Paralelizar o tempo

Uma forma interessante de poupar tempo é paralelizar tarefas. Tal significa fazer mais que uma coisa ao mesmo tempo, o que requer alguma habilidade e planeamento. Paralelizar não é fácil, mas o sucesso em outros domínios, como o da computação, permite grandes ganhos.

Paralelizar é algo a que nos habituamos em termos domésticos. Enquanto se cozinha algo no forno, por ex., outras tarefas podem ser executadas. Tal é um exemplo de paralelização óbvio, tão óbvio, que muitas vezes não fazemos a associação.

Uma estratégia possível é a de manter uma lista de tarefas de execução relativamente longa, e que requeiram pouca interacção, para ir executando no meio das nossas tarefas normais. Tal é válido em termos pessoais, como profissionais. Alguns exemplos pessoais incluem a audição de podcasts no carro enquanto conduzo, a execução de tarefas rotineiras enquanto estou ao telefone, ou a elaboração de um post do Poupar Melhor, enquanto passa um qualquer programa menos interessante na Televisão…

Tenha em atenção que a paralelização de tarefas implica um esforço cerebral adicional. Pode mesmo ser perigoso quando efectua uma tarefa que exige atenção, como é o exemplo da condução. Por isso, não faça como o Mr. Bean, aperaltando-se no carro a caminho do dentista, na célebre sequência cómica, que pode revisitar de seguida:

Colocação dos radiadores

A discussão da colocação dos radiadores, para efeitos de aquecimento, é um tema acalorado nos fóruns da especialidade. Há basicamente duas grandes opções: a colocação dos radiadores por baixo das janelas, ou então na parte oposta às janelas, numa parede interior. No nosso caso, os radiadores são inamovíveis, e por isso a melhoria da eficiência passa por outras técnicas. Mas para outros, o aquecimento faz-se com equipamentos portáteis, e nesses casos, esta análise pode ser particularmente interessante.

Na grande maioria das habitações, a escolha da colocação é por baixo das janelas. Há duas grandes razões, sendo que a primeira é de natureza funcional, dado que é um local da habitação onde normalmente não se vai colocar nada. Nesse sentido, não se ocupa potencial espaço valioso para colocar um móvel, por exemplo. A outra razão advém da experiência de países nórdicos, onde se constata que esta solução torna o espaço aquecido mais confortável ao reduzir as correntes de ar.

Na verdade, como o calor sobe, e o ar frio desce, a colocação de um radiador sob a janela “corta” a entrada de ar frio, não se verificando a ocorrência de correntes de ar derivadas do efeito de convexão. A colocação de um radiador numa parede interior, faz com que o ar quente suba nessa parede, e condense junto da parte mais fria da habitação, quase sempre a que tem a janela e parede exterior, fazendo com que o ar frio percorra a habitação entre essa parede/janela e o aquecedor, criando a tal corrente fria.

A colocação de um radiador na parede interior é mais interessante do ponto de vista calorífico, se a tal vertente do conforto for minimizada. O calor não se desperdiça tanto, pois quando colocado junto de uma parede externa, obviamente uma parte maior do calor é perdida em transferências pela parede/janela. A colocação numa parede interior retira ainda funcionalidade ao espaço, pelo que muitas vezes é colocado atrás das portas.

Na minha opinião, o factor fundamental que diferencia estas duas opções, está relacionado com os níveis de isolamento térmicos do espaço. Se este isolamento for bom, e as fugas de calor estiverem anuladas, então a colocação numa parede interior não criará diferenciais de temperatura substanciais, minimizando as correntes de ar frio. Noutros, e na maioria dos casos, se os radiadores estiverem por baixo das janelas, certifique-se que o calor não foge para onde não deve.

Da experiência cá de casa, o que observo é que a sala é de longe a habitação que aquece mais depressa, sendo a única onde o radiador está na parte oposta às janelas. Apesar dos radiadores do quarto terem a mesma dimensão, e dos quartos serem muito mais pequenos. Mas este é um tema onde a experiência dos leitores que têm radiadores portáteis pode ser muito interessante. Contem-nos essas experiências!

A ciência de contar o tempo

Poupar tempo é um dos aspectos que mais valorizo. É um dos aspectos em que muitas vezes pensamos, mas poucas vezes paramos para pensar como ele é contado. Todos confiamos nos nossos relógios, mais ou menos acertados, e são eles que nos permitem gerir melhor o tempo que passa.

Para todos aqueles que queiram saber mais sobre a forma como o tempo é contado, recomendo vivamente este documento. Ele evidencia-nos muitos pormenores, que muitas vezes desconhecemos sobre a contagem do tempo. Descreve-nos como foi contado ao longo da História. Como é que a contagem do tempo foi ganhando cada vez mais precisão. Porque o tempo astronómico é distinto do tempo que os nossos relógios mais precisos contam, e porque temos que acertar mesmo os mais precisos relógios atómicos. E muito mais…

Recomenda-se vivamente a sua leitura, num contexto de mudança que se avizinha. Por um lado, na vertente da mudança da hora, como recentemente referimos. Por outro, porque se debate o que fazer aos leap-seconds, o que será votado no próximo mês de Janeiro, e que poderá introduzir uma reforma substancial na forma como se conta o tempo…

Aquecimento com radiadores

Quando o aquecimento das nossas casas é efectuado por radiadores de parede, há um conjunto de técnicas que devemos seguir para maximizar a sua eficiência. Em primeiro lugar, todos os anos, antes de ligar o aquecimento, devemos purgar os radiadores. Tal consiste em retirar o ar que exista dentro do circuito, e que torna o processo de aquecimento mais ineficiente.

Outra acção que se deverá fazer anualmente é limpar o interior dos radiadores. Eles acumulam bastante pó, o que impede a circulação do ar, e minimiza o aquecimento por convecção. A primeira vez que fiz isso aos meus, fiquei impressionado: o volume de ar quente depois da intervenção era muito maior!

Também essencial é não colocar nenhum objecto que obstrua o funcionamento dos radiadores. A existência de um móvel, ou de uma simples cortina a tapar o radiador, diminui significativamente a sua eficiência.

Equipamentos que não poupam combustível

Num mundo em que os combustíveis são cada vez mais caros, surgem facilmente vendedores da banha da cobra, a dizerem que têm uma solução milagrosa para o problema. O caso do Molecoiso surge-nos por intermédio de um amigo, que solicitou a nossa impressão, depois de o ter visto à venda num site de classificados. Nesse site há dois links, um para este site que parece promover directamente o produto, e outro para uma página do Facebook, onde tem alguns testemunhos. Daí até o que é a página oficial do produto em Portugal, é um passo.

O problema destes produtos é que exageram na poupança que reclamam… A primeira impressão logo que vi o anúncio de poupança de “até 20% no combustível” foi a de “porque é que os construtores ainda não se lembraram disto“? Uma pesquisa rápida na Internet revela que até em Portugal já se descobriu que é banha da cobra. Outros utilizadores que o experimentaram chegaram à mesma conclusão. Mas testes efectuados por um site da especialidade revela que este produto, tal como outros, não aquece nem arrefece.

Mas, o mais giro, é ir à página do fabricante, e ver que o produto “Molecoiso Fuel Saver” já foi descontinuado. Porque será, se é assim tão bom?

Vale a pena substituir o frigorífico?

A substituição de um frigorífico velho por um novo representa potencialmente uma grande poupança de energia. A pergunta que muitas vezes se coloca é, se vale a pena substituir um equipamento operacional, por um novo. A resposta pode estar nas seguintes contas.

A classe de eficiência energética dos frigoríficos foi originalmente definido pela Directiva 94/2/CE que definiu as classes A a G. Posteriormente, a Directiva 2003/66/EC definiu adicionalmente as classes A+ e A++, e o Regulamento Delegado Nº 1060/2010 da Comissão definiu a classe A+++. Para cada classe, há um nível de eficiência energética. Os dados seguintes são os referenciados pela ADENE, mas adequados aos custos actuais do kWh (cerca de 0,16€, já com IVA). Repare-se que os valores indicados para consumo e custo de energia são de 15 anos:

Classe Índice de eficiência energética Consumo de energia em 15 anos (kWh) Custo económico em 15 anos Poupança na substituição por um produto de classe A+++
A+++ <0.24 2365 378.4
A++ 0.24-0.3 2956 472.96 94.56
A+ 0.3-0.42 4139 662.24 283.84
A 0.42-0.55 5420 867.2 488.8
B 0.55-0.75 6405 1024.8 646.4
C 0.75-0.90 8130 1300.8 922.4
D 0.90-1.00 9855 1576.8 1198.4
E 1.00-1.10 10347 1655.52 1277.12
F 1.10-1.25 11579 1852.64 1474.24
G >1.25 12318 1970.88 1592.48

O valor de poupança é igualmente a expectável ao fim de 15 anos. É fácil perceber que só compensará verdadeiramente para frigoríficos ineficientes. De uma forma geral, os frigoríficos anteriores a 1993 devem ser os primeiros candidatos a serem substituídos. Para os restantes, não se esqueçam de implementar primeiro as dicas que sugerimos sobre a minimização de consumos no frigorífico, o que vos permitirá alguma poupança, e adiar a troca por um mais eficiente.