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Fazer o curso na maior

Capa do livro “Faz o curso na maior”

O assunto deste artigo é relativo a um livro que foi lançado com o título “Faz o curso na maior“. O livro chegou-me ao conhecimento através deste artigo do Expresso, convenientemente chamado “Estuda o mínimo, goza o máximo“. Uma boa entrevista está disponível também na Visão.

O enquadramento inicial deixou-me imediatamente numa de “mixed feelings“. Por um lado, estão bem presentes na nossa memória colectiva a chico espertice da licenciatura do Relvas, e todo o caso da licenciatura do Sócrates. Por outro, porque durante quase toda a minha licenciatura trabalhei, o que não me impediu de passar regularmente e com boas notas a todas as cadeiras. Surpreendentemente, já há 20 anos utilizava muitas das técnicas enunciadas no livro.

O livro é da autoria de Nuno Ferreira, com Bruno Caldeira. Nuno Ferreira é um Professor Universitário, e por isso sabe do que fala. E diz coisas que não esperávamos ouvir de um Professor Universitário.

Há duas coisas que saltam à vista das primeiras páginas do livro. A primeira é relativa às cábulas, e mal posso esperar por ler o livro completo, para comparar as minhas experiências. Fomos uns grandes especialistas de cábulas, e a referência no plural é isso mesmo: o meu grupinho fazia proezas nesse domínio, e da única vez que alguém do grupo foi apanhado, o desenlace foi ainda mais extraordinário! Mas as cábulas servem para aquilo que o Nuno refere, que é a de ajudar a “sistematizar a matéria“. A segunda referência importante do livro é a referência ao princípio de Pareto, um dos princípios principais pelo qual me guio, sobretudo em termos profissionais, e que diz que “80% dos resultados são gerados por 20% do esforço investido”…

Enfim, um livro que promete provavelmente gerar alguma polémica. Mas que, na lógica do Poupar Melhor, ensina aos estudantes como realmente rentabilizar melhor o seu tempo, tornando-os mais eficientes e sobretudo eficazes! Uma boa oferta certamente para os estudantes!

Taxas de juro implícitas no crédito à habitação

Começamos recentemente a abordar a importância de conceitos financeiros e de poupança para os mais miúdos. Mas, para nós mais graúdos, há muitos conceitos que nos tocam e que interessa dominar. Já antes havíamos abordado vários aspectos relativos às taxas de juros e à taxa Euribor. Mas há muito mais para dominar…

Quando há cerca de duas semanas ouvi que as taxas de juro implícitas no crédito à habitação continuavam a cair, tomei nota para fazer uma investigação mais apurada…

Meter mãos à obra não foi propriamente fácil. O INE elaborou um documento de destaque interessante onde é possível observar logo na primeira página um gráfico muito interessante sobre a evolução das taxas de juro implícitas no crédito à habitação, com valores para o total de contratos, e para os celebrados nos últimos três meses.

Como a descida do gráfico dos últimos meses me pareceu uma consequência lógica da evolução recente da Euribor a 6 meses, o indexante mais utilizado em Portugal, fiz um primeiro gráfico e confirmei essa correlação. Mas, curioso, procurei dados mais antigos. E aí a porca torceu o rabo, e não os encontrei. Nem no INE, nem na Pordata. Foi preciso muita paciência para os recolher pouco a pouco, por vários documentos dispersos pelo site do INE.

O resultado é o gráfico abaixo, que representa os valores para as taxas de juro implícitas no crédito à habitação, sendo a curva “Totalidade Contratos Crédito Habitação” respeitante à totalidade dos contratos, e a curva “Contratos últimos 3 meses” para os contratos celebrados nos últimos 3 meses. Para esta última só consegui encontrar valores a partir de Abril de 2003. Juntamente está representada a curva da Euribor, com os valores do primeiro dia útil de cada mês, e que os bancos tipicamente utilizam.

Particularmente relevante é a diferença entre a curva a verde e a cor de rosa, e que representa aproximadamente o spread cobrado pelos bancos. Aí se verifica como entre meados de 2005 e início da crise em 2008 o spread cobrado era muito baixo. Repare-se como ele está agora, em cerca de três pontos percentuais. Agora imagine-se que a curva verde começa a subir, e questionemos onde pararão os (poucos) clientes que estão agora a contratar um crédito à habitação.

Este é um gráfico que nos dá muitas mais pistas sobre a realidade financeira que nos toca a todos. Quando tomamos decisões importantes de investimento, como contratar um crédito à habitação, devíamos sempre olhar para imagens como estas e perscutar o que elas podem significar para o futuro! É que uma imagem vale por mil palavras…

Começar a contar dinheiro

Anteriormente, observamos como podemos interiorizar o conceito de poupança, retardando a gratificação. Neste artigo vamos abordar como podemos introduzir o conceito de dinheiro às crianças.

Mesmo antes de uma criança compreender o que é dinheiro, ela pode começar a mexer com ele… Não com as notas, mas com as moedas. Uma das primeiras tarefas pode estar associado à contagem de dinheiro. A aprendizagem do conceito de contagem pode ser feito com dedos, mas também com moedas. Essa introdução não deverá é ser feita quando ela tiver a tentação para engulir as moedas… Mas depois disso, as crianças actuais tendem a ter um fascínio pelo som das moedas à semelhança dos viciados em slot-machines…

Assim sendo, para uma criança de quatro anos, nada como lhe dar um molho de moedas idênticas e pedir-lhe para contar quantas são. No final, se acertar, umas dessas moedas poderá ficar para ela. À medida que for avançando, pode introduzir moedas de valor diferente, e pedir-lhe para as separar. Poderá pedir para empilhar as moedas do mesmo tipo, e outro tipos de capacidades, que não financeiras, surgirão.

Esta brincadeira tem ainda a grande vantagem de ser barata. Desde que não utilize moedas de valor elevado, os “brinquedos” terão um custo muito baixo. Assim que esta brincadeira estiver dominada, estarão lançadas as bases para as próximas etapas de aprendizagem.

Parcelas da conta da electricidade

Um dos exercícios essenciais para perceber onde podemos poupar nas nossas contas, consiste em examinar o detalhe dos custos associados. Para isso, a análise de uma factura, ou de um conjunto delas, é sempre um excelente exercício para percebermos onde gastamos o nosso dinheiro.

No nosso caso, reuni um conjunto de facturas de electricidade, correspondentes a um ano de consumo. Somando essas facturas todas, cheguei aos valores abaixo, em termos parcelares, estando ordenadas pela representatividade do valor:

  • Consumo Electricidade: 278,22 € (61.71%)
    Esta é a maior parcela da factura. Corresponde ao consumo de electricidade expresso em KWh. Num tarifário bi-horário como o nosso, o KWh é tarifado de forma distinta, consoante o consumo se verifique em vazio ou fora de vazio. Nas notas de rodapé da factura 207.49 € são encargos relativos ao Acesso às Redes, dos quais 108.81 € são relativos a Custos de Interesse Económico Geral (CIEG).
  • IVA: 76.82 € (17.04%)
    Imposto a favor do Estado
  • Potência Contratada: 64.82 € (14.38%)
    Uma parcela fixa, que é tão mais elevada quanto a potência contratada.
  • Contribuição áudio-visual: 27.00 € (5.99%)
    Taxa que assegura o financiamento do serviço público de radiodifusão e de televisão.
  • IVA sobre a Contribuição áudio-visual: 1.62 € (0.36%)
    Um Imposto sobre uma taxa…
  • Imposto Especial Consumo Eletricidade: 1.52 € (0.34%)
    Um Imposto que passamos a pagar em 2012 e que poucos deram por ela… Está indexado ao consumo de electricidade.
  • Taxa Exploração DGEG: 0.84 € (0.18%)
    Mais uma taxa para financiar uma organização estatal, à semelhança da Contribuição áudio-visual.

Uma análise rápida sobre estes números permite concluir que pelo menos 216.61 € (108.81+76.82+27.00+1.62+1.52+0.84) são relativos a opções políticas, taxas, impostos e outras coisas que tal. Destes valores resulta especialmente elevado o valor do CIEG, sendo que neste documento da ERSE, no Quadro 0-8, na página 29, conseguimos perceber que tal valor, quase um quarto do total da nossa conta da electricidade, serve para alimentar de tudo um pouco, desde os PRE (renováveis, co-geração, etc.), até às famosas rendas da electricidade, passando pela sustentação de uma série de instituições estatais…

Olhando para a factura, rapidamente percebemos que diminuindo o consumo de KWh, pagamos menos de electricidade, e dos CIEG associados, do Imposto Especial sobre o Consumo, e do IVA por cima disto tudo! Cada KWh a menos é menos energia que pagamos, e menos impostos associados! Reduzindo a potência contratada, também podemos poupar bastante, como referimos aqui. No resto, infelizmente não se consegue cortar… Faça também o exercício e veja se a distribuição percentual é muito diferente?

Começar a poupar cedo

A aprendizagem da poupança é cada vez mais difícil. E quem tem miúdos em casa sabe que esse é um conceito difícil de transmitir aos mais novos. Este é o primeiro artigo duma série em que transmitiremos algumas dicas que podem ser importantes para que as crianças assimilem alguns conceitos importantes associados à poupança, seja ou não do tipo financeiro.

Começaremos esta série numa idade muito tenra, até porque é de pequenino que se torce o pepino. Pelos 3 anos, as crianças precisam de apreender o conceito de paciência. Quando elas pedem, se não há uma resposta rápida, uma choradeira seguir-se-á certamente. Uma forma é retardar a gratificação, e isso é um dos conceitos mais importantes para o resto das suas vidas…

Mas como consegui-lo? Se a criança pede, por exemplo, uma bolacha, podemos dizer-lhe que a damos já, ou que lhe damos duas daqui a 10 minutos. Isto presume que ela obviamente está sem fome, e que se lhe dermos agora a bolacha, não lhe daremos outra daqui a 10 minutos!

Agora é deixar a criança a pensar! Devemos encorajá-la a esperar 10 minutos, e a lição será rapidamente interiorizada. Quando a criança se habituar a esperar por uma recompensa maior, o seu conceito de poupança será rapidamente reforçado!

As raspadinhas

A raspadinha Super Pé-de-Meia

Neste artigo havíamos abordado como a melhor forma de ganhar dinheiro no Euromilhões era não jogando. Foi por isso com estupefação que vi na semana passada que a venda de raspadinhas aumentou 80%! Num País em crise, tal é absolutamente surpreendente! Pensar que essa é uma forma de ultrapassar os problemas financeiros, ou de ficar rico, revela realmente como o nosso Povo não pensa.

Está mais que provado que a participação nestes jogos de azar só nos torna mais pobres, sendo que a riqueza está à espreita de apenas alguns! É um autêntico imposto para quem não sabe Matemática, mas para o qual muitos contribuem, muitas vezes os mais pobres! Felizmente, quando jogamos nos Jogos Santa Casa, temos uma noção que parte desse imposto vai para ajudar os mais pobres…

Para se ter uma ideia das improbabilidades de lhe sair o prémio grande da Super Pé-de-Meia, a raspadinha que promete o maior prémio, fui fazer as contas. Há 4 004 000 raspadinhas e cada uma delas custa 5 euros! Há 3 raspadinhas que dão 2000 euros/mês durante 12 anos. Imagine o Estádio da Luz, que cheio leva 65647 pessoas. Imagine agora que ele vai estar cheio durante 61 jogos consecutivos, e que durante esses 61 jogos, 3 das raspadinhas com o Prémio Grande vão ser entregues a afortunados espetadores. Imagine que vai a apenas um desses jogos: veja assim qual é a probabilidade de receber o prémio com os 5 euros que joga…

Ainda assim, as probabilidades de ganhar alguma coisa decente são muito maior nestas raspadinhas, que no Euromilhões. Para começar, um total de 70% é distribuído para prémios, ao contrário dos 50% do Euromilhões. As probabilidades de ganhar alguma coisa (mínimo 5 euros) é de 1 para 3.46. E não sairá tão facilmente a estrangeiros, como acontece no Euromilhões. Na minha óptica, a melhor parte ainda é a da distribuição do prémio ao longo do tempo, que no caso do prémio maior se estende ao longo de doze anos. Tal é provavelmente uma garantia de que o vencedor não vai a correr esbanjar o prémio, o que infelizmente não deixa de acontecer