144ª lei: a do pico de Hubbert para o petróleo

Podcast do Poupar Melhor

Esta semana falámos sobre as previsões que são sempre a subir e como um senhor chamado Hubbert veio apresentar uma curva que previu o declínio da produção de petróleo. Terminamos a analisar como o Fracking veio estragar as contas ao senhor Hubbert.

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Cobrar mais cedo

Há técnicas imbatíveis que algumas empresas efectuam, e que passam muitas vezes despercebidas…

No caso que tenho em mãos, de um operador de telecomunicações, deu-lhes para começar a exigir o pagamento 10 dias antes… Como podem ver na imagem abaixo, quando dantes era exigido o pagamente até o dia 15 de cada mês, passou a ser exigido 10 dias antes!

Neste caso, o que observei nas facturas é que a data limite de pagamento ainda está dentro do período em que é facturado. Mas, quem sabe, até onde eles poderão esticar a corda?

Cobrando mais cedo

Cobrando mais cedo

Exercícios a voar

Quando voamos, todos temos a noção de que deveremos exercitar-nos um pouco, sobretudo quando se trata de voos longos. Tal serve essencialmente para evitar a coagulação de sangue nas veias, e poder ser vítima de um problema de saúde a bordo, potencialmente colocando a vida em risco. Na verdade, este problema existe também quando fazemos viagens de automóvel, carro ou comboio, ou mesmo quando estamos a jogar no computador.

As companhias ligadas ao sector de aviação têm frequentemente informação sobre isso disponível. Tal é o caso da Thomas Cook, que contruiu um infográfico bastante interessante. Dêem uma vista de olhos, pois contêm dicas interessantes sobre que exercícios fazer lá em cima:

exercicio thomas cook

 

 

 

Conhecimento não é compreensão

O vídeo acima explica-nos como o conhecimento não é compreensão. Esta afirmação não contraria de forma nenhuma quando aqui no Poupar Melhor dizemos que não podemos gerir o que não conhecemos. Só lhe aumenta um nível. O que a experiência tenta demonstrar é que o cérebro tem uma tendência para usar o caminho que sempre usou, mesmo quando todos os factos que o cérebro conhece lhe dizem que o caminho é precisamente o oposto.

A compreensão humana tem destas coisas. Não reconhecermos as nossas próprias limitações e não as reafirmarmos vezes sem conta leva-nos a tomar-mos decisões que contrariam a lógica. Enquanto a experiência pretende apenas provar que isto é verdade para a relação da função cognitiva e motora, o mais provável é que o mesmo seja verdade quando a função motora não esteja envolvida.

O raciocínio, a ferramenta que utilizamos para tirar as nossas conclusões, pode ser traído pelo caminho mais conhecido, principalmente quando confrontado com novos problemas.

Análise económica à Powerwall em Portugal

No último podcast do Poupar Melhor falamos sobre o lançamento da Powerwall pela Tesla. Surpreendentemente, ou talvez não, ainda não vi nenhuma referência à viabilidade económica duma solução destas em Portugal.

Digo surpreendentemente, porque Portugal teria boas condições para que uma solução destas fizesse sentido. Temos uma das energias eléctricas mais caras do Mundo, ou pelo menos a mais cara da Europa em termos de poder de compra. E em termos de valor absoluto, não é a mais cara, mas uma delas. Se associarmos a isso que dominamos nas energias renováveis (o que não é necessariamente bom), seria natural que a Powerwall pudesse vir a ser um sucesso em Portugal…

Os cálculos que vou fazer a seguir são baseados nalgumas premissas, algumas como verão, bastante abonatórias para a solução. E são válidas para uma Powerwall, porque para uma casa normal, dada a limitação do consumo a 2 kWh, teria que se comprar quase certamente mais que uma… Outras premissas poderão não estar associadas à solução, mas à falta de informação concreta, terei que as introduzir.

A primeira premissa, que engata logo umas contas normais, é que o preço da Powerwall seria apenas parte do preço final. Haveria que considerar os custos de instalação, nomeadamente a de ligar este pequeno armário à instalação eléctrica de uma casa. Para além de partir paredes, instalar cabos e o trabalho de um electricista muito qualificado, muitas fontes na Internet revelaram o óbvio: que será necessário comprar também um inversor. E não me parece que a Certiel não deixasse de ter uma palavrinha a dizer… Enfim, vamos simplisticamente assumir que o custo seria de 3000 €, pela versão de 7 kWh, a que permite ciclos diários de utilização.

O primeiro cenário de utilização que vou abordar é o de utilizar a Powerwall como acumulador de energia, tirando partido da diferença de preço da electricidade na tarifa bi-horária (tri-horária não me parece que trouxesse vantagens neste caso). Recordemos que este tipo de tarifa é cada vez menos competitiva, e tem sido marginalizada pelas ofertas do mercado liberalizado. Esta espécie de arbitragem, a preços do Mercado Regulado para 2015, permitiria um ganho de aproximadamente 10.76 cêntimos por kWh (0.1076=(0.1853-0.0978)x1.23).

Neste primeiro cenário, descontando custos de capital, amortizações, custos de manutenção e tudo o resto que se possa imaginar, teríamos que consumir cerca de 27881 kWh de electricidade (27881=3000/0.1076) para a Powerwall se começar a justificar minimamente. Se considerarmos que o consumo médio de uma família portuguesa é de 2500 kWh, então a garantia de 10 anos desta solução não serve o consumidor típico…

Num segundo cenário, vamos admitir que conseguimos produzir electricidade de borla, ou a custos marginais, o que obviamente ainda não existe. Assim, deixaríamos de pagar electricidade à EDP (bem como a taxa de televisão), e neste caso assumimos, por simplicidade, a tarifa simples do Mercado Regulado, e que é neste momento de aproximadamente 0.1952 cêntimos por kWh (0.1952=0.1587×1.23). Neste cenário, o custo da Powerwall começaria a justificar-se minimamente a partir da produção de 15369 kWh de electricidade gratuita…

Em qualquer cenário, há todavia outra limitação. A Powerwall tem uma eficiência de 92%, pelo que por cada 100 kWh que lá metermos, só sacamos 92 kWh. A isto haveria que somar as perdas do inversor. Acontece também que as baterias de iões de lítio não devem ser descarregadas abaixo dos 40%, pelo que cada dia que passa só iremos realmente utilizar, na melhor das hipóteses, a bateria em 50% da sua capacidade, ou seja em 3.5 kWh por dia. Ora, na vida garantida da bateria, que é de 10 anos, teremos a capacidade de utilizar qualquer coisa como aproximadamente 12775 kWh de electricidade (12775=3.5x365x10). Um valor inferior aos anteriores, pelo que inviabilizando tecnicamente a sua utilidade.

Na verdade, muitos mais factores distorcem esta análise simplista. A primeira é a da subida dos preços da electricidade, porque sim. Depois, este comportamento assume que a própria solução não afecta o comportamento do sistema, conforme referimos no artigo do Powerwall. Os donos de instalações fotovoltaicas podem igualmente ter muito a perder com esta opção. Mas, para mim, a principal questão é que vivemos certamente o início de uma era em que vai haver substancial desenvolvimento nesta área. E não tem que ser baterias de iões de lítio! Estas são muito populares porque são leves e assim adequadas para portáteis, telemóveis e carros eléctricos. Mas não tem que ser assim para uma coisa que fique encostada a uma parede… E daqui a muito pouco tempo, num futuro não muito distante, esta solução será rapidamente ultrapassada, qual autêntica Lei de Moore, como podem ver pela imagem abaixo, retirada deste artigo da Nature. Por isso, outros que a comprem, e que não subsidiemos os ricos que o façam

Evolução do custo

Evolução do custo de baterias em carros eléctricos

Powerwall da Tesla Motors


Não podíamos deixar passar em claro o anúncio da Tesla Motors de lançar uma bateria doméstica. A empresa Tesla conhecida pelo seu carro elétrico vem agora propor-nos uma bateria de montar na parede por uns míseros $3.000,00. O valor não é exagerado se tivermos em conta a sua capacidade, embora pudessem encontrar algo semelhante por outros preços, mas apenas preparado para serviços industriais.

Como diz a Wired, podem ter uma deceção se comprarem uma bateria destas pensando que obterão dela 100% de eficiência. A questão da ineficiência do equipamento não é a única.

Houve que sugerisse que a utilização do lítio como matéria prima deste tipo de equipamentos, à medida que o seu uso se tornar mais generalizado, poderá entrar num processo de esgotamento semelhante ao do petróleo.

Outra questão é a eficiência económica da aquisição de um equipamento destes. A ideia de adquirir um equipamento destes para acumular energia da rede em período em que o valor de venda fosse o mais baixo pode ser atrativa.

No entanto, à medida que houver mais pessoas a investir nestes equipamentos, a procura da energia em período de baixa, aquilo a que chamam o período de vazio nas tarifas bi-horárias, pode vir a tornar-se um período em que a diferença do custo da energia será quase nenhum uma vez que haverá mais procura, o que aumentará o preço.

Por último, tal como nos combustíveis automóveis, a legislação inventada porque sim e porque não, pode manter o preço da eletricidade a subir porque sim e porque não. Se os consumidores insistirem nessa coisa nefasta que é o auto-consumo, isto é, o consumo da energia elétrica que eles próprios produzem, podem ver-se a braços com taxas de produção nessa energia para compensar a quebra da procura perante a oferta das grandes empresas produtoras.