Para simplificação, consideramos apenas as tarifas desde início de 2010, quando os valores cobrados pela potência dos contadores se tornou idêntica entre a tarifa simples e o bi-horário.

O que se constata na tabela e imagem abaixo é desolador! Em 2010, bastava que 15% do consumo se verificasse no horário de vazio, para que o bi-horário se justificasse. Em 2011, essa percentagem subiu para cerca de 18%, e no ano seguinte para 22%. As tarifas reguladas do início deste ano exigem que se verifique 30% do consumo em vazio, para que o bi-horário se justifique, conforme já havíamos calculado neste artigo.

Estes cálculos comprovam um enigma que me perseguia há uns tempos. Sempre que fazia contas aos benefícios aos custos do bi-horário, eles pareciam cada vez menores… E são!

Tarifário Tarifa Simples
(s)
Tarifa Fora Vazio
(f)
Tarifa Vazio
(v)
x/y=
(s-f)/(v-s)
% em Vazio a partir do qual compensa bi-horário
Mercado Regulado 2010 0.1285 € 0.1382 € 0.0742 € 0.1786 15.16
Mercado Regulado 2011 0.1326 € 0.1448 € 0.0778 € 0.2226 18.21
Mercado Regulado 2012 0.1393 € 0.1551 € 0.0833 € 0.2821 22.01
EDP Verde Mai2012 0.1393 € 0.1551 € 0.0833 € 0.2821 22.01
EDP Verde Jan2013 = 6.90 kVA 0.1393 € 0.1551 € 0.0833 € 0.2821 22.01
EDP Verde Jan2013 >= 6.90 kVA 0.1424 € 0.1582 € 0.0864 € 0.2821 22.01
EDP Casa Mai2012 0.1365 € 0.1551 € 0.0833 € 0.3496 25.91
EDP Negócios Mai2012 0.1365 € 0.1551 € 0.0833 € 0.3496 25.91
EDP Casa Jan2013 <= 6.90 kVA 0.1365 € 0.1551 € 0.0833 € 0.3496 25.91
EDP Casa Jan2013 > 6.90 kVA 0.1396 € 0.1582 € 0.0864 € 0.3496 25.91
Mercado Regulado Jan2013 <= 6.90 kVA 0.1405 € 0.1641 € 0.087 € 0.4411 30.61
GALP ON Plano Confort Jan2013 <= 6.90 kVA 0.1377 € 0.1608 € 0.0853 € 0.4408 30.60
Mercado Regulado Jan2013 > 6.90 kVA 0.1418 € 0.1674 € 0.0878 € 0.4741 32.16
GALP ON Plano Confort Jan2013 > 6.90 kVA 0.139 € 0.1641 € 0.086 € 0.4736 32.14
Bi-horário justifica-se cada vez menos

Bi-horário justifica-se cada vez menos

Consumo de gás em caldeira de aquecimento

Enquanto há gadgets bastante interessantes para monitorizar o consumo da electricidade, o mesmo já não se pode dizer em relação à monitorização do consumo de gás. A variação de consumo é lenta, pelo que dificulta a percepção de como varia o consumo. Foi então que me lembrei das técnicas de time-lapse (ver exemplos magníficos de time-lapse), e como as podia utilizar neste contexto.

No vídeo abaixo podemos ver como medimos o consumo da nossa caldeira. O display da caldeira dá-nos uma indicação da temperatura que a água do circuito de aquecimento atinge. Esta parte do vídeo está acelerada 16 vezes. A temperatura vai diminuindo ligeiramente ao longo do tempo, sendo que ao atingir aproximadamente os 37 graus, a caldeira volta a aquecer a água, sendo tal visível no canto superior direito do display. Nesses momentos, a temperatura da água sobe até cerca dos 52ºC, sendo tal função naturalmente da programação, que neste caso se encontra próximo do mínimo. Neste cenário, a caldeira tem um período de um pouco mais de 10 minutos sem utilização de gás, procedendo ao aquecimento da água durante cerca de dois minutos e meio.

Verificando o consumo no contador, podemos ver como o consumo de gás é neste exemplo constante ao longo do tempo. Também está acelerado 16 vezes, sendo que este tempo de consumo corresponde na verdade a dois minutos e meio de consumo, nos quais se consumiram 0.039 m3 de gás.

A combinação destas contas permite-nos calcular o consumo de gás nestas circunstâncias. Num total de doze minutos e quarenta segundos, a caldeira aqueceu a água durante dois minutos e trinta e dois segundos, nos quais se consumiram os tais 0.039 m3 de gás. Tal corresponde a cerca de 0.185 m3 de gás por hora. Ao custo de 0.70 €/m3, considerando as premissas definidas neste artigo, cada hora de aquecimento custa, em gás natural, cerca de 13 cêntimos de euro.

Naturalmente, este valor variará em função de vários outros factores, incluindo a temperatura exterior, interior, a programação da caldeira, e a quantidade de radiadores ligados… A eles voltaremos, na perspectiva de optimização deste custo.