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SIC Contas Poupança: euros ganhos a poupar

Recebemos um convite para participar na rubrica Contas Poupança do Jornal de 4ª Feira da SIC e pediram-nos que fizéssemos um resumo com alguns dos ganhos em que as poupanças que aconselhamos se podem traduzir. A reportagem passou ontem, no Jornal da Noite da SIC, entre várias reportagens alusivas ao Dia Mundial da Poupança. Para quem não viu ontem, podem ver no filme, algumas dicas que já aqui abordamos no Poupar Melhor.

Filmagens para a rubrica Contas Poupança do Jornal da SIC

Filmagens para a rubrica Contas Poupança do Jornal da SIC

Na altura, o A.Sousa e eu juntámos-nos para sermos entrevistados, mas antes preparámos uma lista com os sound bytes do narrador da peça e que partilhamos convosco. Os sound bytes seguintes não apareceram na reportagem, mas são alguns outros exemplos de ganhos possíveis com as práticas que vos temos vindo a propor.

Adaptar a potência do contador elétrico

  • Baixar a potência de 10,35 kVA a 18,27€ por mês;
  • Para a potência de 6,9 kVA 12,41€ por mês.

Substituir tarifa elétrica plana por tarifa bi-horária

  • Consumo bi-mensal com tarifa plana: 110,86€;
  • Consumo bi-mensal com tarifa bi-horária: 100,47€.

Tomar duche em lugar de banho de imersão

  • Duche de inverno gastam 49,6 litros água e 0,223 m3 gás num total de 17,40 cêntimos;
  • Banho de imersão gastam 149,6 litros água e 0,628 m3 gás num total de 68,31 cêntimos;
  • Duche de verão  gastam 22,2 litros água  e  0,073 m3 gás num total de 8,7 cêntimos.

Lavar os dentes com um copo de água

  • Sem copo: 3,5 litros
  • Com copo: 0,8 litros

Cervejas de 33cl em lugar de minis

  • 1 litro mini ficaria em 2,50€; e
  • 1 litro normal (33cl) ficaria em 1,96€.

Os valores apresentados já incluem IVA e foram calculados com as tabelas existentes à data da realização da entrevista.

Dia Mundial da Poupança

Um porquinho mealheiro

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poupança. Este dia é celebrado há muitos anos, tendo sido instituído em 1924, durante o primeiro “International Thrift Congress“, que se realizou em Milão. A ideia partiu do “International Savings Banks Institute” então criado, e que mais tarde deu origem ao WSBI (World Savings Banks Institute). A ideia foi a de alertar para a necessidade de reduzir os gastos, com isso contribuindo para amealhar algumas economias. De ponto de vista deles, o destino seria naturalmente uma conta de poupança num banco…

A história do Dia Mundial da Poupança é resumida nesta página. Aí percebemos que os Alemães nem sempre gostaram deste conceito de poupança, especialmente depois da reforma monetária de 1923. Pelo contrário, nuestros hermanos já o haviam celebrado em 1921. Em 1928, o Hino à Poupança foi criado por Gino Valori e Giuseppe Pietri. Depois da Segunda Guerra Mundial, o Dia Mundial da Poupança teve o seu auge entre os anos 1955 e 1970.

A importância do tema da Poupança parece estar de regresso, nestes tempos mais difíceis. Devemos pensar que a poupança não se observa numa vertente estritamente bancária, mas que há muitos mais domínios da nossa vida em que devemos aplicar os conceitos de poupança. São todas estas vertentes que continuaremos a explorar no Poupar Melhor.

Regressões Lineares e outliers

Multiplicadores e ouliers por A.Sousa

Multiplicadores e outliers por A.Sousa

A semana passada evidenciámos como os gráficos podem ser “entendidos” para fazerem passar determinadas conclusões, ou popularmente “torturar os números até que digam o que queremos”. Nesse gráfico foi utilizado o método de regressão linear, que permite aproximar a uma reta um conjunto de pontos. Este método é, todavia, muitas vezes pouco utilizado, porque, supomos nós, a maior parte das pessoas os considere de difícil cálculo.

Já várias vezes podíamos ter utilizado regressões lineares aqui no Poupar Melhor, mas nunca se propiciou. Quando falamos da evolução de temperaturas, da evolução dos juros, ou doutras variações de valores, podemos facilmente utilizar este método. Todavia, esta semana, em função da troca de ideias que mantemos entre os autores do Poupar Melhor, resolvemos demonstrar a utilização do método da regressão linear no âmbito da polémica do multiplicador do FMI.

O problema é descrito originalmente neste documento do FMI, páginas 61 a 63 do PDF (agradecimentos ao @JotaNR que nos facilitou a vida, apontando-nos diretamente aos factos). Os dados originais da Figura 1.1.1 estão neste link. Depois de meter os dados na nossa folha de cálculo (Ver Google Drive), é fácil criar um gráfico animado que demonstra a variação da reta com base na remoção dos valores anormalmente diferentes da maioria.

Cada um dos gráficos é um gráfico XY (Scatter) gerado pelo OpenOffice Calc. Depois, é só carregar com o botão direito do rato nos pontos do gráfico, e seleccionar “Insert Trend Line“. Selecciona-se o tipo “Linear”  com “Show equation“… Et voilá. Já têm um gráfico com a regressão linear, e correspondente multiplicador do FMI, que é o valor que se observa no coeficiente de x.

Para fazerem a animação que facilita o entendimento de toda esta discussão, os gráficos gerados são depois exportados em formato de imagem para ficheiros separados. Fazem o upload para um site de geração de imagens animadas como o makeagif.com e geram a animação em menos de 2 minutos.

A interpretação dos factos registados deve levar em linha de conta se dos factos recolhidos existem alguns que se distanciem especialmente da maioria dos registos. Estes podem ocorrer por acaso, mas também por um erro/falha do processo de recolha ou mesmo por um erro/falha na teoria. A interpretação dos dados sem a remoção destes outliers pode levar a erros de análise que se pagaram pelas decisões mal tomadas que forem suportadas nos mesmos. Assim, como exercício, gerei as variações na animação com base nas seguintes notas:

  1. Ninguém se quer comparar com a Grécia;
  2. A Alemanha aqui também parece ser um caso à parte… e
  3. A Roménia o que faz no gráfico?

A utilização destes outliers já foi questionada em artigos especializados, nomeadamente do Financial Times. No artigo “Has the IMF proved multipliers are really large?” questiona-se a robustez da análise do FMI, enquanto no artigo “Robustness of IMF data scrutinised” essa robustez é claramente escrutinada, equacionando-se por exemplo porque foram retirados países como a Nova Zelândia, Estónia, Letónia e Lituânia. Ambos os artigos são apenas visíveis mediante registo, mas é possível fazê-lo gratuitamente. Como bónus, eles dão uma folha de cálculo com mais dados que os nossos, e uma imagem elucidativa. Com os dados do FT, ou com os que deixamos acima, ficam preparados para que possam dar uma vista de olhos, e “torturar” o método, que afinal está ao alcance de todos para facilitar o entendendimento destas questões complexas.

Açambarcar agora para não nos faltar amanhã

Quando falamos de açambarcar há sempre uma tendência para exercitarmos a nossa veia cómica, mas o melhor é começarem a preparar-se para o pior quando:

Como ainda sou do tempo em que havia falta de produtos no supermercado e não podíamos levar mais de um pacote de leite por dia, já começo a pensar em açambarcar, como nos propôs o A.Sousa há uns tempos quando aumentou o IVA, mas agora por razões diferentes.

Agora não porque seja da opinião que os preços vão subir novamente, mas porque podemos ficar sem distribuição de géneros alimentícios face à contestação que nos espera.

Experimentando com marshmallows

Há cerca de duas semanas abordamos aqui a importância de começar a poupar cedo. Na infância, é muito importante introduzir o conceito de retardar a gratificação. Até que tomamos conhecimento da experiência dos marshmallows, a maioria de nós não acredita que esta ideia empírica tenha validação prática…

Em 1972, o psicólogo Walter Mischel da Universidade de Stanford, efectuou aquela que é conhecida como a experiência dos marshmallows. Um resumo em português, pelo Nuno Crato, está disponível aqui.

Num estudo de 1972, Mischel et al. descobriram que apenas uma pequena percentagem de crianças entre os 4 e os 6 anos eram capazes de resitir à tentação de comer um marshmallow, mesmo que lhe tivessem oferecido outro passados uns minutos. O verdadeiro impacto da experiência revelou-se quando no final da década de 80, Mischel observou que as crianças que haviam resistido à tentação de comer o marshmallow, registavam um melhor percurso académico, e uma melhor forma de lidar com a frustração e stress da adloscência.

A experiência continua hoje em dia, e já envolve mesmo análises de ressonância magnética aos agora quarentões… A experiência já foi repetida em muitos locais, sendo que na TED talk seguinte, podem observar como algumas crianças colombianas reagiram ao problema…

Análise de registos históricos

Skeptics vs Realists from skepticalscience.com

Skeptics vs Realists from skepticalscience.com

O site Skeptical Science apresenta o gráfico acima para ilustrar um erro de análise em dados históricos que é comum. Este erro vem da relevância da quantidade de dados que é escolhida para análise e como ela força um entendimento errado dos factos.

No Poupar melhor os dados que escolhemos estudar são quase sempre domésticos e com objetivos não de aprofundar previsibilidade da tendência, mas a possibilidade de detetar padrões mais imediatos, mas o problema coloca-se até para as nossas análises domésticas.

A quantidade de dados recolhidos e o seu rigor limitam as possibilidades de análise. Muitas vezes podemos fazer pouco mais que constatar os factos não havendo possibilidade de relacionamento entre estes e outras consequências apenas pela quantidade de factos em análise não serem suficientemente significativos para a análise que nos propusemos fazer.

Antes de começarmos a recolher dados, devemos por isso formular a hipótese que queremos estudar e só depois determinar a quantidade de dados que temos de recolher.