Quanta electricidade gasta uma Nespresso?

Por causa das dúvidas de uma nossa leitora, verifiquei que ainda não tinha verificado o consumo de electricidade da Nespresso cá de casa. Num dos últimos cafés, liguei o aparelho de medição à máquina, deixei-a aquecer, tirei o café, e deixei-a uns minutos ligados, só para perceber se ela continuaria a consumir electricidade. O gráfico resultante é o seguinte:

Consumo electricidade de uma Nespresso

O primeiro aspecto que salta à vista é o de que depois de tirar o café, a máquina continua a consumir energia de forma substancial. Os picos observados depois de tirado o café duram menos de um segundo, mas superam os 1100W, o que pode colocar problemas quando temos limitações de potência. Fora desses picos, a nossa máquina de café consome entre os 7 e 8 Wh.

O aspecto mais importante do consumo de uma Nespresso é, portanto, deixá-la ligada quando não a utilizamos! Contando o consumo entre as 09:55, 45 segundos depois de tirado o café, e as 10:15, antes de desligada a máquina de café, ela consumiu 7.56 Wh, o que extrapolando este consumo de forma linear para um período de um mês poderá dar qualquer coisa como 0.00756 x 3 x 24 x 30 = 16.3 KWh por mês! Ao preço de 0.1393€ + IVA, por KWh, uma máquina Nespresso pode custar-lhe 2.79 € por mês em electricidade.

Mas, e quanto custou tirar o café? O período inicial de aquecimento da máquina gastou 8.01 Wh de electricidade, enquanto a tiragem do café propriamente dita gastou 4.55 Wh. Assim sendo, o aquecimento inicial custou cerca de 0.14 cêntimos de euro, enquanto a tiragem de cafe custou 0.08 cêntimos de euro. Ou seja, se a máquina se comportar de forma linear, poder-se-á tirar 10 cafés por menos de um cêntimo de euro!

Sendo assim, continua a ser perfeitamente válida a ideia de que o café que tomamos em casa fica bem mais económico que o tomado na rua. Não deixe é a máquina ligada depois disso!

eSUM – European Safer Urban Mobility

O aumento de Powered Two Wheeler (PTW) no meio urbano já não é novo, mas o Jorge P. enviou-nos este pequeno filme sobre o tema e como foi endereçado há uns anos pela eSUM.

O custo dos combustíveis, a liberdade de movimentos no tráfego e a facilidade de transporte porta a porta são algumas das razões que nos levam a escolher um PTW. Em 1994 circulavam cerca de 22000000 PTW nas cidades europeias, mas em 2010 já existiam 34000000.

Com o apoio da Comissão europeia, as cidades de Barcelona, Paris, Roma e Londres endereçaram esta questão com várias medidas. O site descreve as medidas adotadas, mas não encontrei mais nada após 2010.

A verdadeira eficiência de um frigorífico?

Etiqueta de consumo de frigorífico

O nosso leitor J. Aparício colocou-nos há umas semanas uma situação interessante: havia comprado um frigorífico novo, A++, o qual segundo a etiqueta à esquerda teria um consumo anual de 226 KWh. O problema foi quando ele começou a monitorizar os consumos e descobriu que ele não gastava menos de 0.792 KWh por dia!

A primeira resposta que me ocorreu é que o consumo dos frigoríficos deve ser como a dos automóveis: o que os fabricantes nos dizem sobre o consumo é sempre uma miragem… Mas como não conhecia as condições em que os testes aos frigoríficos eram efectuadas, resolvi investigar um pouco.

Os procedimentos de testes aos frigoríficos são diversificados a nível global. Na Europa, a norma que regula estes testes é a ISO 15502. Ela especifica uma temperatura ambiental de 25ºC, com uma humidade relativa entre os 45% e 75%. O teste dura pelo menos 24 horas, sendo que o espaço do congelador tem que estar cheio, mas o do frigorífico não. Durante o decorrer dos testes, as portas são conservadas fechadas.

Estes testes não simulam todavia as reais condições em que utilizamos os frigoríficos. A temperatura a que são testados é superior à que habitualmente temos em nossas casas. Um frigorífico sem nada dentro tem um consumo menor. E um frigorífico em que não se abrem as portas, consome obviamente ainda menos! Enfim, nestas circunstâncias de não ter nada dentro, nem se abrirem as portas, temos um frigorífico que não serve para nada!

Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, a coisa ainda é pior. Eles testam os frigoríficos a uma temperatura ambiente de 90ºF (equivalente a 32.2ºC). Não colocam nada, nem no frigorífico, nem no congelador, e as portas mantêm-se fechadas! Não admira que sejam pessoas ligadas aos próprios fabricantes a dizer que os testes estão engatados. E neste artigo em particular, o autor avança mesmo com várias “ideias” sobre como conseguir fazer batota para os testes.

Assim sendo, se pensar comprar um frigorífico novo, dê um bom desconto nos valores que o fabricante anuncia. Segundo as contas que o nosso leitor J. Aparício fez, 10% a 20% a mais de consumo é capaz de ser um bom factor correctivo.

Envie regularmente os números do contador de eletricidade

Conta de eletricidade do @designerferro

Conta de eletricidade do @designerferro

Mais de um ano depois, com contas de eletricidade, uma conta que não lembra ao diabo nem bate certo com qualquer cálculo que tenhamos feito nos nossos posts: 20,60€.

O valor pareceu-nos tão baixo que fomos verificar os números no contador e os números na conta para termos a certeza que batiam certo. Os últimos valores tinham sido estimados, mas batiam quase iguais ao do contador.

Já todos sabemos que o meu frigorífico tem a desvantagem da idade, mas a vantagem de ter 2 motores. Não somos religiosos de manter-lhe a porta fechada, mas tentamos ser eficientes.

Não desligamos sempre tudo na régua de tomadas da televisão e por isso a box fica muitas vezes ligada.

Fazemos a máquina de roupa quase sempre cheia e evitamos lavar a loiça à mão, mas há tachos que não gostamos de por na máquina.

Já sobram muito poucas lâmpadas incandescentes cá em casa e quando só estamos a aguardar que fundam para substituir por lâmpadas económicas, teimam em não fundir.

Este ano ainda não precisámos de ligar os aquecedores e a casa tem sido arejada. O contador não é bi-horário e nem tem a potência mínima.

A realidade é que a única coisa que fazemos, mas ainda não vos contei é que tentamos enviar regularmente os valores do contador para evitar aqueles valores estimados, mas a realidade é que este mês vamos pagar só 20,60€.

Extreme Cheapskates

O canal TLC tem umas séries interessantes, e já mencionamos aqui exemplos como o Extreme Couponing e o Hoarding: Buried Alive. Em ambos os casos estamos perante séries que nos levam até determinados limites, que me deixam a mim, normalmente, a pensar de forma muito filosófica.

Mas eu não estava preparado para o Extreme Cheapskates! A tradução do termo cheapskate para português não é fácil, mas sovina parece-me o mais adequado. E é disso que verdadeiramente se trata, quando assistimos a alguns excertos da série, que estreou o mês passado na TLC. Alguns exemplos, como o da mulher que faz xixi para um frasco para poupar água no autoclismo, ou doutra que arranja a mobília nos contentores de lixo, são exemplos que me fazem mais que filosofar. É que estamos a falar de pessoas que não estão propriamente na miséria, mas que em vez disso ainda se divertem?

Enfim, não nos verão aqui no Poupar Melhor a sugerir estas coisas. A poupança é suposta ser divertida, mas não deste género:

32º consumo: o da eficiência do frigorífico, do registo dos números do contador de eletricidade e do consumo da máquina de café

Podcast do Poupar Melhor

Nesta edição falamos da eficiência do frigorífico e de como os consumos indicados nos autocolantes de compra poderão não corresponder aos consumos em uso real.

Propomos que enviem os registo dos números do contador de eletricidade regularmente para garantir a previsibilidade dos custos mensais e de como o consumo da máquina de café necessita de um contador como todo o detalhe para conseguirmos saber quanto consome.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes.

Play