Variação custo dos combustíveis em função dos períodos de férias escolares

Variação do custo da gasolina por @designerferro

Variação do custo da gasolina por @designerferro

Do registo sistemático que faço dos consumos de gasolina fica também registado o custo da gasolina, mas isto já não é novo.

No gráfico aqui apresentado estão assinalados os abastecimentos feitos na mota fora da bomba de gasolina mais barata, mais concretamente o primeiro em Lisboa e os outros dois junto ao mês de Junho numa bomba de gasolina com promoção cruzada.

Ao observar o gráfico, podemos ver que a curva tende para subir junto aos períodos de férias, algo não relacionado com as subidas do custo do petróleo.

Assim, enquanto as notícias apontam para outras coisas, a minha ideia é que as coisas para as quais deveriam apontar são um bocado mais próximas de nós, como seja os nossos hábitos de consumo.

Carga térmica

Em artigos anteriores, abordamos como a utilização de ventoinhas não foi particularmente benéfica nas nossas férias, bem como a observação que fizemos da variação das temperaturas no chão e tecto da sala. Nos dias seguintes das férias, optei por deixar os termómetros, um na sala, e outro no quarto, ambos a cerca de 80 cm de altura.

A evolução das temperaturas é visível no gráfico abaixo. A curva a azul representa a temperatura do quarto, enquanto a curva a vermelho representa a da sala. A temperatura da sala foi constantemente superior, sobretudo porque está voltada a sul, enquanto o quarto está voltado a norte. Acresce que a corrente de ar que se estabelecia na habitação entrava pelo quarto e saía pela sala, o que significa que o quarto arrefecia, de forma notória, mais rapidamente.

Aquecimento derivado de carga térmica

No gráfico estão visíveis os momentos em que as janelas foram abertas para criar uma corrente de ar, bem como os momentos em que as mesmas janelas foram fechadas, antes de deitar. Na verdade, entre esses dois momentos, elas foram abertas e fechadas algumas vezes, resultando nas oscilações visíveis, mas não documentadas no gráfico. Durante o dia 24, a casa esteve basicamente fechada, e daí a estabilidade das temperaturas. É importante realçar que se registou igualmente uma descida das temperaturas exteriores no período analisado.

O mais interessante é verificar que, depois de fechadas as janelas e terminada a corrente de ar, as temperaturas voltam a subir, praticamente à mesma velocidade que desceram, apesar das temperaturas exteriores continuarem a descer. Tal explica-se pelo conceito de “carga térmica”, e que consiste basicamente na libertação do calor acumulado, neste caso, essencialmente nas paredes.

Em ambos os dias, a temperatura alcançada durante a madrugada é apenas ligeiramente inferior à registada durante o dia. Mesmo quando o período de circulação de ar foi substancial! Na verdade, são muitos os factores que podem condicionar esta evolução, e dificultar o estabelecimento de temperaturas mais confortáveis no Verão, na ausência de sistemas de ar condicionado. Por isso, iremos continuar a referenciar este conceito, tão importante no Verão, mas obviamente também no Inverno…

DECO exige retirada das Ecobolas do mercado

Quando me apontaram na direcção desta notícia, nem queria acreditar! A razão para a minha estupefacção vem mais abaixo, mas vamos ao que interessa: a DECO fez um estudo a uns produtos, designados genericamente por “Ecobolas”, e concluiu que “não lavam, nem poupam“. Vai mais longe, e determina que as “bolas ecológicas para lavar roupa e loiça devem ser retiradas das lojas“.

Enquanto lia a notícia do Público, a minha estupefacção ia aumentando. Sobretudo quando li o seguinte parágrafo, que me provocou um autêntico deja-vu, de cerâmicas, hidrogénios e oxigénios:

As cerâmicas naturais permitem, em conjunto com os ímanes contidos na Ecobola, que durante a lavagem o hidrogénio e o oxigénio da água se separem, permitindo uma maior penetração da água no tecido e consequente remoção de sujidade.

A DECO denunciou a situação à ASAE, DGC e ICAP, como Rita Rodrigues, das relações institucionais da DECO PROTESTE, no vídeo abaixo justifica:

Comparar os custos dos combustíveis com outros países, a circular no Facebook

Margens do combustível no Facebook

Margens do combustível no Facebook

Porque prever o custo do combustível é uma das grandes dificuldades na gestão do orçamento doméstico, o assunto interessa-me sempre.

Quando se começa a discutir como é que este flutua, há sempre quem fale do custo do petróleo, dos malandros das petrolíferas e dos pilhos do Estado que o incham de impostos.

Até hoje ouvia, e até participava destas discussões, tentando dizer que não era bem assim ou que podiam sempre poupar combustível de muitas maneiras para não serem afetados pela sua variação constante, mas a partir de hoje, e depois disto, passo a alinhar no clube dos que dizem que aqui há gato.

O que me suscita a dúvida vem da imagem que andava a circular no Facebook e de eu próprio ter constatado algo estranho nos valores de comparação visíveis  na captura de imagem abaixo do site onde estes dados estão agregados.

fuelprice @energy.eu

fuelprice @energy.eu

Os dados são do site www.energy.eu, que só por si já era digno de um post próprio, mas reparem no preço do combustível em Portugal, esse país riquíssimo, muito ao nível da Finlândia.

Reutilização de manuais escolares

Logo de reutilizar.org

Ontem, quando respondia ao Mário Duque, neste artigo, divaguei nos meus pensamentos uma vez mais sobre os elevados custos dos manuais escolares. Apesar dos descontos disponíveis no Jumbo e Continente, e certamente em mais locais, a verdade é que continuam a ser um fardo bem pesado para a grande maioria das famílias portuguesas…

Sempre fui um defensor de que os livros da sabedoria deviam ser reaproveitados, e não ficar praticamente esquecidos nos quartos dos nossos filhos. Lá em casa, os dois miúdos estão distanciados por apenas dois anos, na mesma escola, mas não se reaproveita um único livro! Muitos pensam assim, como já referenciamos anteriormente. O que dava jeito, pensei novamente, era conseguir arranjar um esquema para efectuar essa partilha…

O que encontrei surpreendeu-me, muito pela positiva! É o reutilizar.org – Movimento pela reutilização dos livros escolares. Segundo o próprio site, é “um movimento informal de cidadãos que promove a criação e divulgação de bancos de recolha e troca gratuita de livros escolares em todo o País“. Há provavelmente um banco perto de si. Tem tido um merecido aparecimento nos Media, e a página do Facebook regista novidades frequentes. Nós já encomendamos os livros cá em casa, mas vou procurar contribuir. Contribua também!

Variações de temperatura numa sala no Verão

A semana passada havíamos referenciado como a utilização de uma ventoinha numa casa quente do Algarve não havia dado grandes resultados. Nos dias seguintes, utilizei os termómetros para registar mais algumas experiências de arrefecimento passivo da casa. Uma das experiências foi observar a variação da temperatura da sala, junto ao chão e ao tecto. Já anteriormente havíamos observado que as temperaturas junto ao tecto são superiores, bem como havíamos analisado a variação das temperaturas no fundo e topo da cozinha, na presença também de correntes de ar.

Na imagem abaixo, a curva a vermelho representa a temperatura junto ao tecto, enquanto a curva a azul representa a temperatura junto ao chão da sala, em cerca de 24 horas, com uma temperatura exterior relativamente elevada. Em ambos os casos, as temperaturas foram superiores às do quarto, facto compreensível, dada a circunstância de a sala estar virada a sul. As duas curvas registam uma evolução não muito diferenciada. Em particular, regista-se uma diminuição de temperaturas na saída de casa a meio da tarde, uma subida forte no regresso a casa, e uma diminuição com a criação da corrente de ar.

Temperaturas no chão e no tecto de uma sala no Verão

Mas, o que mais me chamou a atenção neste gráfico foi a evolução das temperaturas durante a parte final da madrugada e início da manhã. Nesse período, e enquanto a temperatura junto ao tecto se manteve estável, a temperatura junto ao chão iniciou uma subida bastante linear. A subida tornou-se ainda maior a meio da manhã, afectando ambas as curvas, mas a culpa aí foi da actividade humana…

Embora não tenha entendido a razão para esta discrepância nas variações das duas curvas, a verdade é que se verificou uma diminuição da estratificação térmica. E tal é sempre positivo, pois grandes diferenças de temperatura dentro de uma mesma divisão não são desejáveis.