Dia Mundial da Poupança

Um porquinho mealheiro

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poupança. Este dia é celebrado há muitos anos, tendo sido instituído em 1924, durante o primeiro “International Thrift Congress“, que se realizou em Milão. A ideia partiu do “International Savings Banks Institute” então criado, e que mais tarde deu origem ao WSBI (World Savings Banks Institute). A ideia foi a de alertar para a necessidade de reduzir os gastos, com isso contribuindo para amealhar algumas economias. De ponto de vista deles, o destino seria naturalmente uma conta de poupança num banco…

A história do Dia Mundial da Poupança é resumida nesta página. Aí percebemos que os Alemães nem sempre gostaram deste conceito de poupança, especialmente depois da reforma monetária de 1923. Pelo contrário, nuestros hermanos já o haviam celebrado em 1921. Em 1928, o Hino à Poupança foi criado por Gino Valori e Giuseppe Pietri. Depois da Segunda Guerra Mundial, o Dia Mundial da Poupança teve o seu auge entre os anos 1955 e 1970.

A importância do tema da Poupança parece estar de regresso, nestes tempos mais difíceis. Devemos pensar que a poupança não se observa numa vertente estritamente bancária, mas que há muitos mais domínios da nossa vida em que devemos aplicar os conceitos de poupança. São todas estas vertentes que continuaremos a explorar no Poupar Melhor.

Gráficos do Mapa 1 das Receitas dos Serviços Integrados, por classificação económica do Orçamento de Estado para 2013

Mapa 1 das Receitas dos Serviços Integrados, por classificação económica

Mapa 1 das Receitas dos Serviços Integrados, por classificação económica

Depois do investimento do A.Sousa em transformar a despesa na Proposta de Orçamento Geral do Estado para 2013 em algo visualmente inteligível por todos os nossos leitores sem terem de ler os documentos, decidi pegar no Mapa 1 das Receitas dos Serviços Integrados, por classificação económica, para melhorarmos o conhecimento sobre a composição. Os ficheiros estão no Google Drive de onde podem fazer download para verem os detalhes na folha de cálculo feita com o Libre Office. O arranjo gráfico com a Receita Corrente pode ser visto aqui. Para complementar a informação, o A.Sousa juntou-lhe um gráfico gerado com os dados no Relatório do Orçamento de Estado.

O meu desconhecimento do jargão utilizado e a falta de esclarecimento nos Mapas para explicar o que deve ser entendido das classificações são uma barreira para o entendimento correto do que trata cada Receita e poderá mesmo a levar a que o cidadão se desinteresse ainda mais pelos factos, dedicando-se à discussão baseada em Sound Bites de quem nem se deu ao trabalho de ler os documentos.

O gráfico acima apresenta a distribuição da Receita em dois níveis, conforme valores no Mapa 1 das Receitas dos Serviços Integrados, por classificação económica. O exterior é a divisão global em Receitas Correntes, Receitas de Capital e o conjunto a que decidi chamar “Outras” e que ficam representadas no quase invisível risco amarelo. Estas “Outras” são a soma de 3 linhas: Recursos Próprios Comunitários, Reposições não Abatidas nos Pagamentos e Saldo da Gerência Anterior.

Na parte interna encontra-se a mesma despesa, mas agora representada pela dimensão de cada uma das linhas do Mapa 1 das Receitas dos Serviços Integrados, por classificação económica. Podem consultar os restantes gráficos no arranjo gráfico com a Receita Corrente, mas ficam já aqui as notas do que observámos das representações:

  • As Taxas, Multas e outras penalidades, basicamente a receita da Justiça, são de uma complexidade que até no gráfico se nota;
  • Existem uns 231,00€ para cobrar em rendas de Bens de Domínio Público que até tenho medo de perguntar como é que são cobrados;
  • Há uma série de outros serviços que rendem 333.297.859,00€, que espero sejam alguma coisa de útil e fico curioso para ler os outros mapas e descobrir o que será;
  • Que toda esta informação demora tanto tempo a consumir, que decidi tratar as Receitas Correntes e deixar as Receitas de capital para outro dia;
  • Que os Governos, pagos com os nossos impostos, deveriam partilhar o orçamento num formato utilizável do ponto de vista da exploração dos dados. Bastava partilharem os quadros em formatos abertos como nós e não num formato de transporte e impressão como é o PDF.

Ligação standard para veículos elétricos anunciada

A Society of Automotive Engineers (SAE), um organismo de que nunca ouvi falar, mas aparentemente existe e tem peso na área da construção automóvel, anunciou a aprovação de uma ligação para recarregar carros elétricos normalizada.

Aparentemente por enquanto é só válida nos Estados Unidos da América, mas esperemos que chegue até aos nossos lados ou pelo menos que se decidam em relação a uma na Europa.

Isto pode parecer irrelevante, mas a principal razão pela qual não comprei a mota elétrica foi mesmo por causa da autonomia. Até conseguia ir até ao trabalho, mas voltar já era outra conversa.

Com esta normalização, estas questões podem deixar de existir pois os postos de abastecimento nos locais de estacionamento deixaram de ter de se preocupar em ter múltiplas fichas, nenhuma das quais poderá ser a que servia o nosso veículo.

30º gráfico: o das Receitas Correntes do Orçamento de Estado de 2013, dos Gráficos com os dados da Autoinforma e dos truques dos hipermercados

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana falamos de alguns truques menos claros dos hipermercados para convencer os clientes que estão a usufruir de uma promoção movendo os preços ao longo do tempo.

Agradecemos à Autoinforma os dados que disponibilizou para gerarmos o gráfico de compra de motociclos e voltamos a perseguir os Mapas dos Orçamento de Estado de 2013, desta feita os das Receitas Correntes. Falamos das dificuldades de usar os dados nos ficheiros, da manualidade associada aos gráficos que estamos a gerar da proposta de Orçamento de Estado para 2013 e pedimos ao Ministro Vitor Gaspar que nos empreste os ficheiros dele para torturarmos os números.

Podem aceder aqui à lista completa de episódios do Podcast. O Podcast do Poupar melhor está também no iTunes.

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Quantas motas se compraram

Vendas de motociclos entre Janeiro de 2011 e Setembro de 2012

Vendas de motociclos entre Janeiro de 2011 e Setembro de 2012 por @designerferro

Agradecendo desde já a gentileza da Autoinforma, podemos dizer-vos que a venda de motociclos, depois de toda a publicidade, poderá ter aumentado, mas nada que para já a quantidade de dados com que gerámos o gráfico nos permita fazer uma análise muito complexa. Os dados para o gráfico estão partilhados no Google Drive.

Com os preços dos combustíveis a aumentar porque sim e porque não, e com as greves a acontecer dia sim dia não, quem quer ir trabalhar e voltar para casa sempre a horas não teve outro remédio que não fosse comprar um motociclo.

Embora o gráfico demonstre que em Julho de 2012 as vendas ultrapassaram a linha das 2100 unidades vendidas, a verdade é que não sabemos se os motociclos vendidos foram para recreio ou para deslocações para o trabalho. O que é de notar é que se venderam bastante mais motociclos entre os 50cc e os 125cc do que com maior cilindrada.

Um motociclo de 125cc é essencialmente para andar na cidade, mas ter aquela potência adicional às 50cc sem ter de tirar uma licença de condução para motociclos com mais de 125cc. Isto aponta para que os portugueses se estejam a desenrascar e a resolver os seus problemas de deslocação com muita força de vontade e espírito de aventura do que lhes é apontado, investindo em meios de deslocação alternativos.

É pena que estas motas todas não sejam elétricas. Eu sei que preferia não estar dependente das variações dos custos de combustível porque faço bastantes kilometros por dia, mas quem circula dentro da cidade pode pensar no motociclo elétrico pois a autonomia será suficiente.

Regressões Lineares e outliers

Multiplicadores e ouliers por A.Sousa

Multiplicadores e outliers por A.Sousa

A semana passada evidenciámos como os gráficos podem ser “entendidos” para fazerem passar determinadas conclusões, ou popularmente “torturar os números até que digam o que queremos”. Nesse gráfico foi utilizado o método de regressão linear, que permite aproximar a uma reta um conjunto de pontos. Este método é, todavia, muitas vezes pouco utilizado, porque, supomos nós, a maior parte das pessoas os considere de difícil cálculo.

Já várias vezes podíamos ter utilizado regressões lineares aqui no Poupar Melhor, mas nunca se propiciou. Quando falamos da evolução de temperaturas, da evolução dos juros, ou doutras variações de valores, podemos facilmente utilizar este método. Todavia, esta semana, em função da troca de ideias que mantemos entre os autores do Poupar Melhor, resolvemos demonstrar a utilização do método da regressão linear no âmbito da polémica do multiplicador do FMI.

O problema é descrito originalmente neste documento do FMI, páginas 61 a 63 do PDF (agradecimentos ao @JotaNR que nos facilitou a vida, apontando-nos diretamente aos factos). Os dados originais da Figura 1.1.1 estão neste link. Depois de meter os dados na nossa folha de cálculo (Ver Google Drive), é fácil criar um gráfico animado que demonstra a variação da reta com base na remoção dos valores anormalmente diferentes da maioria.

Cada um dos gráficos é um gráfico XY (Scatter) gerado pelo OpenOffice Calc. Depois, é só carregar com o botão direito do rato nos pontos do gráfico, e seleccionar “Insert Trend Line“. Selecciona-se o tipo “Linear”  com “Show equation“… Et voilá. Já têm um gráfico com a regressão linear, e correspondente multiplicador do FMI, que é o valor que se observa no coeficiente de x.

Para fazerem a animação que facilita o entendimento de toda esta discussão, os gráficos gerados são depois exportados em formato de imagem para ficheiros separados. Fazem o upload para um site de geração de imagens animadas como o makeagif.com e geram a animação em menos de 2 minutos.

A interpretação dos factos registados deve levar em linha de conta se dos factos recolhidos existem alguns que se distanciem especialmente da maioria dos registos. Estes podem ocorrer por acaso, mas também por um erro/falha do processo de recolha ou mesmo por um erro/falha na teoria. A interpretação dos dados sem a remoção destes outliers pode levar a erros de análise que se pagaram pelas decisões mal tomadas que forem suportadas nos mesmos. Assim, como exercício, gerei as variações na animação com base nas seguintes notas:

  1. Ninguém se quer comparar com a Grécia;
  2. A Alemanha aqui também parece ser um caso à parte… e
  3. A Roménia o que faz no gráfico?

A utilização destes outliers já foi questionada em artigos especializados, nomeadamente do Financial Times. No artigo “Has the IMF proved multipliers are really large?” questiona-se a robustez da análise do FMI, enquanto no artigo “Robustness of IMF data scrutinised” essa robustez é claramente escrutinada, equacionando-se por exemplo porque foram retirados países como a Nova Zelândia, Estónia, Letónia e Lituânia. Ambos os artigos são apenas visíveis mediante registo, mas é possível fazê-lo gratuitamente. Como bónus, eles dão uma folha de cálculo com mais dados que os nossos, e uma imagem elucidativa. Com os dados do FT, ou com os que deixamos acima, ficam preparados para que possam dar uma vista de olhos, e “torturar” o método, que afinal está ao alcance de todos para facilitar o entendendimento destas questões complexas.