Subredes numa ligação da NOS

Há muito tempo que tinha previsto separar a rede de casa em várias subredes. A proliferação de equipamentos, e certamente as boas práticas em termos de segurança, sugerem que não se misturem telemóveis, IOTs, computadores, e outros equipamentos. A rede era uma coisa muito controlada por mim, e por isso nada de WiFi para visitas, e coisas do género, o que me merecia algumas críticas…

Este fim de semana meti mãos à obra. Com os conhecimentos que tinha, devia ser uma coisa simples. Munido de um router simpático, comecei a configurar tudo, com várias redes internas separadas. A meio da coisa, resolvi começar a ligar à Internet, para começar a testar. Fui aí que descobri que o router da NOS não suporta este tipo de ideias…

Percorri vários foruns, e a ideia estabelecida é a de que tal não é possível. A única forma é a de utilizar o router da NOS em modo bridge e utilizar outro router para substituir o da NOS. A partir daí, fica limitado apenas às capacidades desse router. Por várias razões, não queria ir por aí, pelo que continuei a insistir, até descobrir uma solução (quase perfeita).

A solução passa por utilizar a funcionalidade de subrede nas “Definições” de “Rede Local” do router da NOS. Não consegui encontrar documentação detalhada desta funcionalidade, mas a verdade é que não procurei quase nada. Parece ser que o router cria uma sub-interface com o IP definido em “Gateway de sub-rede”, com a correspondente “Máscara de Sub-Rede”:

Subredes no router NOS

Tal possibilita que o router passe a saber que existe uma subrede adicional à da rede principal do router NOS. Note-se que o router NOS não suporta o conceito da rota estática (“static route”), pelo que a opção que eu acabei por fazer foi englobar toda a restante rede interna dentro da subrede 192.168.1.0/24, subdividindo-a posteriormente no meu router em várias subredes separadas. Admito, porque não testei, que se possam adicionar subredes adicionais no router NOS.

A configuração anterior não faz com que uma configuração tradicional funcione. Não existindo o conceito de rota estática, o router NOS pensa que os dispositivos da rede 192.168.1.0/24 estão directamente acessíveis. O router NOS não sabe, nem se lhe consegue dizer, qual é o endereço IP do nosso router interno! Por isso, quando tenta contactar com um dispositivo da rede 192.168.1.0/24, tem que enviar um pedido ARP para resolução do correspondente endereço MAC.

E é aqui que esta solução que encontrei deixa de ser óptima. Para que funcione, o nosso router tem que suportar algo chamado “Proxy ARP”: fazer-se passar pelos endereços IP da rede 192.168.1.0/24. Aí, o router NOS pensa que encontrou o endereço MAC do endereço IP com o qual está a tentar comunicar, mandando assim o pacote para o nosso router. Este, depois de receber o pacote, já sabe o que fazer…

Esta é uma solução um pouco rebuscada, e que terá alguns problemas de segurança. Dependerá sobretudo da forma exacta com que o nosso router implemente o “Proxy ARP”, algo que continuarei a investigar de seguida.

Previsões do IPMA

Neste artigo, fizemos uma análise às previsões do fim de semana de meados de Outubro, quando grandes fogos tiveram um impacto devastador no nosso Pais. Na altura decidi que iria fazer uma análise adicional às previsões de precipitação que eram feitas pelo IPMA.

Desde então, tenho seguido o site do IPMA todos os dias, e nas duas últimas semanas, têm sempre anunciado chuva para dali a uns dias. O problema é que nunca mais chove! A análise que se segue é relativa a Lisboa, mas cenário semelhante parece ter ocorrido para grande parte do resto do País. Os dados observados foram analisados ontem, pelo que dizem respeito às previsões até ao final da tarde de ontem, 20 de Novembro.

Para uma compreensão dos seguintes parágrafos, é necessário clicar na imagem, para ver o seu detalhe. Mesmo assim, na maior parte dos browsers será necessário clicar outra vez para ampliar. Note-se que as imagens têm uma grande dimensão!

Todas as horas observamos as previsões do IPMA para os dez dias seguintes, começando a 5 de Novembro. Em cada uma dessas horas foi construída uma coluna no gráfico abaixo. Para cada uma dessas horas, há previsões para os seis dias seguintes com uma resolução de três horas, com mais quatro dias de previsões com uma resolução de 24 horas. Tal faz com que no fundo dos dados de cada coluna haja valores em branco. Como é fácil de verificar se se observar o detalhe dos dados, as previsões do IPMA são feitas a cada doze horas, ao início da manhã, e ao início da noite.

Os valores observados no gráfico são relativos à probabilidade de precipitação. Para uma interpretação rápida dos dados, colocamos um fundo a cyan quando a probabilidade se encontrar entre 1% e 32%, um azul leve para uma probabilidade entre os 33% e 66%, e finalmente um azul mais escuro entre os 67% e os 100%:

Tomando a primeira coluna como exemplo, vemos que ela foi observada pelas 00:41 de dia 5 de Novembro. A essa altura, o IPMA previa 2% de probabilidade de precipitação para as primeiras horas de dia 9 de Novembro e para as últimas seis horas do mesmo dia 9. Previa ainda 2%, 6%, 2% e 2%, para os dias 10, 11, 12 e 13, respectivamente. À medida que vamos avançando nas colunas para a direita, vemos que os “azuis” vão afundando. Isso significou que, primeiro, as previsões anteriores de precipitação se iam esfumando, enquanto se voltava a apresentar possibilidades de precipitação mais distantes no tempo. As percentagens vão subindo, com as previsões efetuadas por exemplo na manhã do dia 11 de Novembro, a apontarem mais de 40% de probabilidades de chuva para a passada sexta-feira, dia 17 de Novembro, que sabemos ter sido um dia de sol radioso em Lisboa…

Interessante é igualmente fazer a análise na horizontal. Para além dos blocos iguais de 12 em 12 horas, assiste-se quase sempre a uma redução das probabilidades de precipitação, até atingirem os 0%… É aí que a chuva se esfuma?

A probabilidade de precipitação não deixa de ser um conceito interessante. Já me perguntei o que significará, por exemplo, uma probabilidade de 2% de chuva num dia? O IPMA vai todavia mais longe, e diz-nos qual a classe de intensidade da precipitação prevista, categorizando como fraca, moderada e forte. Estas outras previsões estão documentadas no outro gráfico abaixo. Os valores são de 1, 2 e 3, sendo que para o valor 1 colorimos o gráfico com cyan, para o valor 2 colorimos com um azul leve, e para o valor 3 colorimos com um azul escuro.

Note-se que o gráfico abaixo é um subconjunto das previsões anteriores, começando no dia 10 de Novembro. O gráfico é maior, porque neste domínio o IPMA dá uma resolução horária para os dois/três primeiros dias, seguindo-se uma resolução de 3 horas para os três dias seguintes, e resoluções de 24 horas para os dias restantes. Note-se que nesta variável, existem previsões que variam fora de intervalos de doze horas, a sugerir que os algoritmos serão distintos.

Previsão IPMA

Como é fácil de observar, também aqui a chuva se esfuma. Desde o dia 10 que há previsões de chuva para Lisboa, com as primeiras a terem sido também previstas para o dia 17, neste caso numa previsão ao final de dia 10 de Novembro. Nos dias subsequentes, as chuvas foram sendo sucessivamente adiadas, sem nunca se concretizar.

Eventualmente, sabemos todavia que irá chover. E aí provavelmente será proclamado que se havia previsto precipitação para essa ocasião. O problema é que se anda a prever que chova há muito mais tempo. E essas más previsões têm tido impacto naquilo que eu faço, e concerteza nos decisores, que se veêm a braços com situações complexas de falta de água, e que também, já devem estar “cheios” destas previsões falhadas…

Cheias.pt

@Tomahock, autor do site Fogos.pt já aqui referido por nós, tem uma nova ferramenta do mesmo tipo, mas agora para cheias. Chama-se Cheias.pt e mostra num mapa as ocorrências de cheia registadas pela Proteção Civil.

O site recorre aos dados disponibilizados na Página da Proteccção Civil Portuguesa para apresentar de forma rápida os mesmos dados.

Previsões do IPMA na linha da frente!

Este fim de semana foi um bocado atípico. Sabia pelas previsões de tempo que vinha aí a chuva. Nesse sentido, preparei-me fazendo limpezas e mais algumas coisas de prevenção. As previsões que vira durante o Domingo, levantavam-me todavia uma grande dúvida: segundo o IPMA, a chuva ia começar na madrugada de segunda-feira, e ía ser forte durante essa mesma madrugada, chovendo durante o resto do dia. Mas, segundo o site do IST, site que utilizo em vários contextos, a chuva só começaria mesmo ao final do dia de segunda-feira!?

Não liguei muito ao assunto. Afinal, estava numa de prevenção pessoal.

Ontem, de manhã, quando acordo, fiquei surpreendido em ver o chão seco! Aliás, algo que tinha que fazer antes de ir para o emprego, ficou logo com planeamento confuso. Mas, a vida prosseguiu…

A caminho do emprego, quando ouço as notícias, e vejo as desgraças associadas aos fogos florestais, e ao facto de eles se manterem, fez-me associar que talvez também não tivesse chovido no resto do País.

Uma consulta rápida ao telemóvel permitiu-me constatar que a página do IPMA do dia anterior não desaparecera ainda:

Previsão do IPMA ao final de Domingo

A pensar nas previsões do IST, tirei também logo um printscreen da previsão da manhã. Como podem ver, a previsão então era que começasse a chover ao início da tarde:

Previsão do IPMA ao início da manhã de ontem

Não tardou muito para que a chuva levasse outro chuto, neste caso de 6 horas:

Previsão do IPMA a meio da manhã de ontem

Entretanto, lembrei-me de ir ver se estava efetivamente a chover, ou não. As imagens do radar do IPMA diziam que sim:

Quando de seguida fui ver quantos mm de chuva tinha efetivamente chovido, qual não é a minha surpresa com a quase totalidade ausência de chuva???

Chove, não chove, talvez chova? Enfim, há muito a investigar neste IPMA.

Não é preciso pesquisar muito na Internet para descobrir que estas previsões são possíveis porque o IPMA adquiriu em 2014 o supercomputador P7, que custou uns módicos 800.000,00 euros, e que produz estas previsões que a Ministra Assunção Cristas na altura dizia colocarem o IPMA “na linha da frente”…  As mesmas previsões que permitiram induziram ao Primeiro Ministro a dizer ante-ontem, dia 16 de outubro, ( pelas 02:30 da madrugada que “as previsões da evolução meteorológica podem permitir alguma esperança nas zonas do litoral”. Foi o que se viu… As primeiras chuvas só chegaram ontem pouco antes das 22 horas.

(Revisto dia 18 de outubro de 2017)

Energia consumida a minar bitcoins

Os bitcoins são um tema a que nos referimos aqui no Poupar Melhor há já uns anos. Num primeiro artigo abordamos uma calculadora de retorno de investimento para Bitcoin, e noutro abordamos os perigos associados à utilização do Bitcoin. Muita coisa mudou desde então…

Ainda em 2013, o site Blockchain calculou que minar Bitcoins a nível mundial consumiria qualquer coisa como quase um GWh de energia por dia, o que dará uma potência de energia na ordem dos 40 MW! Um autor da Bloomberg já então dizia tratar-se de um autêntico desastre amibiental

Há cerca de uma semana, um artigo do IEEE chamou-me a atenção para as evoluções neste domínio. O artigo é muito interessante porque contém um conjunto de ligações e informação muito úteis. Como a imagem seguinte, que relaciona os custos de energia, receitas, e tecnologias usadas na minagem de bitcoins:

Bitcoins, custos, receitas, & tecnologias utilizadas

O artigo revela que a potência utilizada já irá nos 500 MW, cerca de 12 vezes mais que há uns anos atrás, apesar do aumento exponencial de eficiência, conforme é visível na imagem acima. Para se ter uma noção do consumo, representará cerca de 1/8 da energia consumida durante os períodos de vazio de um fim de semana em todo Portugal!

É claro que muita desta minagem ocorre em locais onde o preço da electricidade é baixo, pelo que esqueçam fazê-lo em Portugal… E esqueçam qualquer ideia de fazê-lo com energia solar. A escala da minagem é avassaladora. Vejam este datacenter da China, que sozinho necessitará de uma potência até uns 135 MW de electricidade. A loucura é tão grande que aviões Jumbo são utilizados pelos “mineiros” para transportar os últimos avanços da tecnologia. E embora a notícia seja especificamente para o Ethereum, na verdade as diferenças para com os Bitcoins não será muito diferente… Se lerem tudo em detalhe, ficarão sem qualquer motivação que pudessem ter para minar…

Quanto CO2 de fogos forestais em Portugal/2017 ?

No final de Julho, neste artigo, levantara a questão de quanto CO2 terá sido emitido pelos fogos florestais em Portugal? É uma pergunta digna do Frei João sem Cuidados, mas à qual tentarei dar uma primeira resposta.

Vamos primeiro a alguns pontos:

  1. A fase Charlie terminou este ano com mais de 230 mil hectares de área ardida.
  2. Segundo contas da Agência Portuguesa do Ambiente, os 128 mil hectares de mato e floresta que arderam em Portugal, até 31 de Julho, foram responsáveis pela emissão de 2,9 megatoneladas de dióxido de carbono equivalente.
  3. Segundo contas da Quercus em 2010, 70 mil hectares de floresta e mato ardidos em parte de 2010 representaram a emissão para a atmosfera de um milhão de toneladas de CO2 equivalente, o mesmo que 29 milhões de automóveis a viajarem de Lisboa ao Porto.
  4. De acordo com dados da Pordata, Portugal emitiu em 2014 qualquer coisa como 59.5 megatoneladas de dióxido de carbono.
  5. Segundo dados da Brisa, o Tráfego Médio Diário na A1 é de 27517 automóveis.

Depois destes considerandos, é fácil chegar a mais alguns pontos:

  1. Pelo ponto 1 e ponto 2, os 230 mil hectares de área ardida terão correspondido a (230/128)x2.9 = 5.21 megatoneladas de dióxido de carbono equivalente.
  2. Pelo ponto 6 e ponto 4, as emissões de CO2 dos fogos florestais aproximar-se-ão este ano de 10% do total das emissões do País.
  3. Pelo ponto 3 e ponto 6, o CO2 resultante dos fogos florestais corresponderá a 5.21×29 = 151 milhões de automóveis a viajarem de Lisboa ao Porto.
  4. Pelo ponto 8 e ponto 5, as emissões de CO2 dos fogos florestais deste ano em Portugal correspondem às emissões dos automóveis da A1 durante 151M/(27517×365) = 15 anos

Da próxima vez que ouvir alguém a queixar-se das emissões de CO2, ou das emissões de CO2 dos automóveis, vou tentar lembrar-me quão mais importante não seria estarmos a cuidar da nossa floresta…